Defesa & Geopolítica

Comemorações do Dia “D” podem ser chance para avanço na crise da Ucrânia

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Dirigentes de 20 países estarão na França para festividades pelos 70 anos do desembarque aliado na Normandia. Líderes ocidentais aproveitam ocasião para tentar aproximar Moscou e Kiev.

Em vários locais da região francesa da Normandia começaram nesta quinta-feira (05/06) as comemorações pelos 70 anos do Dia D. Ele marca o desembarque das Forças Aliadas nas praias locais, que permitiu a libertação da França dos ocupadores nazistas. E, diante da presença de uma série de líderes mundiais, pode representar uma chance ao avanço para a resolução da crise na Ucrânia.

O desembarque marítimo e aéreo nas praias normandas, em 6 de junho de 1944, foi a maior operação do gênero na história. Para as cerimônias desta sexta-feira, foram convidados chefes de Estado e governo de cerca de 20 países, assim como mil veteranos da guerra.

Ao lado de outros eventos de caráter nacional ou binacional, a solenidade central se realizará na praia de Ouistreham, reunindo os presidentes da França, François Hollande, e dos Estados Unidos, Barack Obama.

Oportunidade à diplomacia

Hollande urgiu os líderes mundiais que estarão presentes a aproveitarem a ocasião para reduzir as tensões em torno da crise na Ucrânia. Além de Obama, estão sendo esperados na Normandia os presidentes Vladimir Putin, da Rússia, e Petro Poroshenko, da Ucrânia; assim como os chefes de governo do Reino Unido, David Cameron, e da Alemanha, Angela Merkel.

Criticado em seu país por falta de iniciativa na crise da Ucrânia, o presidente francês tinha em sua agenda, nesta quinta-feira, um jantar de trabalho com Obama, devendo, em seguida, atravessar a capital para um encontro com Putin.

Esta é a primeira vez que o chefe do Kremlin se confronta com os principais líderes ocidentais, desde a controversa anexação, pela Rússia, da península da Crimeia, até então território ucraniano.

Segundo fontes diplomáticas, uma das metas de Hollande seria preparar o solo para uma reunião entre Putin e o recém-eleito Poroshenko, promovendo assim a quebra do gelo entre Moscou e Kiev. Em entrevistas à imprensa francesa, o presidente russo já se declarou aberto a encontros com seus homólogos ucraniano e americano.

Obama (e) e Hollande no encontro do G7 em Bruxelas

Alemanha deixa de ser tabu

Durante várias décadas, nenhum alto representante da Alemanha participava das comemorações do Dia D. Por duas vezes, o conservador Helmut Kohl, chanceler federal de 1982 a 1998, recusou o convite. Seu sucessor, o social-democrata Gerhard Schröder, foi o primeiro a quebrar o tabu, em 2004, nos 60 anos do desembarque. Dez anos mais tarde, é a vez de Merkel, democrata-cristã como Kohl, participar.

A rainha Elisabeth 2ª, do Reino Unido, chegou a Paris para uma estada de três dias, por ocasião das festividades. Seu sucessor, príncipe Charles, já se encontra na França, e visitou com sua esposa, Camilla, a Ponte Pegasus, nas cercanias de Bénouville, que foi tomada por paraquedistas britânicos no início dos combates do Dia D.

Além de numerosas cerimônias solenes e festivas com veteranos de todas as nações envolvidas na operação militar histórica, estão também programados eventos de apelo popular, nas quais paraquedistas pousam em diferentes locais da Normandia, e veículos anfíbios e tanques de combate históricos desfilam sobre as areias locais. A programação inclui, ainda, paradas de barcos e navios.

AV/dpa/rtr/afp

Fonte: DW.DE

Celebrações do Dia “D” começam na Normandia

Os presidentes da França, François Hollande, e dos EUA, Barack Obama, durante cerimônia em Colleville-sur-mer

Presidentes da França e dos Estados Unidos homenageiam vítimas da Segunda Guerra, em meio a encontros de líderes europeus com Vladimir Putin para tratar da crise na Ucrânia.

Com uma série de eventos em diversas localidades, começaram na Normandia nesta sexta-feira (06/06) as comemorações dos 70 anos do desembarque aliado nessa região no norte da França. Pela manhã, o presidente francês, François Hollande, depositou uma coroa de flores no memorial da cidade de Caen.

O evento inaugural, realizado sob céu azul, foi destinado a homenagear as vítimas civis francesas. Em seguida, o líder francês participou, juntamente com o presidente dos EUA, Barack Obama, de umacerimônia no cemitério americano de Coleville-sur-Mer.

Só no dia 6 de junho de 1944, cerca de 3 mil civis franceses foram mortos. Em torno de 20 mil civis perderam suas vidas durante as batalhas na costa norte francesa. “Estas belas paisagens que conhecemos hoje intactas foram, no entanto, palco da luta feroz e caótica da batalha da Normandia”, disse Hollande. “Aqui, 2 milhões de soldados entraram em confronto em meio a 1 milhão de civis, que foram aterrorizados por semanas.”

Após o evento oficial de abertura, foi agendado um grande almoço em Ouistreham, atendido por cerca de 20 chefes de Estado e governo, incluindo Obama, o presidente russo, Vladimir Putin, a chanceler federal alemã, Angela Merkel, e a rainha Elizabeth 2ª e o príncipe Charles.

A rainha e o príncipe Charles, ao lado do premiê David Cameron, estiveram também no cemitério de Bayeux, onde participaram de uma cerimônia em homenagem aos militares britânicos mortos na Segunda Guerra.

Putin é foco das atenções

A tensão entre o Ocidente e a Rússia devido à crise da Ucrânia faz com que a participação de Putin nos eventos comemorativos seja acompanhada por uma atenção especial. Até mesmo o recém-eleito presidente ucraniano, Petro Poroshenko, é esperado na Normandia.

Hollande recebe Putin para um jantar no Palácio do Eliseu

Antes do almoço, Merkel tem encontro agendado com Putin em Deauville, a 40 quilômetros do local das festividades. Segundo a líder alemã, o objetivo geral da conversa é discutir com Putin as propostas do G7 para solucionar a crise ucraniana.

O G7 fez quatro exigências à Rússia: reconhecer o resultado da eleição ucraniana que elegeu o bilionário Petro Poroshenko como presidente; cortar o apoio a separatistas no leste do país; retirar as tropas estacionadas na fronteira com a Ucrânia; e garantir o fornecimento de gás ao vizinho. O grupo disse estar pronto para intensificar as sanções e aumentar as restrições, se a situação exigir.

Na noite anterior, Putin se reuniu com Hollande e com o primeiro-ministro britânico, David Cameron, em Paris. Não é prevista uma reunião com Obama, mas o presidente americano não descartou um encontro. “Se tivermos oportunidade de conversar, transmitirei a mesma mensagem que tenho transmitido através dessa crise”, garantiu. “Veremos o que Putin fará nas próximas duas, três, quatro semanas”, disse, acrescentando que, se o presidente russo permanecer no seu curso, poderá haver novas sanções.

Encontro sem aperto de mãos

No primeiro encontro com um líder ocidental desde a anexação da Crimeia, o premiê Cameron transmitiu ao chefe do Kremlin, segundo uma porta-voz, “algumas mensagens muito claras e firmes”.

Elizabeth 2ª e príncipe Charles durante cerimônia em Bayeux

Cameron afirmou que não deixou dúvidas a Putin quanto às exigências do Ocidente sobre a Ucrânia. “A Rússia precisa reconhecer apropriadamente e cooperar com este novo presidente (ucraniano)”, afirmou o britânico. “Precisamos parar a travessia de fronteira de armas e pessoas”, acrescentou Cameron, de acordo com sua porta-voz.

Os dois líderes se reuniram durante cerca de uma hora num salão privado do aeroporto de Paris Charles de Gaulle. Não houve sequer aperto de mãos no início da reunião, segundo fontes russas.

Já Hollande apertou a mão de Putin ao recebê-lo à noite no Palácio do Eliseu, em Paris, para um jantar que durou cerca de 90 minutos.

MD/afp/dpa

Fonte: DW.DE

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