Defesa & Geopolítica

Exclusivo: em crise, estaleiro Eisa deve encerrar suas atividades

Posted by

Gustavo Ribeiro

O Estaleiro Ilha S.A. (Eisa), instalado na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio, pode fechar nos próximos dias. A informação foi revelada ao SRZD pela deputada federal Jandira Feghali nesta segunda-feira, 14. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro (Sindimetal-Rio), os trabalhadores foram colocados em férias coletivas há cerca dois meses e estão em licença remunerada, sem receber seus salários desde então. O Sidicato confirmou a possibilidade de encerramento das atividades do Eisa.

De acordo com a assessoria de imprensa do Sindimetal-Rio, cerca de 3 mil metalúrgicos podem ficar sem emprego. A data prometida pela empresa para quitar os vencimentos atrasados era esta segunda-feira, quando os trabalhadores voltariam ao serviço. Como a promessa não foi cumprida, os funcionários decidiram não retornar. Por volta das 10h50, carca de 200 pessoas se dirigiam para a Estrada do Galeão, onde realizarão um protesto próximo ao Aeroporto Internacional.

Estaleiro Eisa. Foto: Eisa

Jandira participou de uma reunião com a administração do estaleiro nesta manhã e foi informada que a empresa está em processo de venda. Já há interessados na compra, mas não foram revelados detalhes das negociações. “Eles falaram da dificuldade de pagamento dos armadeiros, dos problemas de gestão do estaleiro e da falta de recursos para o pagamento dos trabalhadores. O que vejo de pior nessa situação é que o Governo do Estado não saiba nada sobre essa crise. Como o governo não tem informação sobre o principal setor industrial do estado?”, questionou Jandira ao SRZD.

O estado possui cerca de 50 mil profissionais atuantes na indústria naval. Segundo a deputada, dez mil trabalhadores podem ser afetados indiretamente pelo fechamento do Eisa. Uma reunião no Sindicato Nacional da Indústria de Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval) nesta manhã discute as saídas que poderão ser tomadas para salvar os empregos em risco.

O estaleiro Eisa é propriedade do Grupo Synergy, um conglomerado nacional que atua no transporte aéreo, na exploração de petróleo, defesa e outros setores. Entre as empresas controladas pela organização, estão a Avianca, a Air Taxi Aéreo e os estaleiros Mauá e Eisa.

Até a publicação desta reportagem, o SRZD não tinha conseguido estabelecer contato com nenhum dirigente do Eisa.

Carta aberta do Sindimetal-Rio sobre a situação do estaleiro Eisa:

“Três mil trabalhadores do EISA podem ficar sem emprego

A apreensão dos trabalhadores do Estaleiro Eisa, na Ilha do Governador, toma a cada dia maiores contornos de realidade. A empresa passa por dificuldades. Neste momento, os cerca de 3.000 trabalhadores foram colocados em casa de férias coletivas dadas pelo Eisa e na data prevista para retorno – 30/06/2014 – receberam a informação de que a volta ao trabalho seria adiada para 14/07/2014, continuando de licença remunerada. O pátio da empresa, que hoje possui o maior número de encomendas do Brasil, está parado, o que deixa um futuro de incerteza para os funcionários e suas famílias.

O setor naval no Brasil, em geral, tem passado por um processo de soerguimento. Se durante os anos de 1990, o segmento praticamente fechou as portas e desempregou milhares de trabalhadores, agora já emprega mais de 70 mil pessoas em todo o Brasil. Em 2000, a indústria do petróleo representava cerca de 2% do PIB, e hoje chega a 12%, o que mostra a importância dessa indústria para o desenvolvimento do país e a geração de emprego. E o Rio de Janeiro, berço deste setor no país, tem tido papel destacado, gerando aqui a maior quantidade de empregos em relação aos outros estados.

Essa política, iniciada pelo governo federal em 2003, tem gerado milhares de empregos e garantido o sustento de muitas famílias, inclusive reaquecendo e fomentando, além da própria indústria naval, o setor de Navipeças.
Infelizmente, a má administração e a falta de visão de futuro dos empresários têm dificultado o desenvolvimento de condições ainda melhores para o setor naval. O grupo Sinergy, além do Eisa, também é dono dos estaleiros Mauá, em Niterói, do Eisa Alagoas (em construção), e também da empresa de aviação Avianca. Esse grupo tem ainda participação no Estaleiro Brasa (Niterói) e outros negócios. Portanto, essa situação também deixa em estado de alerta os trabalhadores desses outros estaleiros.

Atualmente, os trabalhadores do Eisa (Ilha) já vêm enfrentando o atraso de salários e outros direitos. No ano passado, mais de 400 foram demitidos e muitos ainda estão lutando na justiça, através do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro, para receber o que lhes é devido. Isto sem falar de práticas duvidosas, onde o estaleiro tem forçado demissões por justa causa no intuito de reduzir o que é dos trabalhadores.

Por isso, os metalúrgicos do Rio de Janeiro estão unidos para garantir a continuidade desses mais de três mil postos de trabalho no Eisa. Defendemos uma ampla articulação entre trabalhadores, empresários e governos para que seja encontrada uma solução que, em primeiro lugar, garanta todos os direitos dos funcionários; segundo, que a empresa continue funcionando para que os empregos sejam mantidos; terceiro, que possamos superar práticas arcaicas na relação capital e trabalho naquela planta industrial e que a indústria naval prospere e contribua com o continuo desenvolvimento do Brasil.

SINDIMETAL-RJ”

Fonte: SRZD

35 Comments

shared on wplocker.com