Defesa & Geopolítica

Diplomacia russa está preocupada com eventual ajuda dos EUA à oposição síria

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Mais cedo, os meios de comunicação norte-americanos, citando fontes do governo dos EUA, haviam informado que o presidente Barack Obama estava prestes a aprovar um novo programa de treinos para rebeldes da oposição síria moderada, a fim de combater as forças do governo e os grupos associados à Al-Qaeda.

“Estamos preocupados com a informação de que entre as medidas anunciadas podem constar as como a assistência militar à oposição, o treinamento de militantes do exército sírio e a disposição dos EUA para remover objeções relativas ao fornecimento de sistemas móveis de mísseis antiaéreos para a oposição”, especificou Lavrov.

Enquanto isso, o titular da pasta do Exterior russo destacou a necessidade de não pôr o carro à frente dos bois e esperar que os EUA façam declarações específicas sobre os seus futuros planos na Síria.

Fonte: Voz da Rússia

Haftar: Novo líder nacional da Líbia ou um projeto norte-americano?

 

Homens não identificados balearam a casa do novo primeiro-ministro da Líbia, Ahmed Maiteeq, em Trípoli. “Teve lugar um ataque com foguetes e armas de pequeno porte,” disse um dos assistentes do chefe do gabinete de ministros sob condição de anonimato. No momento do ataque Maiteeq e a sua família estavam em casa, mas não foram feridos.

Poucos dias atrás, o Congresso Geral Nacional da Líbia aprovou um voto de confiança no governo de Maiteeq. A resposta a isso foi imediata. O general aposentado Khalifa Haftar, que começou há mais de uma semana uma operação militar contra grupos de islamistas radicais, recusou-se a reconhecer o novo gabinete.

“O premiê Maiteeq deve sair porque ele não conseguirá devolver a estabilidade ao país e não possui a legitimidade para fazer esse trabalho”, disse Haftar.

Muitos observadores sugerem que uma tal reação do general líbio irá agravar ainda mais a situação no país. Pelo menos, é dificilmente uma coincidência que o ataque à casa do premiê ocorreu passadas apenas poucas horas depois da declaração de Haftar. Em seguida, provavelmente, há que esperar confrontos armados entre forças leais ao general e islamistas. A propósito, esses últimos trouxeram reforços a Tripoli a pedido do chefe do parlamento interino da Líbia Nouri Abusahmain.

No entanto, o analista político líbio Ismail al-Mheishi tem uma opinião diferente:

“Haftar não tem uma força para o apoiar. Mas por enquanto ele se mantêm com a imagem de lutador contra o terrorismo. Obviamente, na Líbia essa causa encontra um apoio bastante grande. Todos sabem perfeitamente que grande influência têm os extremistas no país e que perigo eles são para a região. Mas o problema é que declarações só não bastam para construir a luta contra o terrorismo. Aqui é necessário tomar uma série de medidas. E não só na área da segurança, mas também em áreas como, por exemplo, a educação, a saúde e várias outras”.

No entanto, cada vez mais representantes do governo vêm declarando seu apoio a Haftar. Passaram para seu lado estruturas inteiras do governo, inclusive armadas, bem como vários políticos.

Ao mesmo tempo, não seria bem correto considerar a situação atual na Líbia apenas como um confronto entre islamistas radicais e forças seculares representadas pelos militares, acredita o orientalista russo Semen Bagdasarov. Segundo ele, para compreender a natureza dos atuais acontecimentos, é necessário olhar para trás:

“Durante a guerra da Líbia com o Chade, Haftar foi capturado. Depois, ele viveu durante muito tempo nos Estados Unidos. Como é fácil imaginar, um eminente comandante do exército líbio, muito provavelmente, chamou a atenção de serviços de inteligência dos EUA. Quando em 2011 à Líbia veio a chamada Primavera Árabe, Haftar se fez ouvir. Mas na altura a sua voz era bem fraca. Os norte-americanos precisavam de forças mais radicais e agressivas, que se formaram de grupos islamistas que foram trazidos para a Líbia de todo o mundo. Na altura, esses militantes desempenharam um papel decisivo na derrubada de Muammar Kadhafi. Mas o desenvolvimento da situação que se seguiu parece não ter agradado aos EUA. O separatismo está prosperando no país. Um dos resultados disso foi uma tentativa de Cyrenaica de exportar uma carga de petróleo num petroleiro sob a bandeira da Coreia do Norte, o que aparentemente foi a última gota para os EUA. Os norte-americanos devem se ter perguntado: ora por quê então nós lutamos? Foi depois disso que surgiu a ideia de encontrar alguém conhecido nos círculos militares, destruír os islamistas com a sua ajuda e restaurar a ordem – mesmo que seja de padrão ditatorial”.

O Departamento de Estado refuta alegações de laços com o general líbio e limita-se a repetir os apelos de costume a pôr fim à violência. A respectiva declaração foi feita há alguns dias pela porta-voz oficial da diplomacia norte-americana Jen Psaki. Se os norte-americanos fossem contra as ações de Haftar, a sua retórica teria sido muito mais agressiva.

Curiosamente, o vizinho Egito foi muito reservado na sua reação aos acontecimentos na Líbia. Parecia que Haftar, que declarou como seu objetivo a destruição da Irmandade Muçulmana, deveria ter encontrado apoio no Cairo. Mas la apenas apelaram a por fim à violência.

Assim, a versão de que por trás de Haftar estão os norte-americanos pelo menos têm direito de existir. Se assim for, a questão principal é se os Estados Unidos conseguirão, com o tempo, manter o controle do general líbio em suas mãos? Ou será que na Líbia está começando seu caminho um novo Abdel Fattah al-Sisi?

 

Fonte: Voz da Rússia

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