Defesa & Geopolítica

Vietnã reforça laços militares com EUA

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Secretário de Estado dos EUA John Kerry (à direita) e o vietnamita Vice-Primeiro Ministro e Ministro dos Negócios Estrangeiros Pham Binh Minh (à esquerda) no Departamento de Estado em Washington no dia 02 de Outubro.

A administração norte-americana anunciou o cancelamento do embargo ao fornecimento de armas ao Vietnã. Hanói tenciona comprar armas aos EUA, anunciou o vice-premiê, ministro das Relações Exteriores vietnamita, Pham Binh Minh, realçando que a China não deverá se preocupar muito com isso por não se tratar de uma aliança político-militar.

O referido embargo vigorara há já 40 anos, apesar de as partes serem parceiros econômicos reais.

O alto responsável da Casa Branca informara que Washington tinha planos de abolir a proibição sobre o fornecimento de armas ao Vietnã para “ajudá-lo na disputa territorial com a China no mar da China Meridional”. Em primeiro lugar, os EUA planejam vender aviões de reconhecimento P-3 Orion, capazes de efetuar monitoramento de submarinos e navios chineses.

Tal intenção foi tornada pública propositadamente, considera o politólogo, Andrei Sidorov:

“A disponibilidade de comprar armas norte-americanas é um grande lance diplomático, ilustrando quem é um parceiro real em que se poderá confiar no caso de agravamento da tensão nas relações com a China. A China tem sido vulnerável às ações empreendidas por países vizinhos no sentido de estreitarem relações com os EUA, criando assim um perímetro de contenção de ambições chinesas. O processo se iniciou há mais de um ano, embora a China tenha sido “um parceiro importante dos EUA”. Os norte-americanos enviaram para a Singapura umas lanchas de guarda costeira e criaram uma base de fuzileiros navais na Austrália”.

O desejo do Vietnã de reforçar suas posições no mar à custa dos EUA é compreensível. Hanói está conduzindo uma política versátil, escolhendo parceiros e aliados a seu “bel-prazer”, partindo de compromissos concretos. Ao mesmo tempo, isso constitui uma parte integrante de um grande jogo político que se realiza naquela região, sustenta Dmitri Mosyakov, do Instituto de Estudos Orientais:

“Está sendo travado um jogo político intenso à volta do mar da China Meridional e do mar da China Oriental. A situação se mantém complicada visto que qualquer declaração é capaz de adquirir novos contornos e um determinado significado interno. Como se fosse um sinal de aviso numa prolongada jogada político-militar”.

Não se deve sobrestimar o papel de Washington e Hanói na esfera militar, considera o vice-secretário de Estado dos EUA, Daniel Russell, responsável pela vertente asiática do Pacífico. “Não creio que o Vietnã esteja pronto a trocar suas relações de longa data com a China, assinaladas, às vezes, por duros conflitos, por “relações exclusivas” com os EUA”, disse.

Enquanto isso, Washington, aproveitando as controvérsias entre Pequim e Hanói, está jogando sua partida, visando o reforço da sua presença na região. Não é por acaso que após o agudizar da disputa territorial entre a China e o Vietnã por causa da plataforma de perfuração chinesa no mar da China Meridional, os militares dos EUA declararam que os navios dos EUA irão visitar frequentemente os portos vietnamitas. Claro que o possível levantamento do embargo não é um gesto de boa vontade da parte de Washington. É, antes, um modo de consolidar a “alavanca vietnamita” para fazer frente à influência da China nessa região.

 Fonte: Voz da Rússia

 

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