Defesa & Geopolítica

A quem os EUA combatem no Oriente Médio?

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IGOR SILETSKY

Os combatentes do Estado Islâmico já estão perto de Bagdá. Nem o exército iraquiano nem os ataques da coalizão ocidental conseguem detê-los. Talvez isso aconteça porque os aviões dos aliados liderados pelos Estados Unidos bombardeiam essencialmente posições do Estado Islâmico em território sírio. Os peritos se convencem cada vez mais de que o verdadeiro objetivo de Washington não são os terroristas, mas Bashar al-Assad.

A campanha militar contra o Estado Islâmico custou aos EUA, até 24 de setembro, cerca de 900 milhões de dólares. As despesas do Pentágono foram calculadas pelo norte-americano Centro para Avaliação Estratégica e Orçamentária (CSBA). Segundo as informações dos analistas, no futuro os bombardeios de média intensidade com uma participação de cerca de 2 mil soldados de infantaria irão custar até 300 milhões de dólares mensais.

Primeiro, o presidente dos EUA, Barack Obama, prometeu que não haveria uma intervenção terrestre nos territórios ocupados pelo Estado Islâmico. Neste momento esse tipo de desenvolvimento dos acontecimentos já não é de excluir. Segundo os cálculos do CSBA, o envolvimento numa ofensiva terrestre de 25 mil soldados norte-americanos irá aumentar os custos do combate contra o Estado Islâmico até 2 bilhões de dólares por mês.

A eficácia da presente atuação do Ocidente contra o Estado Islâmico é duvidosa. Os ataques aéreos contra o território sírio não prejudicam tanto os extremistas, quanto destroem as infraestruturas do país, segundo o conselheiro do vice-presidente do Conselho da Federação da Rússia, Andrei Baklanov.

Essa decisão para a realização de uma operação militar em território de um país árabe soberano foi tomada por Barack Obama não apenas sem o acordo da ONU, mas sem qualquer pedido de autorização a Damasco. O que não é de estranhar – Washington já descartou completamente a diplomacia por não precisar dela. Mas já que a Casa Branca recomeçou sua “luta contra o terrorismo”, então que combatesse ao menos todos os radicais, diz o copresidente do Comitê Russo de Solidariedade com o Povo Sírio, Oleg Fomin:

“Esses ataques militares serão eficazes quando a política de duplos critérios deixar de ser usada: bombardeiam o Estado Islâmico, mas deixam de fora os outros grupos terroristas, nem os reconhecem como terroristas. Esses ataques só serão eficazes quando eles deixarem de fornecer armas aos combatentes extremistas.”

Tudo indica que a finalidade dos ataques aéreos na Síria é a mesma que os EUA perseguiram quando bombardeavam o Iraque e a Líbia. Ou seja, a derrubada do governo legítimo e a criação do caos, nas palavras do perito militar Vladimir Evseev:

“Eu não acredito na possibilidade de resolução deste problema exclusivamente através de raids aéreos. O que usam eles concretamente? Mísseis Tomahawk lançados a partir de navios, armas aéreas como mísseis e bombas e drones. Mas nós conhecemos a experiência do uso de drones no território do Afeganistão: mesmo quando havia uma informação suficientemente completa sobre os alvos, isso frequentemente acabava na morte de civis. Hoje também ninguém pode garantir que as baixas sejam insignificantes.

“Em segundo lugar, eu temo que ao iniciar alegadamente o combate contra os radicais, os EUA estejam realmente querendo derrubar o governo de Bashar al-Assad, e a lista de alvos irá se alargando gradualmente.”

Também a posição dúbia da Turquia preocupa o perito. No início, Ancara se abstinha de participar na operação. Agora a Turquia anuncia a necessidade de uma zona tampão em território sírio e desloca tropas para junto de suas fronteiras. Na opinião dos analistas, as ações dos EUA podem ser uma cobertura sob a qual a Turquia planeja passar diretamente à ação, podendo inclusive vir a anexar parte do território sírio.

Temos de referir que os próprios militares norte-americanos não estão muito entusiasmados com as perspectivas que Obama tem para eles. Segundo as pesquisas, 70% dos militares estão contra o uso de forças terrestres no combate aos militantes do Estado Islâmico. A maioria dos militares pensa que o exército dos Estados Unidos não obteve resultados com a anterior intervenção no Iraque.

Fonte: Diário da Rússia

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