Defesa & Geopolítica

Iraque o maior erro geopolítico dos EUA

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Nos últimos 10 anos, os EUA têm se imiscuído abertamente nos assuntos internos de diversos países, sendo essa uma tônica de sua política externa. A postura de Washington no Iraque levou a consequências trágicas, sem que a ameaça terrorista tenha diminuído. Hoje, a maior parte dos políticos norte-americanos considera que “a guerra no Iraque foi um erro”.

Os projetos geopolíticos realizados por Washington nos últimos tempos fracassaram ou causaram prejuízos colossais aos que se viram na zona dos seus interesses. O maior dano por vezes, militar, foi infligido aos países árabes, sustenta Vyacheslav Mutuzov, dirigente da Sociedade de Amizade e Cooperação Empresarial com Estados Árabes:

“O mundo árabe constitui um pólo de atração por uma simples razão – é uma região estratégica, um entreposto de comunicações mundiais, sendo ainda a principal fonte de recursos energéticos. Os acontecimentos de hoje são uma tentativa de aumentar a influência, passar a um controle mais duro, implantando regimes dóceis que sirvam os interesses dos EUA. Em contrapartida, os regimes em oposição que não se enquadrem na linha estratégica norte-americana, devem ser abolidos”.

Um exemplo elucidativo do fracasso da política externa dos EUA foi a campanha militar desencadeada no Iraque. Segundo acentuou Barack Obama no início da sua carreira presidencial, essa foi uma “guerra absurda”. Conforme os últimos inquéritos, mais de 50% dos americanos se solidarizam com essa opinião do presidente dos EUA.

Todavia, procurando tirar o máximo efeito propagandístico depois da campanha em 2011, Obama anunciou que os EUA “abandonavam o Iraque como triunfadores”. “Deixamos o Iraque soberano, estável e autônomo com o governo eleito pelo povo”, frisou. Mas na realidade, o Iraque foi um fracasso para Washington, afirma o perito do Instituto do Oriente Médio, Serguei Serguichev:

“A política externa dos EUA está virada para a “exportação da democracia”. Mas os “mestres” americanos não explicaram aos seus alunos árabes uma coisa simples: a democracia não é um Mercedes, ela não se compra num país para ser transportado para outro”.

Os analistas consideram que o envio de tropas dos EUA para Bagdad foi o maior erro geopolítico cometido pela Casa Branca. Não obstante a figura odiosa de Saddam Hussein, antes da intervenção, o Iraque era uma espécie de “pedra angular” no sistema de segurança regional, um regime laico que protegia o mundo árabe contra a influência iraniana.

Ora, o fracasso da campanha iraquiana veio estragar a imagem de Washington na arena mundial – foram logo desmentidos os principais “motivos” da intervenção (no Iraque não foram encontradas armas biológicas ou nucleares), enquanto o mundo soube de torturas nas prisões de Guantánamo e Abu Ghraib e da atitude hostil manifestada aos habitantes locais por funcionários de companhias ligadas à Administração dos EUA.

Hoje em dia, o Iraque como país praticamente não existe, continua balanceando à beira da desintegração em fragmentos étnico-religiosos. Não há estabilidade por estarem ocorrendo regularmente atos terroristas, acarretando numerosas vítimas. Os extremistas vão ganhando força.

Segundo peritos, foi a guerra no Iraque que acabou com o paradigma de um mundo unipolar. Bagdad mostrou a Washington e ao mundo inteiro que os norte-americanos e suas doutrinas não são omnipotentes.

Fonte: Voz da Rússia

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