Defesa & Geopolítica

Ex-militares ligados a Chávez pedem a renúncia de Maduro

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Militares ligados a Chávez criticam Maduro e pedem sua renúncia

Para analistas, descontentamento é maior entre baixas patentes das Forças Armadas, mas não ameaça governo

O Globo

Karina Hermesindo

RIO — Depois de o ex-ministro do Planejamento, Jorge Giordani, ter sido exonerado do governo no mês passado e aproveitado para fazer duras críticas à política econômica de Nicolás Maduro, agora dois outros militares da reserva, Yoel Acosta Chirinos e Carlos Guyón, pedem a renúncia do presidente. Ligados ao ex-presidente Hugo Chávez, Acosta e Guyón participaram de uma tentativa fracassada de golpe em fevereiro de 1992, contra o ex-presidente Carlos Andrés Pérez.

— A renúncia de Maduro é inevitável. Mais tempo é um sacrifício inútil — afirmou Acosta, que convocou seus antigos companheiros das Forças Armadas “a assumir sua missão histórica de salvar a democracia”.

Trinta militares já foram presos desde o início do ano, acusados de conspiração. Mas para analistas, apesar da ofensiva contra militares e críticas ao governo, Maduro não corre risco algum de ser deposto e tampouco estaria cercado de inimigos. O cientista político e professor da Universidade Simon Bolivar Hernán Castillo diz que o quadro político na Venezuela é extremamente complicado após a autorização de militares para participar de atividades partidárias.

— O quadro militar atualmente é delicado, mas não chega a ameaçar Maduro e nem ao extremo de um golpe militar.

A presidente da Organização Controle Cidadão para a Segurança, Defesa e Forças Armadas Nacional, Rocio San Miguel, também assegura que o alto comando militar venezuelano está com Maduro:

— Não há militares na ativa manifestando ou criticando Maduro. Esses militares estão divulgando uma percepção de crítica política, mas não deve ser entendida como uma oposição porque não são da ativa, já estão fora do governo, reformados — afirma Rocio.

No seu entender, o problema fundamental da Venezuela hoje não é o descontentamento militar e sim a militarização do país.

— A dinâmica da análise é outra. Os militares estão cada vez mais controlando todo o poder na Venezuela, desde altos cargos públicos, ministérios com os maiores recursos econômicos e até institutos autônomos — opina.

Ela também chama a atenção para outros grupos de militares que estão surgindo e terão uma importância grande no futuro.

— Há militares com muito poder desde a morte de Chávez e devido à debilidade institucional de Maduro. Há uma simbiose entre eles que agora traz estabilidade e benefícios para os dois setores, mas teremos que ver como fica a médio prazo. Na próxima sexta-feira, em comemorações ao 5 de julho (festa nacional da Venezuela), haverá promoções de generais e militares. Vamos ver como fica.

MILITARES CUBANOS

Outro ponto crítico levantado por analistas é o fato de as Forças Armadas venezuelanas terem perdido o seu caráter profissional por completo.

— Para chegar a general ou almirante hoje, pouco importa o mérito e sim a filiação partidária, ser leal ao partido do governo — revela Castillo.

Segundo ele, desde a época de Chávez a situação já era delicada.

— Existem hoje na Venezuela mil generais. Antes do chavismo, eram 15.

Isso gera um descontentamento muito grande entre os militares de baixa patente, já que fica difícil para eles fazerem carreira. Outra preocupação é a presença dos militares cubanos. No governo Chávez, por exemplo, os militares podiam participar de atos vestidos de civis. Maduro insiste no uniforme, como fazem Raúl e Fidel Castro, em Cuba, afirma Acosta.

— Um grande mal se instalou entre os militares venezuelanos devido a presença dos cubanos, principalmente no serviço de inteligência, diz Castillo.

Rocio, no entando, minimiza a presença do cubanos.

— É claro que as Forças Armadas da Venezuela não querem nenhuma intervenção estrangeira, mas a participação cubana já foi maior. Agora está moderada e bem mais discreta.

Os militares cubanos se instalaram na Venezuela após o governo de Hugo Chávez assinar um convênio com Cuba de assistência médica chamado Bairro Adentro, uma espécie do Mais Médicos do governo Dilma.

Segundo Castillo não há dados de quantos cubanos vivem hoje na Venezuela.

— Dizem 30 mil a 120 mil. Porém, em qualquer caso o número é importante e eles estão atuando em todas as áreas, saúde, educação e inteligência militar — afirma.

Fonte: O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante ceremônia militar, em Caracas – LEO RAMIREZ/ AFP

Fonte: O Globo, Mundo, Página 36, Sexta-Feira, 04/07/2014

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