Defesa & Geopolítica

Estado Islâmico recebe ‘cinco milhões de dólares por dia’ das vendas de petróleo

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Os terroristas do Estado Islâmico sofreram pesadas baixas durante as últimas semanas e já não conseguem prosseguir com a ofensiva, mas continuam a manter em seu poder uma série de territórios do Iraque e da Síria.

Esse tema foi abordado pelo secretário-geral do Partido Comunista Iraquiano Hamid Majid Mousa, em uma entrevista telefônica exclusiva à Voz da Rússia a partir de Bagdá. Segundo a análise do dirigente do maior e mais antigo (fundado em 1934) partido comunista do Oriente Médio, “os combatentes do Estado Islâmico continuam obtendo pelo menos 5 milhões de dólares por dia de rendimento de vendas do petróleo”.

– Senhor secretário-geral, diga-nos, por favor, se o Iraque sente algum resultado positivo da primeira fase do combate da coalizão internacional contra o Estado Islâmico?

– Nos últimos dias, graças aos ataques aéreos da coalizão e às ações do exército iraquiano, assim como à participação dos peshmergas curdos e de outros destacamentos militares, foi possível travar o avanço dos extremistas do Estado Islâmico. Foi realizada com sucesso uma série de operações no norte do Iraque.

Esse êxito terá de ser consolidado. O principal nesse combate é ter o suporte das forças locais. É preciso reformar o exército e melhorar o funcionamento do governo iraquiano. Nas regiões controladas pelo Estado Islâmico é preciso trabalhar ativamente com as populações e organizar a resistência local.

Também será impossível passar sem o apoio de outros países: ele inclui os ataques aéreos, o apoio logístico, a troca de informações e o fornecimento de armamento ao exército iraquiano. O armamento recebido há pouco tempo da Rússia deu uma grande ajuda às forças armadas iraquianas no combate ao terrorismo.

– Neste momento alguns falam sobre a possibilidade de ser realizada uma operação terrestre dos EUA e seus aliados. Pensa que essa possibilidade é aceitável?

– Hoje tudo depende da seriedade das intenções do novo governo iraquiano. O principal é se o novo governo conseguirá mobilizar as forças iraquianas. As forças armadas iraquianas são bastante grandes. Muitos soldados, oficiais e generais têm experiência de combate.

Contudo, é preciso criar um clima político estável. A luta entre grupos religiosos desgastou o Iraque. Isso tem de acabar. É preciso assegurar uma reconciliação nacional. Se o governo conseguir fazê-lo, o Iraque não irá precisar de uma ofensiva terrestre estrangeira.

– É verdade que os combatentes do Estado Islâmico obtêm diariamente cerca de um milhão de dólares de receitas da venda de petróleo dos poços que controlam?

– Isso é verdade. Só que é muito mais que um milhão de dólares. O Estado Islâmico obtém provavelmente na ordem dos cinco milhões de dólares por dia pela venda do petróleo. Pelo menos. Eles agora controlam campos petrolíferos que, em conjunto, podem produzir esse tipo de receita. Mesmo se considerarmos que eles vendem petróleo de contrabando a preços de pechincha.

Além disso, o Estado Islâmico obteve anteriormente uma grande ajuda financeira por parte da Turquia e de uma série de países árabes do Golfo Pérsico, como a Arábia Saudita. Isso foi feito sob pretexto de armar os destacamentos que se opunham ao governo de Assad na Síria.

Esse apoio externo acabou por permitir ao Estado Islâmico criar suas próprias estruturas e mesmo estabelecer um sistema de recolha de impostos nos territórios ocupados. O Estado Islâmico, ainda antes de ter ocupado Mossul, durante muitos meses esteve recolhendo tributo de comerciantes, empreiteiros e empresários. No valor de cerca de 15 milhões de dólares.

– Na sua opinião, o que é preciso fazer no Iraque?

– É preciso acabar com as disputas religiosas. Os conflitos religiosos matam iraquianos. Em primeiro lugar, é preciso criar um governo de reconciliação nacional. Para que ele seja um governo verdadeiramente nacional e patriótico. Ele deve garantir a igualdade de todos os iraquianos, independentemente de sua religião e sua origem.

Em segundo lugar, é necessário realizar reformas do exército e dos serviços secretos. A corrupção, a burocracia, os privilégios injustificados, tudo isso enfraquece o exército. O exército iraquiano não pode ser eficaz nessas condições. O exército está simplesmente se desfazendo.

Em terceiro, é necessário vencer a corrupção. A corrupção corrói o Estado.

– Como avalia o papel da Rússia nestes acontecimentos?

– O povo iraquiano está muito grato à Rússia por esta ter reagido muito depressa. A Rússia apoiou de forma muito rápida as forças armadas iraquianas, tendo fornecido armamento extremamente necessário.

Enquanto os EUA hesitavam e refletiam, a Rússia, a pedido do nosso governo, forneceu armamento ao Iraque. Isso incluiu helicópteros, blindados e armamento ligeiro. As armas russas foram muito úteis no combate ao Estado Islâmico. A Rússia tomou uma posição nobre.

 

Fonte: Voz da Rússia

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