Defesa & Geopolítica

“É necessário assinar o mais rápido possível o acordo de associação com a União Europeia” – Piotr Poroshenko

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O presidente da Ucrânia, Piotr Poroshenko, conta com a adesão do país à União Europeia, o acordo de associação é considerado como a perspectiva disso.

“É necessário assinar o mais rápido possível o acordo de associação com a União Europeia”, disse Poroshenko este sábado em Kiev durante a cerimônia de investidura.

“Consideramos a associação com a UE como uma perspectiva de adesão à UE”, acrescentou ele.

Segundo ele, logo que a União Europeia tomar uma decisão, ele estará pronto para assinar o documento imediatamente.

Poroshenko acrescentou que Kiev concluiu a primeira fase do plano quanto à liberalização do regime de vistos com a UE, agora, está na hora de completar o segundo passo que “permitirá aos cidadãos ucranianos viajar para a Europa sem vistos desde dia 01 de janeiro de 2015”.

Fonte: Voz da Rússia

A velha elite volta à direção da Ucrânia

O Maidan de Kiev, que levou a um golpe armado e a uma guerra civil sangrenta no Leste da Ucrânia, tinha objetivos nobres: lutar contra a corrupção e o poder dos oligarcas, aproximar o país dos padrões europeus, pôr o Estado sob o controle do povo.

Porém, como resultado, ao comando estão personagens bem conhecidos: multimilionários e políticos que já provaram a sua incompetência em longos anos de serviço público. Por isso, o mais provável é que seja inevitável um novo Maidan, uma nova revolução. Ela pode começar já no outono, quando, segundo os prognósticos de analistas, a Ucrânia se aproximar ao máximo do colapso econômico.

A ex-primeira-ministra Yulia Tymoshenko é um dos adeptos mais ferrenhos da exclusividade da nação ucraniana e da independência da Ucrânia. Tornou-se um dos símbolos da resistência ao “regime criminoso” de Viktor Yanukovich e, como foi anunciada, da revolução purificadora. Mas, numa análise atenta, este símbolo tem insuficiências substanciais, mesmo não obstante a aura de martírio formada pela passagem de Tymoshenko pela prisão. Em tempos, esta dama foi uma grande mulher de negócios e, depois, ganhou raízes sólidas na hierarquia do poder de Estado. E teve tempo de fazer estragos.

Por isso, no mínimo, não é justo afirmar que Yulia Tymoshenko é uma fresca lufada de democracia e de mudança do poder, o que foi repetido vezes sem fim na praça da Independência. Ela é carne e osso do sistema oligárquico formado na Ucrânia. A propósito, não foi por acaso que, após o seu regresso triunfal da cadeia e do aparecimento na praça da Independência numa cadeira de rodas, muitos não gostaram do fato de ela ter vindo num cortejo de automóveis estrangeiros caros. Isso parece uma insignificância, mas é bastante sintomático.

Arseni Yatsenyuk e Alexander Turchinov não são figuras menos odiosas, que, por razões estranhas, se tornaram os chefes da pseudo-revolução. Serguei Panteleev, analista político, assinalou que as novas autoridades de Kiev são, na realidade, as mesmas que eram antes:

“Yatsenyuk e Turchinov são pessoas que estão há muito no sistema de poder. Turchinov está diretamente ligado ao grupo de Yulia Tymoshenko e muitos consideram que ele esteve ligado à campanha eleitoral, porque os métodos de força que eles empregaram durante a preparação das eleições jogaram também a favor de Yulia Tymoshenko, que tentou afirmar-se com posições radicais, que, a propósito, não lhe ajudaram. No que diz respeito a Yatsenyuk, este foi lançado para o cargo de primeiro-ministro graças aos acontecimentos na praça da Independência. Porque é que os EUA apostaram neles? Porque eles são absolutamente controláveis”.

Arseni Yatsenyuk teve tempo de ocupar os cargos de ministro da Economia, Relações Exteriores e presidente da Rada Suprema, dedicou-se aos negócios, o que é próprio dos “heróis do Maidan”, trabalhou no Banco Nacional e no secretariado do presidente. Eis um estranho representante das amplas massas da população. Ele cooperou com partidos pró-europeus e nacionalistas, lutou ativamente com a “maldita” herança soviética”.

Ganhou várias alcunhas negativas, como, por exemplo, Coelho, no seu trabalho incansável em prol da Ucrânia.

Alexander Turchinov é também um velho apparatchik e braço direito de Yulia Tymoshenko no partido Pátria. Em diferentes anos, ele foi deputado do parlamento, dirigiu o Serviço de Segurança da Ucrânia, manteve ligações estreitas com Viktor Yuschenko, líder da “revolução laranja”, que terminou sem glória a sua carreira política.

Depois do golpe, no início do ano corrente, Turchinov tornou-se presidente interino do país, mas antes esteve envolto numa série de escândalos. Atribuem-lhe também uma participação ativa numa das igrejas não tradicionais. Alexander Guschin, analista político, considera que não se deu qualquer mudança na elite da Ucrânia:

“Não teve lugar qualquer mudança radical do processo político. Claro que Poroshenko, Turchinov e Yatsenyuk representam diferentes correntes, mas, quando da nomeação de novas pessoas para cargos fulcrais, eles serão determinados pelo nível do acordo entre Poroshenko e Yatsenyuk. Os meses mais própximos irão determinar o consenso que se formará se for conseguido entre os grupos fnanceiro-industrais”.

Desse modo, a energia de protesto do Maidan foi utilizada para os seus fins próximos por aqueles que, por definição, não podem ser considerados representantes do povo e lutadores pelos seus direitos. E a promessa dos dirigentes da chamada revolução à sociedade ucraniana de políticos novos, jovens e enérgicos, foi uma farsa banal e um engano. A velha elite, que já várias vezes errou, que levou o país ao caos, decidiu conservar o poder por tempo indefinido. Até um novo Maidan, sobre o qual se fala cada vez mais em Kiev.

Leia mais sobre Quem são novos dirigentes da Ucrânia?

 

Fonte: Voz da Rússia

 

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