Defesa & Geopolítica

Sanções russas podem impulsionar exportações no Brasil

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Governo brasileiro já fala em “revolução” nas exportações de carne, milho e soja, e economistas avaliam que o Brasil tem condições de atender à nova demanda.

As restrições da Rússia à importação de alimentos e produtos provenientes de países que lhe impuseram sanções abrem portas para a expansão das exportações brasileiras para esse mercado. Logo após o anúncio, Moscou já demonstrou interesse pela carne produzida no Brasil.

Em Brasília, o secretário de política agrícola do Ministério da Agricultura, Seneri Paludo, disse que o embargo da Rússia abre “uma grande janela para o Brasil” entrar no mercado russo. “Do ponto de vista da política agrícola, é positivo”, declarou. Paludo acrescentou que a Rússia é um grande consumidor não somente de grãos, mas também de carnes.

Ele falou em “revolução” nas exportações brasileiras de carne, milho e soja. O secretário também avaliou que essa decisão pode ter efeito parecido com a entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2001, quando houve um “abalo sísmico” no mercado de commodities.

Para o economista Samy Dana, da Fundação Getúlio Vargas, as sanções russas podem de fato impulsionar as exportações brasileiras, além de ser uma chance de o Brasil ampliar a gama de produtos exportados para a Rússia.

“O Brasil tem que aproveitar essa oportunidade para ficar mais competitivo, porque as sanções não são para sempre. Então, além de ganhar competitividade, precisa aproveitar para ganhar o espaço, conseguindo ou diminuir preços – e como o Brasil geralmente exporta commodities, esse é o melhor caminho – ou diferenciar a qualidade, o que é mais difícil”, avalia Dana.

Nesta quinta-feira (07/08), o ministro russo da Agricultura, Nikolai Fyodorov, anunciou que a proibição das importações de carnes bovina e suína, aves, peixes, produtos derivados do leite, vegetais e frutas provenientes da União Europeia, dos Estados Unidos, do Canadá, da Austrália e da Noruega já está em vigor.

A medida é válida por um ano. A lista de produtos não deve ser aumentada, mas pode ser reduzida. Fyodorov declarou que, para suprir a demanda por carnes, a Rússia deve aumentar as compras do Brasil.

Segundo a agência de notícias russa Itar-Tass, autoridades do país afirmaram que conversarão com representantes de Equador, Brasil, Chile e Argentina para elevar as importações de alimentos desses países.

Oportunidade de mercado

Em 2013, o Brasil foi o segundo maior fornecedor de alimentos para a Rússia, movimentando um volume de 2,41 bilhões de dólares. O país só perdeu para a Bielorrússia, que vendeu 2,74 bilhões de dólares. Os produtos mais exportados são carnes bovina e suína, além de açúcar. Atualmente, o Brasil é o maior fornecedor de carne para o mercado russo, seguido por países da América Latina e Estados Unidos.

Os países europeus que mais serão afetados pelas sanções russas são a Alemanha, o quarto país que mais vende alimentos para a Rússia, e a Holanda, que está em nono lugar nessa lista.

Em 2013, os países da União Europeia exportaram para a Rússia cerca de 15,9 bilhões de dólares em alimentos. O mercado russo corresponde a 10% das exportações europeias, sendo frutas, queijos e carne suína os produtos agrícolas mais exportados.

Segundo o economista Newton Marques, da Universidade de Brasília (UnB), o Brasil tem condições de atender à demanda russa por alimentos. “Sempre que houve sanções a determinadas importações de determinados produtos, o Brasil rapidamente consegue se adaptar ao mercado e passa a ocupar parte ou, às vezes, toda a parte daquele país que exportava”, avalia.

Frango em alta

Uma oportunidade está em preencher o espaço deixado pelos Estados Unidos no fornecimento de frango para a Rússia. Carnes e aves são os produtos agrícolas mais exportados pelos americanos para os russos, que é o oitavo país na lista de exportação de alimentos para o mercado russo.

Segundo o vice-presidente de aves da Associação Brasileira de Proteína Animal (Abpa), Ricardo Santin, o setor está preparado para atender à demanda russa tanto em aves quanto em suínos. “Nós temos aqui, principalmente quando se fala em aves, uma elasticidade de produção que nos permite, num curto espaço de tempo, aumentar a produção para suprir situações emergenciais como essa sem prejudicar o mercado local ou outros destinos”, reforça Santin.

Produtores brasileiros estão em condições de enviar ao mercado russo 150 mil toneladas a mais de frango por ano, declarou o presidente da Abpa, Francisco Turra.

Entretanto, o mercado interno brasileiro pode ser prejudicado com essa euforia nas exportações, caso a produção não aumente o suficiente para suprir ambas as demandas. Samy Dana alerta que isso pode até mesmo levar a uma elevação nos preços dos alimentos, impulsionando assim a inflação.

Mas Marques tem uma opinião diferente. “Eu acredito que não é o momento de ter uma superexposição ao mercado externo e prejudicar o mercado interno. Existe uma complementaridade que permite conciliar exportações e mercado doméstico sem provocar pressões nos preços internos”, opina.

Fonte: DW.DE

Putin limitará as importações dos países que sancionarem a Rússia

A Rússia respondeu oficialmente nessa quarta-feira às sanções ocidentais com um decreto que ordena proibir ou limitar a importação dos países que tomaram medidas “contra pessoas jurídicas físicas” ou uniram-se a elas. Isso significa que a proibição pode afetar não somente a União Europeia e os Estados Unidos, mas outros países como a Suíça.

O presidente Vladimir Putin assinou o decreto correspondente, cujo primeiro ponto ordena proibir ou limitar “a entrada no território da Federação Russa de determinados produtos agropecuários, crus e alimentos” de países que impuseram sanções contra o país. No segundo, encarrega o Governo de determinar a lista dos tipos de produtos afetados, que poderá ser corrigida se ele julgar necessário “para o equilíbrio do mercado e para evitar que os preços subam aceleradamente”. A proibição ficará em vigor durante um ano, prazo que poderá ser modificado dependendo da situação.

O decreto de Putin é a primeira represália oficial às sanções feitas pelo Ocidente por conta da crise na Ucrânia. Tantos os Estados Unidos como a União Europeia consideram que a Rússia desestabiliza a situação no país vizinho apoiando os separatistas de Donetsk e Lugansk, para os quais, segundo afirma Washington, entregou armamento pesado.

O decreto de Putin é a primeira represália oficial às sanções feitas pelo Ocidente por conta da crise na Ucrânia. Tantos os Estados Unidos como a União Europeia consideram que a Rússia desestabiliza a situação no país vizinho apoiando os separatistas de Donetsk e Lugansk, para os quais, segundo afirma Washington, entregou armamento pesado.

Moscou, que não esconde sua simpatia pelos rebeldes ucranianos, nega que lhes passe armas e, sobretudo, que lhes entregou o lançador de mísseis ‘Buk’ com o qual os Estados Unidos acreditam que o avião malásio foi derrubado. Ainda não existem provas contundentes de quem na realidade disparou o míssil que causou a tragédia, mas o Ocidente está convencido de que foram os separatistas, por mais que estes neguem e que o Kremlin peça que sejam mostradas as fotos tiradas por satélites norte-americanos que provem o ocorrido.

Anteriormente ao decreto de Putin, a Rússia efetivamente já havia tomado certas medidas de represália, mas não era uma resposta estatal oficial e colocavam medidas sanitárias, como quando proibiram a importação de maçãs polacas ou de leite ucraniano. O alcance das novas proibições ficará claro somente depois do Governo elaborar a lista de produtos proibidos, o que se espera que ocorra nos próximos dias.

Fonte: El País

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