Defesa & Geopolítica

Marinha Russa perspectivas e necessidades

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Russian NavyE.M.Pinto

Após a dissolução da União Soviética na década de 1990, a Marinha russa lutou para ajustar as suas estruturas  e padrões das forças da Guerra Fria, equipamentos obsoletos e dispendiosos sofriam duramente com a escassez de recursos, manutenção insuficiente e atraso tecnológico. Os anos que se seguiram foram caóticos para a combalida Marinha que perdera em um trágico acidente uma das suas  mais modernas armas, com apenas três anos de operação o submarino nuclear lança mísseis da classe Oscar II K 141 Kursky.

Kursky

O alerta sou naquele momento, as autoridades russas iniciaram um plano para total  reconstrução da sua Marinha, extensos programas de atualização e construção de novos meios forma lançados para evitar o colapso e inanição da frota russa que em questão de alguns anos ficaria inerte nos atracadouros. Os negros anos 90 se foram e na primeira década deste século houve significativa melhoria na economia russa, estes fatores amenizaram o sufocante estado de recursos destinados a defesa Russa que agora assiste a um incremento significativo nos recursos de defesa e um aumento do número de navios em construção com foco em vasos destinado às “águas azuis”.

Um extenso programa de rearmamento está sendo implementado desde 2011. O Ministério da Defesa espera adquirir cerca de 100 navios de guerra até 2020.

O programa prevê em várias etapas, a aquisição de 20 submarinos, 35 corvetas e 15 fragatas.  A natureza dos outros 30 navios é ainda desconhecido. A Frota do Mar Negro receberá 18 novos navios de superfície e submarinos, incluindo submarinos da classe Kilo, fragatas da classe Almirante Gorshkov  e navios de desembarque classe Ivan Gren.

Há planos para a aquisição de barcos lança mísseis Project 21.631 e corvetas classe Steregushchiy. O programa de armas também fornece fundos para a aquisição no exterior de dois navios de assalto anfíbio da classe Mistral. Além disso, os navios mais antigos, como os cruzadores da classe Kirov foram submetidos a um amplo programa de revisões e modernização para trazê-los de volta ao serviço ativo após mais de uma década na reserva.

No início de 2013, fontes do Ministério da defesa russo relataram que a Marinha deverá receber a partir daquele ano cerca de 54 novos navios de superfície de várias classes e cerca de 24 submarinos até 2020.

O amplo programa de  construções no entanto esbarra em problemas logísticos e técnicos:

  • Não há na Rússia nos dias de hoje espaço nos estaleiros para a construção da almejada frota de fragatas, navios de assalto, porta aviões, destroyers e submarinos, uma vez que cerca de 75 embarcações dos mais variados tipos encontram-se em produção. A componente produtiva da indústria naval russa está comprometida com a produção destes navios.
  • Em geral os estaleiros russos estão desatualizados de modo que não podem acelerar o processo de produção ou mesmo implementar programas que visem a produção por meios modernos, os estaleiros russos estão defasados em níveis tecnológicos em relação aos concorrentes chineses, coreanos e europeus.
  • Com o conflito acirrado na Ucrânia, a Rússia viu-se reduzida na capacidade de fornecimento por aquele país de itens importantes para a construção naval. Por via de regra, armas, sensores, radares e sonares são produzidos na Rússia, porém itens menos tecnológicos e de inferior valor militar, tornaram-se uma dor e cabeça para os estaleiros russos que dependem de fornecimento ucraniano, motores e sistemas secundários são fornecidos pelo país que se vê dividido em um conflito. Embora não se tenham cortado por completo o fornecimento destes itens, é de se prevê que eles impactarão no atraso às entregas da frota para a marinha Russa.

Entretanto as perspectivas de renovação da Marinha Russa seguem até o momento o seu curso programado, a expectativa é de que hajam atrasos.

Futuro Porta-aviões 

Em 2005, foi anunciado que a Marinha russa estava planejando construir uma nova classe navios os quais poderia vir a produzir entre  dois a quatro novos porta-aviões. Naquele momento previa-se a produção iniciada entre 2013-14 para a entrada no serviço ativo em 2017. Informações da Jane´s sustentavam que não estava claro se este seria um programa financiado, ou apenas um estudo de viabilidade. Em meados de 2007, o novo chefe da Marinha anunciou planos para reformar as forças navais do país e construir uma marinha de águas azuis, reestabelecendo-na  como a segunda maior frota de porta-aviões do mundo, com o objetivo de criar seis grupos de ataque capitaneados por porta-aviões nos próximos 20 anos. 

Naquela altura o então presidente russo Dmitriy Medvedev declarou em 2008 que a Rússia pretendia construir porta-aviões nucleares na próxima década. Analistas de defesa alegam no entanto que a Rússia atualmente não dispõe de uma instalação capaz de construir porta-aviões. Em 2 de agosto de 2010, Vladimir Vysotskiy sublinhou a sua importância: “Se, por exemplo, não temos um porta-aviões na região Norte, a capacidade de combate dos submarinos lança mísseis da Frota do Norte será reduzida a zero após o primeiro dia, porque o adversário principal  utilizará massivamente a sua frota de patrulheiros anti-submarinos. 

Falando em São Petersburgo em 30 de junho de 2011, o chefe da United Shipbuilding Corporation(USC), uma holding estatal russa, disse que sua empresa deverá começar trabalhar no projeto em 2016, com o objetivo de iniciar a construção em 2018 de modo que  o navio atinja a capacidade operacional em 2023. Alguns meses depois, em 3 de novembro de 2011, o jornal russo Izvestia relatou o plano naval que inclui a construção de um novo estaleiro capaz de construir grandes navios de propulsão nuclear que entraria em operação no comando do primeiro grupo de ataque já 2023.

O porta-voz ds USC disse que o primeiro navio entraria em operação na Frota do Norte em Murmansk, e o segundo seria alocado na Frota do Pacífico em Vladivostok. Desde maio 2014 não houve nenhum anúncio do início da construção de um novo porta-aviões e as informações  acerca deste evento sumiram dos fórum de discussão e mesmo dos informativos oficiais, não se tem notícia do estado atual do programa do Porta aviões russo de nova geração.

Destroyers 

Projeto 21956

O primeiro  destróier  a ser construído desde a Guerra Fria será o Project 21956, um destroyer multi-propósito. Ele representa a 4ª geração de navios de guerra de superfície russas, desenvolvidas pelo Severnoye Design Bureau. Segundo o ex-comandante da Marinha Russa Almirante Vladimir Vysotskiy o trabalho na nova classe destroyer começou em 2012.

Os navios deverão substituir a já obsoleta classe Sovremennyy.  Estes navios vão desempenhar o papel principal de guerra anti-submarino e guerra anti-aérea, bem como o anti-superfície.

O design do navio inclui redução significativa da seção  transversal de radar (RCS), uma tendência crescente nos novos projetos de navios de guerra da Marinha Russa. O primeiro navio da classe é previsto para ser concluído e entregue em 2016. Tal como o programa do porta aviões, até maio de 2014 quase nada foi citado nos sites oficiais acerca do projeto.

Fragatas 

Admiral Gorshkov

Um pedido inicial de seis fragatas da classe Almirnate Gorshkov foi lançado e os navios estão em construção para a Marinha russa. O Estaleiro Norte, até agora, anunciou ter recebido ordens para seis unidades.  O primeiro navio da classe, Almirante Gorshkov teve sua quilha batida em 2006 e foi lançado ao mar  em 29 de outubro de 2010 o navio foi previsto para ser incorporado a  Marinha Russa em 2012. 

Project 22350

1280px-Admiral_Gorshkov_class_Frigate

Encontram-se em situação de  de entregas previstas para 2013,14 e 15,  03 navios Project 22350 respectivamente.

Entretanto, até maio de 2014, a Gorshkov, ainda realizava seus testes de mar e ajustes para ser aceita e incorporada à frota. Além disso, outras seis fragatas da classe Almirante Grigorovich  foram encomendados e encontram-se em construção no estaleiro Yantar em Kaliningrado, com o primeiro navio previsto para ser entregue em 18 de dezembro de 2010, atrasos no programa também retardaram este evento. Estas seis fragatas servirão à Frota do Mar Negro.

Project 11356

As quatro fragatas Project 11356 seguem os prazos de incorporação previstas para 2013, 2014 ,2014 e 2015 respectivamente.

Project 20380 20385

As corvetas as 05 primeiras corvetas Project 20380 e 20385 seguem os seus prazos de incorporação estabelecidos em 2012, 2013, 2015, 2015 e 2015.

Project 21631 21630

Os cinco navios lança mísseis Project 21631 21630 foram entregues em seus prazos (um em 2012 e todos os demais em 2013) porém nem todos ainda entraram no serviço ativo da Marinha Russa.

Submarinos 

Considerado o mais ambiciosos e estratégico programa na renovação da frota russa o programa de reaparelhamento da força submarina que se estende de 2011-2020 prevê a construção e entrega de até 24 submarinos (nucleares e convencionais) para a Marinha Russa. 

Dois novos navios das classe Borey, submarinos de mísseis balísticos estão em construção, o  Yuriy Dolgorukiy, o primeiro da classe, foi lançado em abril de 2007 e começou os testes de mar em junho 2009. O navio foi destacado para a Frota do Norte em 2012.

 O segundo navio, Aleksandr Nevsky foi programado para ser entregue à Frota do Pacífico em 2012 sendo incorporado este ano. Na programação, a Marinha russa finalmente aceitou a nova classe de SSBN Borei (Yuriy Dolgorukiy ) para o serviço em dezembro passado. Assim, parece que o recém-contratado Yuriy Dolgorukiy será o primeiro SSBN russo desde o fim da guerra fria. o segundo navio passa atualmente por testes no mar e é esperado para entrar em operação no próximo ano. Um terceiro navio da classe Borey iniciou os testes de mar neste mês.

A Rússia também prevê a incorporação de 10 submarinos nucleares de ataque da classe Yasen considerados os mais modernos e letais meios já desenvolvidos pela marinha russa. Em julho de 2006, o vice- residente da Comissão Militar-Industrial, Vladislav Putilin, afirmou que dois submarinos Yasen se juntariam à Marinha russa até 2015. Em 24 de julho de 2009, foi iniciada a construção do segundo submarino Yasen, o Kazan. Em 26 de julho o comando da Marinha russa anunciou que a partir de 2011, um submarino multipropósito seria entregue a cada ano, não necessariamente desta classe.  O lançamento do primeiro navio desta classe e o início dos testes no mar foi relatada em setembro de 2011. Em 09 de novembro de 2011 a Rússia assinou um contrato para construção de mais quatro submarinos adicionais classe Yasen para ser entregues a partir de 2016. 

Project 955

Com entregas previstas para ocorrem em 2012,13,14 e 15, os quatro navios da classe Borey também sofreram atrasos nos seus processos de recebimento, a razão, foram os testes mal sucedidos com os novos mísseis Bulava e Sneva. Porém, o programa segue agora em perfeita normalidade, outros atrasos não são mais esperados.

Project 885

Project 885

Após a contratação de mais 04 navios que seguem a esteira dos dois primeiros esperador para 2012 e 2015 a classe Yasen segue rumo à produção seriada após décadas de atrasos, congelamento e atualização do programa.

Project 677

Project 677

Dois navios do projeto Project 677 serão incorporados no prazo, conforme as datas em 2014 e 2015.

Project 636

Project 636

O mesmo se reflete nos três submarinos diesel elétricos Project 636 que serão incorporados em, 2013, 2014 e 2014 respectivamente.

Na sequência do sucesso dos submarinos da classe Kilo, a Marinha Russa ordenou pelo menos mais três navios de uma nova classe melhorada da classe Kilo submarinos . O primeiro, chamado Novorossiysk, foi entregue em agosto de 2010 no Estaleiro Admiralty.
Na esteira dos diesel elétricos, em 18 maio de 2013, o então comandante  da Marinha russa Almirante Viktor Chirkov anunciou que a Marinha russa iria receber o primeiro sistema de propulsão independente de ar para o submarino Project 677 da classe Lada que entraria em operação entre 2016-2017.Ele afirmou que o projeto da Central Bureau Rubin agora atua no sistema de propulsão que está prevista para 2015-2016, mas os primeiros três submarinos da classe Lada terão a  propulsão clássica diesel-elétrica. 

Embarcações anfíbias

Project 11711

Project 11711

Com entrega segundo o previsto em 2013 um novo navio anfíbio da classe Ivan Gren foi encomendado, outras encomendas dependerão da disponibilidade

dos estaleiros que encontram-se  saturados devido a produção atual de navios de maior valor estratégico.

O primeiro de um número desconhecido de navios de desembarque da classe  Ivan Gren foi entregue em 2004 e foi lançado ao mar em maio de 2012. O navio foi entregue à Marinha em 2013. Em 2010, foi anunciado que havia começada a construção de um segundo navio da classe. 

Navios de assalto anfíbio 

Mistral

Atualmente no centro de uma disputa diplomática os dois navios Vladvostok  e Sevastopol da Marinha Russa encontram-se em teste de mar e em montagem final respectivamente.

As autoridades russas têm vindo a negociar a compra de quatro navios da classe Mistral -classe. Em 24 de maio de 2010, o ministro da Defesa russo disse que a Rússia estava em discussões de pré-contrato com a Espanha, os Países Baixos e a França para a compra de quatro navios do tipo LHD. Foi planejado para ter um navio construído no exterior, dois com a participação de construtores navais russos, e pelo menos um construído na Rússia. O ministro disse ainda que os primeiros navios deste tipo seriam baseados nas frotas do Norte e do Pacífico.  

Em 24 de dezembro de 2010, o presidente russo Dmitriy Medvedev anunciou que o modelo Francês seria o vencedor de um concurso para construção de quatro navios Mistral para Rússia. Porém, na Rússia há a controvérsia com os argumentos de que os navios não são necessários, que construtores de navios russos poderiam ter construído uma embarcação semelhante e que os navios sejam demasiado caros para a Rússia.

Em janeiro de 2013, o vice-primeiro-ministro russo para a Indústria de Defesa, Dmitriy Rogozin criticou a  compra dos LHD. Os contratos foram assinados em 2011 e igualmente criticados pelo primeiro vice-chefe da Comissão Militar-Industrial Ivan Kharchenko , que culpou o ex- ministro da Defesa, Anatoliy Serdyukov alegando que os navios não servem para operar em condições adversas do clima polar russo, a declaração foi feita por Rogozin na assembléia geral da Academia de Ciências Militares, em 26 de janeiro de 2013. 

Em 18 maio de 2013, foi anunciado que o segundo porta-helicópteros da classe Mistral seria nomeado Sevastopol e juntar-se-ia a Rússia Frota do Mar Negro em 2017. Especulou-se que ele seria baseado no Novorossiysk, na base naval de  Spetsstroy. Outras fontes informaram que ambos os dois primeiros navios Vladivostok e Sevastopol seriam deslocados para a Frota do Pacífico em 2014 e 2015, respectivamente, após a sua conclusão, na França. Porém o Sevastopol foi destacado para compor a frota do Negro cuja base naval será Sevastopol recentemente incorporada à Rússia.

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