Defesa & Geopolítica

Butorfanol era o motor das tropas ucranianas

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Butorfanol-espalhado (1)

Por: César Antônio Ferreira – “Ilya Ehrenburg”.

Os arredores da cidade de Ilovaiskaya, hoje, guardam, além do cemitério da outrora 51ª Brigada aeromóvel ucraniana, a história dos combatentes, além de um segredo de polichinelo: o uso indiscriminado de narcóticos pelos soldados enviados pelo governo de Kiev para punir os cidadãos de caráter seccionista da Bacia do Don. É um segredo de polichinelo, pois que é revelado pelas inúmeras ampolas, caixas e seringas, largadas ao léu pelo sítio onde se abrigava a 51ª Brigada aeromóvel.

Os restos do narcótico no local, espalhados em uma quantidade que toma conta de toda a vista, pertencem à droga opiácea Butorfanol, identificada nos pacotes. Conhecida como analgésico destinado ao uso veterinário, principalmente em felinos domésticos, o Butorfanol em humanos possui a característica de remover de forma artificial, sentimentos inibidores humanos, tal como o medo. Percebe-se, portanto, que o seu uso era extenso, como droga de apoio ao combate, e não como analgésico agregado ao suporte médico.

Não é uma novidade em forças combatentes, já na segunda grande guerra as tropas germânicas faziam uso amplo da metafetamina Pervitin. Da invasão da Polônia ao Vietnam, a história militar apresenta um casamento entre os combatentes e as drogas, usadas como estimulantes e repressoras do sono advindo do desgaste físico, ou com fim recreativo nos períodos de pausa, então com nítida função anti-estresse.

No entanto, o que se verifica nos descampados do entorno de Ilovaiskaya é a constatação da necessidade de uma muleta psicológica, por parte dos soldados ucranianos, para darem o devido combate aos seus inimigos novorrussos. Isto é revelador da ausência de um componente motivacional forte o bastante para levar os soldados ucranianos a enfrentarem a morte no front. Neste caso, o uso de uma droga, potente, capaz de suprimir sentimentos inibidores ganha importância primordial. Ademais, o butorfanol é tido como detentor de um efeito viciante menor do que a morfina, ainda que seja considerado mais potente. Também é apontado como uma droga de uso corrente entre os manifestantes do movimento “Euromaidam” (manifestação da Praça Maidan).

Observou-se, também, no sítio onde a 51ª Brigada Aeromóvel se abrigava, uma imensa quantidade de garrafas de bebida alcoólica, algumas delas ainda cheias. O álcool é um potencializador dos efeitos narcóticos do Butorfanol, apesar de ser por si um grande inibidor se sentimentos e sensações. Companheiro de inúmeros exércitos, o álcool quando visto e consumido de forma desregrada em uma formação combatente é um sinal claro de desagregação moral e colapso disciplinar.

Apesar do uso de narcóticos e estimulantes ser uma constante nos conflitos do globo, o seu uso, sabe-se hoje, não é produtivo, pois a constância degrada a capacidade física e psicológica do combatente. A sua indicação, pois, se volta para situações emergenciais, portanto, pontuais, tal como a necessidade de vigilância (supressão do sono). Além da decadência psicológica e física do combatente devido ao uso extenso e continuado das drogas, o soldado ganhará em virtude a dependência química, esta acompanhada dos transtornos mentais clássicos desta dependência, que acarretará quando do seu retorno à sociedade civil, graves problemas sociais, não só para o indivíduo, ex-combatente, como para todos os demais em seu entorno, familiares e amigos.

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