Defesa & Geopolítica

Tropas russas se tornam agressivas e tensões aumentam

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As tensões aumentaram neste sábado na região da Crimeia, ocupada pela Rússia, depois que discussões durante a madrugada entre tropas russas e soldados ucranianos sitiados terem realçado ainda mais o maior confronto político entre Ocidente e Oriente desde o fim da Guerra Fria.

Os níveis de pressão cresceram muito na região nos últimos dois dias, desde quando a liderança regional declarou que agora faz parte da Rússia e anunciou um referendo em 16 de março para confirmar a mudança.

O presidente russo, Vladimir Putin, declarou há uma semana que a Rússia tem o direito de invadir a Ucrânia para proteger cidadãos russos, e seu Parlamento aprovou uma mudança na lei para que fique mais fácil anexar territórios.

Até agora, a tomada russa da península localizada no Mar Negro não teve violência, mas as forças da Rússia têm ficado cada vez mais agressivas contra as tropas ucranianas, cercadas em bases e sem oferecer resistência.

Tropas russas foram de caminhão até um posto de defesa aérea em Sebastopol, sede da frota do Mar Negro da Rússia e da marinha ucraniana, e tomaram controle da base durante a madrugada. Uma equipe de reportagem da Reuters no local afirmou que não houve feridos.

O serviço de imigração ucraniano afirmou que tropas russas também tomaram postos fronteiriços localizados no leste da península, despejando autoridades ucranianas e suas famílias de seus apartamentos no meio da madrugada.

“A situação mudou. As tensões estão muito maiores agora. Vocês têm que sair. Vocês não podem filmar aqui”, afirmou um soldado russo que carregava uma metralhadora, com sua face coberta, na base naval ucraniana de Novozernoye.

O ministro das Relações Exteriores polonês, Radoslaw Sikorski, afirmou neste sábado que a Polônia esvaziou seu consulado em Sebastopol devido às “seguidas perturbações causadas por forças russas”.

Cerca de 100 russos armados vigiam os ucranianos que estão na base, onde um navio russo foi afundado propositalmente na entrada para impedir que os ucranianos fujam pelo mar.

“As coisas estão difíceis e o clima piorou. Os russos nos ameaçam quando vamos embora, tomam nossos alimentos e apontam armas contra nós”, afirmou Vadim Filipenko, vice-comandante ucraniano na base.

Moscou nega que as tropas que ocuparam a Crimeia e falam russo estejam sob o seu comando, algo que os Estados Unidos classificam como “ficção de Putin”.​

Embora não usem insígnias, os soldados dirigem veículos com placas russas e se identificam como tropas russas para as forças ucranianas sitiadas.

Os EUA anunciaram sanções contra indivíduos que consideram culpados pela interferência na integridade territorial ucraniana, embora a lista ainda não tenha sido publicada.

A União Europeia também avalia a possibilidade de aplicar sanções, embora isso possa ser muito difícil de acontecer, pois o bloco tem 28 membros, a decisão precisa ser unânime e vários países dependam do gás natural russo.

O ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, não deu indicações de que a posição de Moscou mudou neste sábado, e insistiu que o governo de Kiev foi criado a partir de um golpe de Estado.

O líder pró-Moscou da Crimeia, Sergei Aksyonov, afirmou que o referendo sobre a anexação da região à Rússia, que acontecerá dentro de uma semana, foi convocado rapidamente para evitar “provocação”.

REUTERES

 

Fonte: Terra

Avião ucraniano de patrulha é alvejado perto da Crimeia

O Serviço de Guarda de Fronteiras da Ucrânia (SGU) denunciou que um de seus aviões foi atacado neste sábado com disparos de fuzis de assalto quando patrulhava a fronteira administrativa com a república autônoma da Crimeia, que se proclamou parte da Rússia.

A tripulação desse avião, que não está equipado com armas, observou disparos contra a aeronave quando sobrevoava a cidade de Armiansk, no istmo que une a península da Crimeia com o resto do território ucraniano.

“Os pilotos realizaram uma brusca manobra de evasão, desceram até a altura mínima e abandonaram a área” do ataque, segundo um comunicado do SGU.

As autoridades ucranianas denunciam que “os agressores armados russos cometem todo tipo de arbitrariedades, pressionam psicologicamente os guarda-fronteiras, lhes ameaçam, desinformam e intimidam”.

“Nesta ocasião, empregaram armas de fogo apesar do risco que isso representa para vidas humanas”, ressalta a nota.

Por outro lado, a Ucrânia reconheceu que uma centena de soldados russos e 50 membros armados das chamadas Autodefesas da Crimeia fizeram retroceder os soldados ucranianos no posto fronteiriço “Crimeia” para permitir a entrada de duas colunas de veículos militares em território da autonomia.

Mais de 30 caminhões militares sem placas de identificação e um carro de transporte blindado entraram em território ucraniano da vizinha Rússia através da fronteira marítima no estreito de Kerch, ao leste da península da Crimeia, de acordo com o SGU.

O serviço também denunciou que tropas russas invadiram nesta madrugada um de seus postos de vigilância na Crimeia e jogaram os guarda-fronteiras e suas famílias na rua.

EFE

 

Fonte: Terra

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