Defesa & Geopolítica

Quem colherá os frutos da revolução ucraniana?

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A revolução na Ucrânia não terminou, entrou numa nova fase. O país está no limiar da falência, os “falcões” ocidentais sentem-se senhores absolutos da situação. Porém, já se podem tirar conclusões intermédias do derrube do poder legítimo e da realização do chamado projeto de associação da Ucrânia e da Europa.

O que começou sob a forma de luta contra a corrupção e do contato com os valores europeus, transformou-se no risco de desaparecimento da Ucrânia nas suas fronteiras atuais do mapa político do mundo. Os estrategistas ocidentais, possuídos pela ideia do afastamento definitivo do país em relação ao vizinho oriental, da criação em torno da Rússia de uma zona de instabilidade, fizeram muitos esforços para realizar os seus planos. Foram gastos nisso, no mínimo, 5 bilhões de dólares, como reconheceu Victoria Nuland, conselheira do Secretário de Estado dos EUA.

É verdade que a isso se chamou investimentos no desenvolvimento da democracia. E a democracia chegou: nas próximas eleições do presidente, marcadas pelo novo poder ilegítimo, regiões inteiras que declararam a independência não irão participar. Continuam os combates sangrentos no leste, peritos da OTAN sentem-se em casa nas centrais nucleares da Ucrânia, gasodutos, centrais termo-elétricas, quartéis. E parentes e amigos de altos funcionários de Washington fazem parte da direção das companhias energéticas da Ucrânia.

O país perde rapidamente a independência e tem lugar o pior dos cenários, semelhante ao iugoslavo. Não é por acaso que surge cada vez mais informação de que na Ucrânia os “transplantólogos negros” aumentaram a sua atividade, tal como aconteceu no Kosovo. Andrei Marchukov, doutor de história, assinalou que, tal como na primeira revolução, a “laranja”, na Ucrânia, por detrás os atuais acontecimentos estão os EUA e os seus aliados:

“Os acontecimentos que começaram em novembro do ano passado não terminarão certamente em 2014. A atual situação de crise política e econômica permanente irá continuar mais uns anos. A própria existência da Ucrânia enquanto projeto nacional e estatal continua a ser uma grande incógnita. O povo da Crimeia não quis viver com a Ucrânia e aderiu à Rússia. O povo das regiões de Donetsk e Lugansk separou-se e temos, de fato, Estados independentes. Eles já não são Ucrânia. No futuro, espera-nos o aparecimento de um projeto como a Novorrossia”.

O paradoxo consiste em que a junta de Kiev, depois de derrubar pelas armas o presidente legítimo e de se proclamar dirigente do país, recusa a milhões de pessoas do Leste da Ucrânia uma coisa elementar: o direito legítimo à vida, à paz, a possibilidade de falar e de pensar, como faziam os seus antepassados. Semelhante política está simplesmente condenada ao fracasso e os governantes de Kiev são claramente temporários. Resta saber que pejuízo provocarão ao país.

A propósito, ele já é colossal. São destruídos os laços econômicos com o parceiro tradicional: a Rússia, bem como a noção, entre os cidadãos da Ucrânia, de que o poder só deve ser legalmente eleito. Por isso, os principais vencedores do Maidan não serão sequer os seus dirigentes, que serão momentaneamente abandonados pelo Ocidente em caso de necessidade, mas os seus donos de Washington e Bruxelas. Eles conseguiram a destabilização na Ucrânia, que, a propósito, pode afetar a Europa.

Serguei Panteleev, diretor do Instituto do Estrangeiro Russo, considera que, agora, só os grandes jogadores geopolíticos serão capazes de desatar o “nó ucraniano”:

“Se, através de um complexo jogo diplomático, não for encontrada uma fórmula em que os norte-americanos compreendam que foram longe demais – os europeus até começaram a compreender que não se trata do seu jogo – a solução da questão ucraniana, do ponto de vista da grande geopolítica, estará na mão dos grandes jogadores. Quem sujou, que limpe”.

A julgar pela experiência da Líbia, Iraque e Afeganistão, os americanos não sabem e não querem mesmo limpar a porcaria que fizeram. Essa “missão honrosa” será atirada para cima dos ombros do povo ucraniano e dos novos políticos sensatos que, mais tarde ou mais cedo, deverão aparecer e salvar o seu país.

Infelizmente, a sua hora ainda não chegou.

Fonte: Voz da Rússia

 

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