Defesa & Geopolítica

Exército iraquiano retoma áreas ocupadas por califado sunita

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Insurgentes do EIIL desfilam em um veículo transportador do míssil Scud que, segundo especialistas, pode ter sido abandonado por forças iraquianas

O Exército iraquiano expulsou, nas últimas horas, os últimos insurgentes sunitas do vilarejo-natal do falecido ditador Saddam Hussein, de acordo com a mídia estatal e a polícia iraquianas, como parte de uma campanha para retomar amplas áreas do norte e do oeste do país, ocupadas por extremistas islâmicos. O grupo dissidente da al Qaeda que lidera a insurgência anunciou na semana passada a formação de um califado islâmico de estilo medieval, que elimina as fronteiras do Iraque e da Síria, e ameaçou avançar rumo à capital iraquiana, Bagdá, para derrubar o governo central, ocupado por xiitas.

Em uma contra-ofensiva, as forças do governo e voluntários muçulmanos xiitas, apoiados por helicópteros de ataque, recapturaram o vilarejo de Awja na noite passada, segundo moradores locais. Fontes disseram às agências internacionais que três insurgentes foram mortos na batalha que durou cerca de uma hora e a principal unidade das forças dos rebeldes fugiu de Awja no sentido sul, pela margem leste do Rio Tigre. O Exército disse que agora controla o trecho de 50 km (30 milhas) da estrada principal que vai de norte da cidade de Samarra – localizada a 100 km ao norte de Bagdá – para Awja.

Califado armado

O grupo Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL), apesar da derrota em Awja, anunciou nesta sexta-feira que passou a ter à sua disposição um míssil balístico. Os guerrilheiros publicaram na Internet uma fotografia e um vídeo onde se vê como algo semelhante a um míssil R-300, conhecido também por Scud, atravessa uma praça da cidade síria de Raqqa.

Além disso, os guerrilheiros publicaram fotografias que mostram três morteiros norte-americanos M198. Os especialistas não duvidam de que os extremistas só conseguiram obter esse armamento no Iraque. O analista militar líbio Amin Hteit afirmou aos correspondentes que “a impetuosa ofensiva desencadeada pelo EIIL no Iraque permitiu-lhe apoderar-se de arsenais e equipamento militar iraquianos”.

– Além disso, o êxito desta ofensiva explica-se não tanto pelas grandes qualidades combatidas dos guerrilheiros, como pela traição de numerosos oficiais que prestaram serviço ainda na época de Saddam Hussein. A situação, porém, já está mudando. Os iraquianos começam gradualmente a reconquistar regiões ocupadas pelos extremistas. Por isso os insurgentes não podem esperar completar o seu parque de blindados até ao nível de constituírem uma séria ameaça. Quanto aos Scuds, o EIIL pode empregá-los tanto na Síria, como no Iraque, se for necessário. E isso constitui um certo perigo – disse.

A propósito, os combates continuam e a situação nas frentes é extremamente instável. Por isso os guerrilheiros ainda podem receber alguma quantidade de equipamento. O analista político russo Konstantin Sivkov afirmou à agência russa de notícias VdR:

– Admito que os guerrilheiros possam formar um parque de equipamentos blindados. Como é sabido, as forças armadas iraquianas têm à disposição grande quantidade de equipamentos norte-americanos. Ele exige uma manutenção atenta e cara, principalmente nas condições do deserto. Por isso, parte do equipamento blindado pode ser abandonada, por não funcionar, pelas tropas iraquianas que recuam. Seja como for, é evidente que o EIIL, nas últimas semanas, conseguiu completar substancialmente as suas reservas de armamentos. O exército iraquiano tem cada vez mais dificuldade em resistir ao poderio militar dos extremistas. Em ajuda dos iraquianos vem o exército governamental sírio que, nas regiões fronteiriças, desfere golpes contra grupos de guerrilheiros e de armamento.

Enquanto o exército iraquiano inicia uma resistência ao califado, adidos militares dos EUA também se preparam para atuar. Neste sentido, pode-se recordar os US$ 500 milhões que, vários dias atrás, o presidente dos EUA, Barack Obama, pediu urgentemente ao Congresso para liberar, como forma de subvenção aos guerrilheiros sírios moderados. No passado, como é sabido, a farta ajuda norte-americana aos supostamente guerrilheiros “moderados” foi rapidamente parar nos cofres dos extremistas.

Voos internacionais

As agências de inteligência dos EUA e da União Europeia, segundo especialistas em segurança internacional, aumentaram substancialmente as medidas de segurança nos aeroportos, temendo a ameaça representada por seus próprios cidadãos que voltam para casa a partir do Iraque e Síria. De acordo com relatórios recentes, o famoso químico terrorista islâmico, especializado na criação de “bombas invisíveis”, começou a colaborar com o grupo EIIL. Nos aeroportos internacionais dos EUA e da União Europeia foram reforçadas as medidas de segurança em conexão com informações sobre possíveis ataques terroristas planejados por membros desse grupo terrorista, escreve o The Guardian. Uma preocupação especial causou a informação segundo a qual um dos terroristas mais procurados, o químico Ibrahim Hassan al-Asiri, envolvido em uma tentativa de fazer explodir um avião que fazia a rota entre Amsterdã e Detroit em dezembro de 2009, começou a trabalhar com membros do Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

Al-Asiri, que já colaborou com a al-Qaeda e o grupo Frente al-Nusra, ramo sírio da al-Qaeda, ficou famoso por fabricar dispositivos explosivos engenhosos, que não podem ser detetados, segundo o jornal, usando métodos de inspeções existentes. De acordo com o jornal, os líderes do grupo terrorista pretendem usar como terroristas suicidas cidadãos recrutados nos Estados Unidos e da União Europeia, que, possuindo passaportes de seus países, são livres de viajar em aviões. A este respeito, as agências de segurança de aeroportos dos EUA e da Europa tomaram medidas urgentes para reforçar a proteção e o controle.

Por enquanto, as agências de inteligência dos Estados Unidos e da Europa não fizeram qualquer declaração relativamente a essas medidas específicas, nem se haverá uma nova lista de itens e substâncias proibidos de transportar a bordo.

Fonte: Correio do Brasil

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