Defesa & Geopolítica

Moscou responderá ao aumento de forças da OTAN perto de suas fronteiras

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Russia

A Rússia não irá assistir impassível ao aumento das forças militares da OTAN na Europa Central e Oriental. Ela irá reagir imediatamente em caso de a OTAN assumir esse passo de forma unilateral. Esse aviso foi avançado em Bruxelas pelo representante permanente da Rússia na OTAN, Alexander Glushko.

Esta é sua reação à conferência de dois dias (4 e 5 de junho) dos ministros de defesa da Aliança em Bruxelas. Os diplomatas de carreira, como Alexander Glushko, raramente prestam declarações que não sejam previamente sancionadas pelos mais altos dirigentes do país.

O diplomata russo nem sequer excluiu a possibilidade de saída de Moscou do Ato Fundador OTAN-Rússia. Esse documento foi assinado em 1997. Nele se constatava que a Federação Russa e a OTAN já não se viam como adversários e se regulava todo o âmbito das relações militares.

Glushko recordou que a Rússia não aumentou sua presença militar na região e que cumpre rigorosamente suas obrigações internacionais, incluindo as militares. “A OTAN deve entender que ao trilhar esse caminho dificilmente poderá contar com uma “resposta contida” no estacionamento de forças por parte da Rússia, tal como prevê o Ato Fundador. Mas a escolha não é nossa”, avisou o chefe da missão russa junto da Aliança Atlântica.

Na reunião de Bruxelas são discutidas as “novas ameaças à segurança da OTAN” relacionadas com os acontecimentos na Ucrânia. Na véspera da conferência da OTAN o presidente dos EUA Barack Obama declarou que iria desbloquear um bilhão de dólares adicionais para o reforço da presença militar norte-americana na Europa.

O secretário-geral da OTAN Anders Fogh Rasmussen delineou na generalidade, depois do primeiro dia de reuniões, os acordos entre os ministros dos 28 países desse bloco militar:

“Nós acordámos a continuação do reforço da defesa coletiva da OTAN e a introdução de patrulhamentos adicionais do espaço aéreo e marítimo. Nós acordámos o alargamento dos programas de treinamento e preparação das tropas.”

Isso abrange uma maior presença das marinhas da OTAN no mar Negro e no Báltico. Os responsáveis pelos Ministérios da Defesa do bloco acordaram igualmente o desenvolvimento de novas medidas para o aumento da presença permanente da Aliança, incluindo uma possível criação de novas bases militares. Um pacote de medidas mais concretas para um reforço militar será aprovado na cúpula de setembro da OTAN a realizar no País de Gales.

Até uma grande parte de peritos norte-americanos consideram que a OTAN está usando a situação na Ucrânia para se desenvolver e obter um aumento das despesas militares dos países membros do bloco. Elas estão muito longe dos compromissos assumidos há dez anos de aumentar os orçamentos militares em 2% ao ano.

Todos esses exercícios da OTAN estão sendo associados artificialmente à crise na Ucrânia, diz o antigo vice-secretário do Tesouro da Administração Reagan e presidente do Instituto de Economia Política, Paul Craig Roberts. A “rotação das crises” em diferentes regiões é necessária aos Estados Unidos para que não desapareça o pretexto para os investimentos no gigantesco complexo de segurança e de poderio militar da OTAN e do Pentágono.

Isso se assemelha à manobra de um charlatão que infesta a cidade de percevejos para vender inseticidas aos habitantes. Washington primeiro “infestou” Kiev de protestos, depois financiou o golpe de Estado, colocou esta camarilha no poder e agora colhe os benefícios dos apelos que lhe são dirigidos para “salvar a Europa Oriental”. Esse reinício de uma guerra fria é extremamente perigoso. Isso irá fazer desmoronar todo o sistema de estabilidade dos últimos 30 anos, considera Roberts:

“O objetivo inicial da OTAN era a segurança da Europa contra uma invasão da URSS. Mas com o desmembramento da URSS essa ameaça desapareceu e a organização deveria ter sido extinta. Em vez disso, Washington ficou à mercê da influência de uma ideologia neoconservadora, que afirmava ter a queda da URSS dado aos EUA o direito à hegemonia mundial. A OTAN foi transformada na sua ferramenta principal. Por isso, no século XXI, nós vemos a OTAN fazendo a guerra no Afeganistão e derrubando o governo na Líbia. Vemos a OTAN aglutinando antigas parcelas da União Soviética ou se preparando para o fazer. Estou falando da Ucrânia e da Geórgia.”

A Rússia realiza, de 27 de maio a 5 de junho, exercícios planejados da sua Região Militar Ocidental. Ela faz fronteira com os países bálticos e a Polônia. Entre outras, neles participa uma unidade de mísseis equipada com o sistema tático de mísseis Iskander-M e a aviação de longo alcance. A Rússia considera o equipamento das suas forças com o novo sistema Iskander-M, com meios de combate contra a defesa antimíssil (DAM) como uma resposta equivalente à possível instalação da DAM norte-americana na Europa.


Fonte: Voz da Rússia

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