Defesa & Geopolítica

Quem vai à guerra por um cadáver?

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Cruzador Moskva (Classe Slava) no porto de Sebastopol

Cruzador Moskva (Classe Slava) no porto de Sebastopol

Por César A. Ferreira (“Ilya Ehrenburg”).

Estes dias últimos pareceram excessivamente agitados, e não foi pelo festival de nádegas femininas desnudas do carnaval brasileiro. Deu-se o assombro devido ao cruzar de unidades russas, e das imagens súbitas de soldados equipados, mas sem identificação alguma, vigiando aeroportos em regiões orientais da Ucrânia…  Frisson! Uma guerra atiça a imaginação, principalmente quando longe, bem longe.

Besteira. Guerra é algo caro, custoso, é a típica empreitada humana onde a certeza só aparece no começo… Uma guerra não é uma aposta, se o jogador for competente. Ela só é aceitável se o butim for considerável, ou se dela não for possível fugir, seja por uma questão de honra, ou sobrevivência. Ora, nada disso está disposto na situação ucraniana, pois este país não vale o esforço, é um cadáver na forma de Estado.

A Ucrânia era na época soviética uma república rica, detentora de conhecimentos favorecidos na área de arquitetura naval, motores de combustão interna a diesel e gasolina, indústria aeroespacial, metalurgia, além de fartas terras cultiváveis e florestas. Desfeita a união, o que se observou da Ucrânia foi uma decadência paulatina. Mesmo possuindo uma base industrial e acadêmica, recursos naturais e solo cultivável, a nação tornou-se cada vez mais decadente. Enquanto a Rússia se recuperou da catástrofe econômica que se abateu com o fim da URSS, a Ucrânia jamais se refez da rapinagem sofrida. A afamada revolução laranja nada mais foi do que um golpe para colocar no poder oligarcas, portadores de uma retórica nacionalista, mas com natos em acumular em proveito próprio… Fato é que a tragédia ucraniana mais parece com uma ópera sul-americana, do que com um conto russo.

Pois… A Ucrânia responde por apenas quinta parte da economia turca, e o seu comércio exterior possui como clientes maiores a Rússia e a China. Apesar dos anos, quase uma década passada desde a Revolução Laranja, a Europa Unida e tampouco os EUA, apresentaram-se como mercados viáveis para os produtos ucranianos… Ao contrário, as trocas comerciais da Ucrânia com os EUA são pífias, e somam menos de um bilhão por ano. A Rússia, sozinha, responde por mais do que dez bilhões de dólares/ano em trocas comerciais, além de ser um sustentáculo para projetos importantes da indústria aeroespacial ucraniana, caso da aeronave de transporte tático AN-70. Ademais, a Ucrânia depende da energia fornecida pela Rússia, e quebrada, pois necessita de ajuda financeira da ordem de 35 bilhões de dólares, só poderá recorrer a que estiver disposto a ajudá-la. A Europa Unida, e quanto a isso Berlusconi e Jojoy podem responder com precisão, pode ajudar com presteza… Em matéria de retórica. Seria interessante, também, ver um aporte desta natureza, de quem briga com o seu congresso nacional para poder aumentar o teto da dívida…

Portanto, se você é um jogador esperto, e Putin parece sê-lo, você não irá provocar uma guerra, apesar de se preparar para uma… Pois a Ucrânia agora é uma fruta podre, antes era uma nação com sérios problemas, hoje, um zumbi solto que baba e profere impropérios nazifascistas. A parte mais rica da Ucrânia fala russo, se identifica com a Rússia e não aceita ser governada por quem derruba monumentos comemorativos às vitórias do Exército Vermelho, honra e glória dos avós de muitos, para não dizer de todos; pessoas que não entendem e se sentem constrangidas em ver Kiev dominada por lunáticos que usam braçadeiras com símbolos das Waffen SS, ou mesmo suásticas… Putin não precisa enfrentar essa corja, que batida irá derramar a lágrima dos vitimados, seria um erro. Basta esperar, fazer que a Ucrânia, e a sua bagunça caia no colo de quem merece: UE e EUA.

Ora, ora… Tendo sido os instigadores do golpe político, e financiadores dos nazifascistas de Kiev, e vendo a pérola do Mar Negro, Sebastopol, permanecendo em mãos russas, bem como  da Crimeia e da Península de Kerch, ou seja, tendo que arcar com a conta pesada, enquanto a Rússia permanece com o que lhe interessa, pode o “Ocidente” lançar a sua cartada habitual: a guerra. Todavia, a Rússia não é a galinha morta de sempre, a Ucrânia lhe faz fronteira, além de entender que um confronto com forças da OTAN, às suas portas, com certeza será pela sua sobrevivência como nação. E a história demonstra com fartos registros, o quanto é pouco saudável enfrentar os russos nesta situação…

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