Defesa & Geopolítica

Zona de “Operação Anti – Terrorista”: Kiev perdeu a chance de uma Solução Militar do problema Novarrússia.

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Vladislav Shurgin.

Fonte: Voice Of Sebastopol

Tradução e adaptação: César Antônio Ferreira – “Ilya Ehrenburg”.

Os sucessos militares recentes, da parte da milícia do Donbass, acabaram por gerar um clima otimista entre os apoiadores da Novarrússia, naquilo que se refere às futuras perspectivas de combate. Muito além dos comandantes, o que se ouve, são planos anunciados para uma segunda fase de ataque, cujo escopo assombra ainda mais as chamadas metas de longo alcance. Portanto, o quanto é realista os planos ofensivos dos participantes das milicias federalistas, e se é possível contar com a continuação das atuais tendências positivas, no tocante ao equilíbrio de forças no front?

Estas questões foram abordadas para o especialista militar russo Vladislav Shurgin:

– É óbvio que neste momento ocorre uma grave mudança psicológica no estado das forças combatentes no Donbass. A “Junta de Kiev” quase esgotou todos os seus recursos, jogados no Donbass, com o objetivo de suprimir de imediato a insurreição. Esta ação de Kiev, de início, foi uma aventura, pois desde o começo do Nazi-Golpe, o Exército da Ucrânia demonstrava total incapacidade para o combate. A “Guarda Nacional”, formada às pressas, nunca exibiu capacidade combativa, tratava-se, pois, de uma primitiva força de coação policial, adequada a represálias contra a população civil, mas não para o combate regular. Na região do Donbass a “Guarda Nacional” enfrentou a milícia, que se tornava a cada dia mais bem armada, organizada e moralmente elevada. Como resultado, as tropas de “Kiev” começaram a sofrer perdas terríveis, para execução das suas missões nas áreas destinadas, com movimentos caóticos, bem como de deserções em massa.

As arremetidas resultaram na formação de uma série interminável de bolsões (cercos) no interior dos quais a maior parte do exército foi destruído, ou completamente desmoralizado. Assim, neste momento, a operação de Kiev no Donbass falhou completamente.

Nos próximos dias e semanas, a tarefa da Junta de Kiev será a de resgatar a situação na frente de combate para evitar a deserção em massa no seio do exército, porque parar será impossível. Não é uma coincidência que por estes dias o Ministério da Defesa Ucraniano anunciou a criação de um tipo análogo à SMERCH soviética – uma estrutura militar projetada especificamente para restaurar a ordem na retaguarda operacional. Além disso, a junta tenta fechar apressadamente as lacunas com recrutas xucros, recém convocados, quase sem formação e desmotivados. O quão ruim está a situação da mobilização dos recursos, é demonstrado no mais novo decreto de Poroshenko, que institui o recrutamento de estudantes de tempo integral, desprovidos de qualquer experiência militar. Desta maneira a situação operacional favorece a Novarrússia, que é literalmente abastecida “on the job”, por dezenas de equipamentos militares capturados, e centenas de novos voluntários, incluindo ex-soldados do exército ucraniano.

No médio prazo as posições militares da Novarrússia, também, estão favorecidas. A fim de poder restaurar o ímpeto ofensivo no leste da Ucrânia, a “Junta de Kiev” vai precisar de pelo menos três meses, ou o que é mais provável, todo o inverno, o que será uma carga difícil para a Ucrânia em termos econômicos e sociais. Mas, a Novarrússia não vai sentar-se no chão. Os seus recursos permitem trazer o tamanho do exército para perto de quarenta mil soldados e oficiais. Isto garante antecipadamente a falha de qualquer possível ofensiva de Kiev no futuro. Em primeiro lugar, pelo fato da junta poder usar o seu potencial de mobilização só em quantidades muito limitadas. De acordo com algumas estimativas, o potencial de mobilização da junta é de até um milhão e meio de pessoas. No melhor dos casos, mesmo com toda ajuda proporcionada pelo Ocidente, será um exército de até 120.000 soldados e oficiais. Mas, está será uma força nominal, pois na verdade será o resultado de uma terceira, quarta, e por assim adiante “ondas de mobilização”, cuja composição qualitativa será inexistente, ineficaz, pois devemos entender que cada uma dessas “ondas” de nova mobilização encherá o exército com material humano cada vez menos apropriado para o combate. Isso, podemos vê-lo, hoje. Vamos lembrar que o primeiro “Caldeirão Sul” (cerco) levou mais de um mês para chegar ao seu término, enquanto os cercos atuais veem o pedido de misericórdia ser solicitado após uma semana. Então, é seguro dizer o seguinte: hoje a “Junta de Kiev” já não tem a solução militar do problema da Novarrússia. E amanhã, não terá outras.

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