Defesa & Geopolítica

Ala da Al-Qaeda ativa na guerra síria controla parte de 2 cidades no Iraque

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FALUJA, IRAQUE

Militantes sunitas ligados à Al-Qaeda entraram em confronto ontem com as forças de segurança do Iraque, que tentavam retomar o controle de Faluja e Ramadi, na Província de Anbar. Os insurgentes ocuparam prédios oficiais nas duas cidades, após a dissolução, na segunda-feira, de um acampamento levantado em protesto contra o governo do premiê xiita Nuri al-Maliki, em que ao menos 13 pessoas morreram.

Focos de confronto entre as autoridades e os manifestantes se espalharam por Ramadi, Faluja e outras cidades de Anbar -província de maioria sunita no oeste do país – após o desmantelamento do acampamento que concentrava em Ramadi há um ano sunitas que protestavam contra o governo do primeiro-ministro xiita.

Em Faluja, principal reduto sunita da região, os radicais do Estado Islâmico do Iraque e o Levante libertaram ontem 101 presos da principal delegacia da cidade – e atacaram outros postos policiais em Anbar. Os insurgentes roubaram as armas guardadas nos locais, que foram incendiados. Ao cercar a delegacia em que houve a libertação dos prisioneiros, os militantes permitiram que os policiais escapassem ilesos – e não houve resistência dos agentes.

“Homens armados em grande número cercaram as três delegacias de polícia de Faluja e forçaram todos os policiais a deixar os locais sem suas armas se eles quisessem ter suas vidaís poupadas. Todos nós saímos, não queríamos morrer sem razão”, disse um dos agentes.

Os insurgentes, então, tomaram o controle de um edifício do governo e colocaram atiradores no topo do prédio, para conter um eventual esforço de retomada do local pelas autoridades.

Quatro postos da polícia foram incendiados em Ramadi, que concentra combates intensos entre as autoridades e os insurgentes sunitas há quatro dias – pelo menos 13 rebeldes e um militar morreram na cidade entre segunda-feira e terça-feira. Os radicais têm atacado as autoridades em picapes com metralhadoras instaladas na carroceria. Dezenas desses veículos têm patrulhado as vias de Ramadi e Faluja, importantes cidades iraquianas.

Em uma tentativa de conter a violência, o premiê iraquiano anunciou, na terça-feira, a retirada do Exército de Anbar – uma exigência dos 44 deputados que renunciaram aos seus cargos na noite da segunda-feira, após o desmantelamento do acampamento sunita, qualificado por Maliki como “o quartel-general da Al-Qaeda”.

Ontem, o primeiro-ministro voltou atrás. aNão retiraremos o Exército. Mandaremos forças adicionais”, disse Maliki, segundo a emissora estatal Iraqiya. Autoridades anunciaram ontem a prisão do clérigo xiita Wathiq al-Batat, líder do Exército al-Mukhtar, em uma aparente tentativa de acalmar os ânimos dos insurgentes sunitas.

Atentados. Em um outro ataque contra as autoridades iraquianas ontem – ocorrido fora de Anbar -, na cidade de predominância sunita de Tarmiya, pelo menos 4 policiais foram mortos e outros 12 ficaram feridos.

No mesmo dia, um atentado suicida deixou 19 mortos e 37 feridos em Balad Ruz, a nordeste de Bagdá, perto de Baquba. Umapicape carregada de explosivos foi detonada em uma movimentada rua comercial. Nenhum grupo reivindicou a autoria do ataque, mas ações do gênero costumam ser praticadas por militantes ligados à Al-Qaeda. A ONU afirmou ontem que quase 8 mil pèssoas foram mortas no Iraque em 2013, em sua grande maioria, civis. Segundo a ONG Iraq Body Count, esse número chega quase a 9,5 mil. / AP, REUTERS e NYT

PARA ENTENDER

Sunitas e a luta sem fronteiras

O grupo sunita Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que jurou fidelidade à Al-Qaeda em 2004, atua tanto no Iraque quanto ria Síria. Em território iraquiano, combate o governo do premiê xiita Nuri al-Maliki, a quem acusa de perseguir a minoria sunita no país. Na Síria, o movimento luta contra o ditador Bashar As-sad, alauíta – um ramo do xiismo.

No território iraquiano, o movimento concentrou seus atividades na Província de Anbar, de predominância sunita, tentando se beneficiar da disputa sectária do país. Maliki, entretanto, ainda mantém o apoio de vários líderes tribais da região – que consideram o governo xiita um mal menor do que o radicalismo sunita da Al-Qaeda. Desde 2006, os sunitas da região passaram a ajudar os EUA – que ocupava o país desde 2003 -a combater os terroristas da organização.

Fonte: Estadão Via CCOMSEX

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