Defesa & Geopolítica

Aeroporto de Manas/Bishkek: A OTAN esteve no Quirguistão por treze anos

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Na luta contra o terrorismo, segundo os americanos, o principal é atingir o objetivo, não interessando a ninguém os meios empregues. Este é o princípio da presença dos militares ocidentais em território alheio.

Os militares da OTAN estiveram no Quirguistão treze anos. E, durante todos esses anos, os habitantes locais enfrentaram diretamente fatos que levam a propor que chegou a hora de falar da luta pela moralidade entre os próprios soldados da coligação ocidental.

Finalmente, a 3 de junho, a base área dos EUA foi fechada para sempre do Aeroporto de Manas, em Bishkek.

Quatro anos de prisão num campo de alta segurança. A essa pena foi condenada um gerente do Centro de Mercadorias em Trânsito (era esse o nome oficial da base militar dos EUA no Quirguistão). Ele incomodou uma jovem local e tentou obrigá-la a fazer serviços íntimos a troco de dinheiro.

Quando os polícias locais o tentaram chamar à razão, ele começou a insultá-los e, depois, provocou confrontos físicos. Um tribunal de Bishkek condenou o americano a uma pena de prisão. Mas, durante todos os treze anos de permanência no Quirguistão, esse foi o único caso em que um funcionário da base aérea foi castigado. Porém, os fatos de comportamento amoral dos militares americanos são em número superior a dez.

A impunidade dos militares americanos é explicada, em grande parte, pelo fato de eles não estarem sob a alçada da justiça local. Eles gozavam de imunidade diplomática. E as autoridades quirguizes tinham de apelar à justiça americana quando era preciso chamar à responsabilidade os infratores. Mas ela ficou surda e cega mesmo quando o soldado Zachary Hatfield matou a tiro o condutor do camião-cisterna Alexander Ivanov. O culpado do incidente foi simplesmente enviado para casa.

Continua por saber se o governo dos EUA irá compensar pelos prejuízos causados à ecologia do Quirguistão. Mas, tendo em conta que os aviões da FA americana lançavam impunemente combustível sobre o território do Quirguistão desde o início da sua presença, não se deve esperar por isso. Toktaym Umetalieva, conhecida defensora dos direitos humanos no Quirguistão, fala das sérias consequências da atitude porca para com a ecologia do país.

“Entre a população que vive perto da base aérea de Manas foi fixado um aumento de doenças oncológicas, um aumento da mortalidade e dos abortos entre as mães. Foi registrada uma diminuição da produtividade agrícola. Os americanos lançavam regularmente combustível a baixa altura. Mas deviam fazer isso a uma altura de 6,5 mil metros”.

Mais um traço da passagem americana pelo Quirguistão: a política de duplos padrões. Os representantes da administração americana falam da supremacia dos valores democráticos, mas, ao mesmo tempo, fazem de conta não ver os funcionários corruptos locais, cujos bolsos se encheram à custa de subsídios dos EUA. O dinheiro era transferido para a aquisição de combustível para a FA dos EUA, mas o Pentágono sabia perfeitamente que parte dele, através de esquemas ilegais, ia parar a contas offshore. Em geral, no Pentágono, semelhantes ações não merecem atenção: os interesses da América estão acima de tudo.

A base militar dos EUA, no Aeroporto Internacional Manas, na capital quirguiz, foi criada em 2001 no quadro da realização da operação antiterrorista no Afeganistão Liberdade Duradoura. Porém, durante todos os anos da sua existência, no Quirguistão convenceram-se de que a liberdade existia apenas para os militares da OTAN. Mas esta lição mostrou ser útil para o Quirguistão, pois agora todos compreenderam o que significa “liberdade à americana”.

 

Fonte: Voz da Rússia

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