Defesa & Geopolítica

Como sair do impasse: Índia como membro do Conselho de Segurança da ONU?

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Ainda há nove anos muitos pensavam que a reforma do Conselho de Segurança da ONU estava para breve. Praticamente não havia dúvidas que o Conselho de Segurança deveria se tornar num órgão representativo internacional, em vez de ser um refém das opiniões dos “cinco grandes” membros permanente.

O primeiro obstáculo era a questão da escolha dos primeiros candidatos a entrar para o CS da ONU. Em junho de 2005 cinco membros da ONU – a Argentina, a Itália, o Canadá, a Colômbia e o Paquistão, representando o grande grupo de países Unidade pela Concórdia apresentaram à Assembleia Geral um projeto que mantinha os cinco membros permanentes e que aumentava o número de membros não-permanentes para 20.

Entretanto o grupo de países conhecido como o G4 (Japão, Alemanha, Índia e Brasil) começou pressionando no sentido da sua admissão como membros permanentes do CS da ONU. Essa intenção também foi anunciada pela Itália, Indonésia, Paquistão e África do Sul.

A Rússia se manifestou por diversas vezes em apoio da ideia da reforma do Conselho de Segurança da ONU e pela atribuição à Índia de um lugar de membro permanente. Isso foi anunciado, nomeadamente, no final da visita a Nova Deli do presidente russo Vladimir Putin realizada em 2007.

“A Rússia e a Índia apontam a necessidade de reforma do sistema da ONU de forma a corresponder à realidade atual. Nesse contexto, a Federação Russa volta a declarar que vê a Índia como um membro influente e importante da comunidade internacional”, se lia na declaração conjunta de Moscou e Nova Deli.

Três anos depois a ideia de atribuir à Índia um lugar de membro permanente do CS da ONU foi também apoiada pelo presidente dos EUA Barack Obama. Isso foi anunciado pelo chefe da Casa Branca durante a sua visita a Nova Deli em novembro de 2010.

Contudo, as ambições nacionais e a desconfiança mútua, que se manifestam tanto a nível bilateral, como a nível multilateral regional, e os receios de se ser preterido durante o alargamento do Conselho de Segurança da ONU se sobrepuseram ao entendimento que a reforma do Conselho de Segurança corresponde objetivamente aos interesses da comunidade internacional. Hoje não sobra qualquer vestígio do entusiasmo e confiança na mudança que o mundo sentia em 2005.

“Esse tema não foi adiado, mas as negociações estão num grande impasse. Para que ele seja ultrapassado será necessário mais tempo e a tomada de importantes decisões e compromissos políticos para os quais muitos ainda não estão preparados”, declarou há dias o representante permanente da Federação Russa na ONU Vitali Churkin numa entrevista ao canal televisivo Rossiya 24.

Nessa situação, a Índia e a Alemanha decidiram unir esforços para tentar uma reorganização do CS da ONU e o alargamento da sua composição permanente. No final da sua recente visita a Berlim, o ministro das Relações Exteriores da Índia Salman Khurshid declarou que “a reforma do Conselho de Segurança está no foco das discussões. Nós decidimos continuar a cooperar com a Alemanha nessa questão e reforçar a nossa pressão”.

Também o ministro das Relações Exteriores da Alemanha Guido Westerwelle se pronunciou por uma rápida alteração da estrutura do CS da ONU, tendo apelado à atribuição do estatuto de membro permanente a países tão importantes como a Índia, a Alemanha, o Brasil e o Japão.

Entretanto, o objetivo que o governo de Manmohan Singh não conseguiu alcançar deverá se tornar numa das prioridades do novo gabinete indiano. A sua prioridade é condicionada não apenas pelo crescente papel da Índia no mundo moderno, mas também pelas dificuldades do atual Conselho de Segurança da ONU, que é incapaz de reagir rápida e eficazmente aos desafios do mundo moderno e que se transforma cada vez mais numa feira geopolítica das vaidades.

As crises na Síria e na Ucrânia demostraram-no em grande medida e confirmaram a necessidade de mudanças. Assim, a atribuição do estatuto de membro permanente do CS à Índia irá corresponder objetivamente não apenas às aspirações de Nova Deli, mas também aos interesses de toda a comunidade internacional.

 

Fonte: Voz da Rússia

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