Defesa & Geopolítica

Washington enfoca relações internacionais de forma “consumista” e “imperial”

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O ministro da Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, classificou a maneira de Washington de enfocar as relações internacionais como “consumista” e “imperial”, manifestando a convicção de que essa postura será inevitavelmente sujeita a reajustes.

Segundo o chefe da diplomacia russa, a Casa Branca acredita que tem o direito de punir outros países quando estes procedem contrariando a vontade de Washington e de obrigá-los a ser cooperativos em assuntos de importância vital para os EUA e seus aliados.

Lavrov sugeriu que o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, entende a inconsistência de tais tentativas.

Lavrov observou que as relações entre a Federação da Rússia e os Estados Unidos ainda atravessam dificuldades e em algumas áreas estão em impasse.

Fonte: Voz da Rússia

Serguei Lavrov: São inadmissíveis tentativas do Ocidente de transformar a Rússia à sua maneira

O Ocidente deseja transformar a Rússia à sua maneira e nisto consiste o maior objetivo de sanções antirrussas, anunciou o chanceler russo, Serguei Lavrov. O chefe da diplomacia russa salientou que “tal abordagem colonial caracteriza mais a época passada”.

Na opinião de peritos, tal declaração bem dura, feita pelo titular da pasta diplomática russa, evidencia o fato de que as vias, propostas pelo Ocidente no sentido de solucionar a atual crise, não são admissíveis para a Rússia.

O Ocidente não esconde que o principal objetivo das sanções e da pressão sobre a Rússia não passa pela Ucrânia, observa Lavrov. Washington e Bruxelas têm procurado impor a Moscou a sua posição sobre as questões-chave, básicas, salientou o ministro russo, numa aparente alusão à “política das épocas passadas, caracterizadas pela inércia e mentalidade colonial”:

“Queremos colaborar em pé de igualdade. Queremos que a esfera de política externa seja privada de aspectos ideológicos e que a economia não seja sacrificada aos propósitos unilaterais geopolíticos duvidosos. Existe uma escola de pensamento, cujos adeptos apelam a concessões da parte russa para tirarem benefícios econômicos e evitar prejuízos. Não pertenço a esta escola, disse Lavrov, ressaltando que “ama o seu país”. Pois, adiantou, a política externa dos países como a Rússia pressupõe a necessidade de defender a justiça e o caráter democrático das relações internacionais”.

O Ocidente apresenta as condições seguintes: se Moscou ajudar a regularizar a crise ucraniana, ele irá revogar as sanções. Moscou, contudo, responde-lhe de forma simples: a parte russa não irá cumprir ou coordenar as condições ou critérios desse gênero. A Rússia tem feito muito mais do que os outros Estados para normalizar a situação na Ucrânia, frisou.

Foi Moscou que, em abril, formulou as iniciativas de paz em Genebra e chegou aos posteriores acordos de Berlim. Os acordos alcançados em Minsk resultam das iniciativas dos Presidentes da Rússia e da Ucrânia, Vladimir Putin e Piotr Poroshenko. Hoje em dia, Moscou, utilizando todos os canais disponíveis, procura uma escrupulosa execução destes convênios. Enquanto isso, os colegas ocidentais não utilizam em pleno a sua influência sobre as autoridades de Kiev para convencê-las da necessidade de seguir à risca os acordos firmados com as milícias do Sudeste”.

Ultimamente, os EUA têm assumido uma postura cada vez mais paradoxal. Por um lado, Washington tem utilizado todos os meios para isolar a Rússia. Ao mesmo tempo, a Casa Branca tem apelado a que Moscou venha interagir na solução dos problemas do Iraque e da Síria que estão enfrentando a ofensiva desencadeada pelo Estado Islâmico. Tal política é inerente aos norte-americanos, realçou Serguei Lavrov:

“É um traço característico dos EUA – manter uma atitude “consumista” nas relações internacionais. Washington considera ter direito de castigar os países “desobedientes”, independentes e autônomos. Ao mesmo tempo, quer cooperar com esses mesmos países em questões de importância vital para os EUA e seus aliados. É uma atitude errada para a qual apontei nas conversações com John Kerry, disse Lavrov, segundo o qual “ele compreende a inutilidade de tais enfoques, pelo menos, nas relações com a Rússia”.

Lavrov se manifestou convencido de que os países do Ocidente tinham compreendido as consequências nefastas do atual rumo político antirrusso, visando a aplicação de medidas punitivas contra a Rússia. O ministro afirma que “tal rumo imperial e caduco deverá ser corrigido, o que poderá demorar muito tempo”.

Em geral, as recentes declarações de Lavrov se tornam cada vez mais duras, constituindo uma reação adequada às mensagens procedentes de Washington, considera o vice-diretor do Instituto de Canadá e dos EUA, Valeri Garbuzov:

“Os EUA enveredaram pelo caminho de contenção da Rússia. Isto é um dado adquirido. Hoje, se divulgam fatos outrora escondidos e camuflados. Estas informações têm sido divulgadas pelo presidente, por congressistas e altos governantes da administração de Obama. Quanto a mim, me parecem os fatos sérios e alarmantes”.

Com certeza, isto não quer dizer que o Ocidente e a Rússia não consigam um acordo definitivo. Segundo explicou Lavrov, tais acordos são imprescindíveis tanto para a Europa, como para a Rússia por “serem vizinhos com um percurso histórico multissecular”. As relações poderão se normalizar quando os políticos ocidentais começarem a pensar de forma mais global. Ao fim e ao cabo, foi a Rússia que havia salvado a Europa mais de uma vez dela própria.

Fonte: Voz da Rússia

 

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