Defesa & Geopolítica

Rússia e China no Ártico

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A sexta Expedição Científica Internacional ao Ártico teve início no navio chinês Xue Long (Dragão de Neve). Cientistas da Rússia, China, França e Alemanha irão analisar os fenômenos meteorológicos na região do Ártico, estudar a composição geológica dos fundos marinhos e realizar estudos químicos dos mares desta região. Um dos objetivos principais da expedição é sublinhar a necessidade de uma cooperação internacional na investigação do Ártico.

Já em 2007 os aparelhos russos de grande profundidade Mir atingiram o fundo do oceano Glacial Ártico. No fundo, mesmo no ponto do Polo Norte geográfico, foi colocada a bandeira da Rússia. O fato de os investigadores russos, que atingiram pela primeira vez o fundo do oceano no Polo Norte, terem aí colocado a bandeira de seu país não tem nada de extraordinário. Mas os outros países do Ártico, a Dinamarca, a Noruega, o Canadá e os EUA, reagiram com um extremo nervosismo a esse acontecimento.

O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA Tom Casey se permitiu uma crítica muito dura, tendo esquecido por qualquer razão que os astronautas estadunidenses tinham colocado sua bandeira quando pisaram a Lua pela primeira vez. O Canadá, por seu lado, começou falando da necessidade de uma defesa militar dos seus territórios do Ártico.

Apesar de os cientistas dizerem que o Polo Norte é o melhor indicador das alterações climáticas globais e de outros processos geofísicos, a luta entre países pelo Ártico têm uma base nada científica. A navegação comercial e os recursos naturais são os dois trunfos principais do Ártico.

A viabilidade econômica da exploração da Rota Marítima do Norte já foi provada. É várias vezes mais barato transportar mercadorias entre a Europa e a Ásia através do oceano Glacial Ártico que passando pelo canal de Suez. Os custos logísticos resultam muito inferiores, apesar da necessidade de escolta dos navios de carga por quebra-gelos nucleares. Por isso, há muitos países interessados no aproveitamento dessas possibilidades, afirma o professor da Universidade Estatal de Moscou Serguei Dobrolyubov:

“A Rússia, a China e muitos outros países poderiam participar, em condições mutuamente vantajosas, no desenvolvimento das infraestruturas portuárias ao longo da Rota Marítima do Norte. Apesar de ela passar pela zona econômica exclusiva da Federação Russa, isso não é proveitoso apenas para a Rússia. A China, por exemplo, poderá usar esse caminho para transportar mercadorias para a Europa e para a costa atlântica da América.”

Quanto aos recursos naturais, segundo as análises dos peritos, o Ártico guarda dezenas de bilhões de toneladas de hidrocarbonetos e trilhões de metros cúbicos de condensado de gás. É verdade que a extração e o transporte dessas matérias-primas numa região de permafrost não é nada simples. Por diversas razões, nenhum país conseguirá fazê-lo sozinho, considera o perito do Primeiro Instituto Marítimo da Administração Marítima da China Shi Xue Fa.

“A China tem capacidade para investir. Mas a Rússia tem bastante mais experiência, tanto na área da investigação do Ártico, como na área da extração de hidrocarbonetos. Nós precisamos muito dessa experiência. Contudo, ninguém possui ainda tecnologias para realizar a extração do fundo marinho em condições do Ártico. Isso significa que o retorno dos investimentos nessa área será a muito longo prazo.”

Contudo, a exploração do Ártico será um dos acontecimentos mais importantes a influenciar as relações internacionais nas próximas décadas, afirma o perito chinês. Segundo o direito internacional, o Polo Norte e a região adjacente do oceano Glacial Ártico não pertencem a ninguém. Segundo a convenção da ONU, o Canadá, a Dinamarca, a Noruega, a Rússia e os EUA detêm os direitos sobre as 200 milhas das suas zonas econômicas exclusivas. Isso e mais 150 milhas para a plataforma continental, se se conseguir provar que o fundo marinho é uma continuação da área costeira.

É evidente que nem a Rússia, nem os outros países membros do Conselho do Ártico, irão abdicar da sua soberania sobre os territórios do Ártico. Nessas condições é importante acordar os interesses de todas as partes interessadas, e sobretudo dos oito países adjacentes ao Ártico que fazem parte do Conselho do Ártico: a Rússia, a Dinamarca, a Islândia, o Canadá, a Noruega, os EUA, a Finlândia e a Suécia. Essa é a única forma de evitar o aumento das divergências e de permitir o estudo conjunto das riquezas colossais do Ártico, consideram os peritos.

Fonte: Voz da Rússia

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