Defesa & Geopolítica

Chanceler alemã Angela Merkel: Futuro da Alemanha depende do euro

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Chanceler federal usa tradicional discurso para defender União Europeia, afirma que progresso em seu país só será alcançado com a superação da crise no bloco e pede que Estados-membros permaneçam unidos.

Em sua tradicional mensagem de Ano Novo, a chanceler federal alemã Angela Merkel aproveitou esta terça-feira (31/12) para fazer uma defesa ferrenha da União Europeia e disse que o futuro dos alemães está condicionado ao sucesso do bloco econômico.

Segundo Merkel, o destino da Alemanha está tão entrelaçado com o da União Europeia que é fundamental chegar a respostas sobre como resolver de forma permanente a crise da dívida soberana na zona do euro.

“Todos nós sabemos que o progresso do nosso país depende como nunca da realização de progressos na Europa e da superação permanente da crise da dívida soberana”, afirmou Merkel, em discurso transmitido em rede nacional.

A chefe de governo lembrou que as eleições europeias, marcadas para maio, coincidirão com o centenário do início da Primeira Guerra; com os 75 anos do começo da Segunda Guerra e com o 25º aniversário da queda do Muro de Berlim – “o princípio do fim da divisão da Alemanha e da Europa”, afirmou.

“Isso demonstra mais uma vez o quanto podemos conseguir se confiarmos um no outro e permanecemos juntos”, completou Merkel.

Finanças e energia

Apesar da crise, a Alemanha, maior economia da União Europeia, desfrutou de um crescimento sustentado e uma tendência de baixa no desemprego nos últimos anos, em forte contraste frente a seus parceiros do euro. No entanto, muitos alemães questionam a ajuda financeira aos países endividados.

No campo interno, a chanceler federal, reeleita neste ano para um terceiro mandato, aproveitou para lembrar os desafios que a Alemanha enfrentará em 2014, entre eles, o de continuar trabalhando para melhorar o equilíbrio orçamentário e completar a transição da energia nuclear e de combustíveis fósseis para uma maior participação de energia renovável.

“O mais importante para mim é que colocamos nossas finanças em ordem para as gerações futuras e que triunfamos com a transformação energética”, afirmou. “Há muito trabalho pela frente para que a Alemanha siga forte no futuro também.”

A Alemanha se esforçou para reduzir o déficit orçamentário durante a última década. Espera-se que as contas do país estejam equilibradas entre 2013 e 2015, e que o Produto Interno Bruto (PIB) tenha um superávit de 0,5% entre 2016 e 2017.

RPR/dpa/efe/rtr

 

Fonte: DW.DE

Alemanha – Desafios em 2014

O resgate do euro continua a ser prioridade. Além da economia, a virada energética, a espionagem cibernética, os conflitos no mundo e o populismo de direita determinam a agenda do novo governo de coalizão em Berlim.

Uma grande coalizão de governo também deve resolver grandes tarefas, anunciou Angela Merkel ao iniciar o seu terceiro mandato à frente do governo alemão. No entanto, quem espera grandes sensações vai ficar decepcionado. Os principais desafios em 2014 continuam os mesmos do ano anterior.

Para a chanceler federal alemã, em primeiro lugar, vem a solidez financeira. Por esse motivo, no topo da lista de prioridades do governo estão a disciplina orçamentária, a contenção da dívida pública e o fechamento de brechas fiscais. O ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble, pretende fazer somente 6 bilhões de euros em novas dívidas, o que deverá ser o menor novo endividamento das últimas quatro décadas. Em 2015, o Estado então não precisará fazer novos empréstimos. Neste caso, todavia, prevalece o princípio da esperança, porque essa meta será alcançada somente se a economia continuar correndo bem e as receitas fiscais permanecerem altas.

A segunda grande tarefa é a virada energética. A desistência da energia nuclear, aprovada em 2011, e a transição gradual da quarta maior economia do planeta para a energia renovável enfrentam novos obstáculos. A Comissão Europeia em Bruxelas abriu um processo de auxílio estatal contra Berlim, o que pode provocar perdas bilionárias à indústria alemã. Segundo a Comissão, o motivo está na distorção da concorrência: a isenção de milhares de empresas com grande consumo de energia dos reais custos da virada energética. Por esse motivo, até a Páscoa, o governo em Berlim pretende reformular a sua lei da energia renovável.

Provavelmente, o número de empresas que pagam pouco ou nada para a promoção da energia eólica e solar irá diminuir. Além disso, o aumento do preço da eletricidade, causado pela remuneração excessivamente generosa de energia verde, também deverá ser reduzido. O presidente do Partido Social Democrata (SPD) e novo ministro alemão da Economia e Energia, Sigmar Gabriel, será o responsável por essa tarefa.

Luz

Virada energética: mais cara do que o previsto.

Berlim quer mais reformas da UE

Segundo o desejo de Merkel, a competitividade da economia alemã deverá ser reforçada. As condições para tal deverão ser melhoradas, entre outros, através da expansão da internet de banda larga. O ministro responsável Alexander Dobrindt anunciou que almeja transformar a infraestrutura de rede da Alemanha na melhor do mundo.

Para a prioridade resgate do euro, a chanceler federal Merkel pretende, finalmente, impor novas reformas. Segundo ela, “defeitos construtivos” da União Europeia (UE) deverão ser corrigidos. Berlim pretende arriscar os bilhões dos contribuintes alemães somente em países que se comprometerem a uma disciplina orçamentária e a mais competitividade. Isso deverá ser estipulado em acordos com a UE.

Depois que a recente cúpula da UE não conseguiu chegar a uma decisão, haverá uma nova tentativa em outubro próximo. Além disso, Merkel pretende reduzir o alto desemprego juvenil na Europa, oferecendo também a jovens de outros países mais estágios e empregos na Alemanha. Pois antes das eleições para o Parlamento Europeu, em maio, o governo em Berlim pretende conter, o máximo possível, o avanço dos partidos populistas de direita em diferentes países.

“Trabalho bom” é aceitável

Os social-democratas fizeram com que o conceito do “trabalho bom” se tornasse aceitável no governo em Berlim. Ou seja, a legislação trabalhista deverá ser modernizada. Está planejada a igualdade de tratamento entre empregados fixos e trabalhadores terceirizados, caso eles passem mais de nove meses na empresa. Eles também não deverão ser utilizados como fura-greves.

O governo também pretende proceder legalmente contra o abuso dos chamados “contratos de empreitada” como instrumento do dumping salarial. A partir de janeiro de 2015, o amplamente discutido salário-mínimo de 8,50 euros por hora de trabalho deverá passar a valer em toda a Alemanha.

Com uma média de idade de 45 anos, a Alemanha possui a população mais velha da Europa. A mudança demográfica está forçando o governo a lidar cada vez mais com a situação de pessoas idosas que necessitam de cuidados. Na Alemanha, o número de indivíduos nessa condição atingiu o recorde de 2,5 milhões, incluindo mais e mais pessoas que sofrem de demência – mas há muito poucos cuidadores de idosos. Uma “ofensiva de profissionais” deverá ajudar a solucionar o problema, inclusive através do recrutamento de pessoal no exterior e de uma valorização da profissão de cuidador.

Proteção de dados se torna política externa

Segundo Wolfgang Ischinger, presidente da Conferência de Segurança de Munique, quem estiver esperando um papel mais ativo da Alemanha no cenário internacional poderá se decepcionar. Provavelmente a Alemanha irá continuar mostrando reservas, sob o novo ministro do Exterior Frank-Walter Steinmeier, especialmente em operações militares em países distantes. A retirada das Forças Armadas alemãs (Bundeswehr) do Afeganistão deverá ser finalizada.

Uma especial atenção deverá ser dada a áreas de conflito como o Mali, onde a Bundeswehr enviou instrutores no contexto de uma missão europeia. Berlim também gostaria de enviar equipamentos militares, no entanto, com essa estratégia de “aprimorar os parceiros”, Berlim teme críticas de que queira aumentar as exportações de armamentos para regiões de conflito.

O governo em Berlim deverá se ocupar ainda de duas questões sensíveis: a sombra do caso de monitoramento de dados por parte da NSA ainda paira sobre as relações com o parceiro EUA. Berlim espera por um gesto de reconciliação de Washington. Barack Obama e Angela Merkel deverão se encontrar pessoalmente no mais tardar em junho, no encontro de cúpula do G8, na cidade russa de Sochi.

Em reação ao monitoramento da chanceler federal alemã e da presidente Dilma Rousseff, Alemanha e Brasil conseguiram fazer com que a Comissão de Direitos Humanos e a Assembleia Geral das Nações Unidas se ocupassem do tema da espionagem cibernética em 2014. Assim, a proteção da privacidade, que antes era domínio da política interna, torna-se agora um tema da política externa alemã.

Outros temas importantes são a democracia e os direitos humanos. Dessa forma, os Jogos Olímpicos de Inverno na Rússia são um barril de pólvora político e poderão se tornar um novo teste para as relações entre Berlim e Moscou.

Bernd Gräßler (ca)

 

Fonte: DW.DE

3 Comments

  1. Até pode ser, +, eu ñ acredito;e o estoke de barras de ouro compradas?! Como o euro ñ vai deixar de existir…Sds.

  2. JOJO says:

    Mekel fala em nome do empresariado alemao, principalmente os banqueiros, quando diz que o futuro da Alemanha depende do euro. Mas existe muito gente em outros paises da europa, a base popular do crescimento dos partidos nacionalistaa de extrema direita, fazendo campanha para retirada de seus paises do euro. Mesmo na Alemanha existe grupos que pregam que Alemanha deveria abandonar o euro e procurar uma alianca economica com os paises nordicos. Outros acham que o melhor interesse da Alemanha seria aliar-se com Russia. (Nao sei se isso e possivel dado que Alemanha e pais militaarmente ocupado pelos Estados Unidos) Mekel e livre para falar o que quiser, mas no momento os destinos da Alemanha nao estao em suas maos sim na maos do Tio Sam.

  3. No fim os alemães acabaram conquistando a Europa mesmo… mas sem guerras, só na economia!

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