Defesa & Geopolítica

Brasil: “Mais um ano de crescimento abaixo da média mundial”

Posted by

84_1940-PIB MUNDO

“A despeito do crescimento abaixo da média mundial neste ano e em anos anteriores, as arrecadações do Governo Federal não param de crescer, mês a mês e ano a ano. Dinheiro há e muito!

Nesse cenário medíocre, as FFAA no orçamento de 2014 foram relegadas  ao ostracismo e entregues à própria sorte. Gérsio Mutti

Menos que o mundo

Miriam Leitão

O crescimento do PIB mundial este ano será o mais baixo desde 2009, segundo a OCDE, 2,7%. O Brasil deve crescer menos que isso em 2013 e nos próximos dois anos. O que deixa o quadro menos pior é que dos principais efeitos da crise só o baixo crescimento nos afeta. Desemprego alto, aumento da desigualdade e perda de confiança nas instituições não nos atingiram até agora. Todos os emergentes vão crescer menos.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revisou ontem suas projeções para a economia mundial. Os últimos números eram de maio e muita coisa mudou em seis meses. Os emergentes deram mais sinais de desaceleração, e os EUA provocaram duas turbulências no período. Uma, com o anúncio da retirada dos estímulos; outra, com os impasses no Congresso que levaram ao abismo fiscal. O desemprego continua sendo a pior consequência da crise, principalmente entre os jovens.

As estimativas para o Brasil reforçam o que muitos economistas vêm alertando. O país tem gargalos e está com menor capacidade de crescer. A OCDE cortou a projeção para o PIB de 2013 para 2,5%. Mas o pior ficou para 2014. A estimativa caiu de 3,5% para 2,2%, no terceiro maior corte entre os países analisados.

A combinação de déficit em conta corrente, inflação elevada e baixo crescimento deixa o país exposto à redução dos estímulos americanos. Quando o Fed diminuir a injeção de dólares, financiar o déficit será mais difícil para o Brasil. A consequência seria a desvalorização do real, mas isso aumentaria a inflação. Por isso, a OCDE acredita que o BC deve continuar subindo os juros, para combater a alta dos preços e atrair mais dólares. O problema são os efeitos sobre o PIB.

O mais importante no documento foi o recado sobre a política fiscal, que tem colocado o país em risco de ter a nota de crédito rebaixada. “A clareza das contas públicas deve ser preservada, evitando-se exceções para a definição do superávit primário e as operações parafiscais envolvendo bancos públicos.” Ou seja, que acabem as maquiagens dos números.

Tudo azul para os serviços

O terceiro trimestre foi bom para os serviços, como mostra a pesquisa do IBGE que será usada pela primeira vez no cálculo do PIB. Depois de ter subido 9,1% em julho e 6,6% em agosto, o setor teve crescimento nominal de 9,6% em setembro em relação ao mesmo mês de 2012. O resultado surpreendeu o economista Vinícius Botelho, do Ibre/FGV. Todas as atividades tiveram aumentos expressivos, inclusive os serviços prestados às famílias, mesmo tendo desacelerado de 11,6% para 9,5%. Por conta desse bom resultado, o Ibre pode revisar a sua previsão para o PIB do terceiro tri um pouco para cima: de -0,4% para até -0,2%. Em 12 meses, a receita dos serviços cresce 8,7%.

O que preocupa na inflação

A prévia da inflação acelerou menos do que se esperava este mês, o que é uma boa notícia. O IPCA-15 ficou em 0,57%; e, em 12 meses, subiu para 5,78%, ainda distante do centro da meta. A inflação de serviços voltou a acelerar em novembro e, em 12 meses, está na casa dos 8%. Pior é o índice de difusão, que mede a quantidade de preços que subiram, ter superado os 70%. A disparidade entre preços livres e administrados continua gigante: o primeiro tem alta de 7,3%; enquanto o segundo, de menos de 1%.

Fonte: O Globo 2ª Edição, Economia, Coluna da Miriam Leitão, Página 26, Quarta-Feira, 20/11/2013  

Leia também:

Arrecadação bate recorde: R$ 100 bi

Em outubro, receita com impostos federais cresceu 5,4%. No ano, valor chega a R$ 907 bi

 

Martha Beck

BRASÍLIA – A arrecadação de impostos e contribuições federais somou R$ 100,999 bilhões em outubro, o melhor resultado mensal de 2013 e um recorde para o período. Segundo dados divulgados ontem pela Receita Federal, o valor também equivale a um crescimento real de 5,43% em relação a 2012. Já no acumulado no ano, a sociedade brasileira pagou R$ 907,445 bilhões em tributos, o que significa uma alta real de 1,36% sobre 2012 e um recorde para o período entre janeiro e outubro. 

O secretário adjunto da Receita Federal, Luiz Fernando Teixeira Nunes, afirmou que o bom desempenho de outubro reflete um aumento do lucro das empresas em 2013. Ele explicou que as companhias que recolhem o Imposto de Renda (IR) e a Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) pela estimativa mensal já estão ajudando a reforçar as receitas, graças à melhoria em seus resultados. 

LUCRO DAS EMPRESAS AJUDA 

Entre janeiro e outubro, o recolhimento do IR de empresas e da CSLL atingiu R$ 161, 138 bilhões, com alta de 3,34% sobre 2012. Mas o tributo que mais reforçou o caixa do governo foi a receita previdenciária, com R$ 265,467 bilhões, aumento de 3,05%. Já a arrecadação do PIS/Cofins foi de R$ 200,398 bilhões, o que equivale a uma alta de 2,8% sobre o ano passado. 

— Podemos afirmar que tivemos um mês de outubro multo bom. O principal fator foi a lucratividade das empresas. Os resultados sistematicamente positivos ao longo do ano se refletiram na arrecadação — disse Nunes.  Segundo ele, o bom resultado de outubro deve se repetir em novembro e dezembro. Mesmo assim, a Receita mantém sua expectativa de crescimento entre 2,5% e 3% para o desempenho da arrecadação em 2013, sendo que o cenário mais provável é de 2,5%:

— Para que se consiga um crescimento de 2,5% na arrecadação do ano, temos expectativa de que o resultado de outubro se repita em novembro e dezembro.  O secretário adjunto ressaltou, no entanto, que a previsão não inclui o que o governo espera arrecadar com os novos programas de parcelamento de dívidas tributárias e com a reabertura do Refis da Crise.

Embora a Receita já tenha informado que esses programas resultarão em uma arrecadação extraordinária de até R$ 12 bilhões este ano, Nunes disse que esse número ainda não pode entrar na conta:  — A previsão não inclui nenhum valor relativo a programas de refinanciamento de dívida. O que vier com esses programas na arrecadação é um plus.

Não podemos contar com programas que envolvem a adesão voluntária de contribuintes.  O resultado recorde no ano foi obtido mesmo com as desonerações concedidas pelo governo para estimular a economia. No acumulado do ano, elas somam R$ 64,350 bilhões, o que representa um aumento de 74,87% em relação ao mesmo período do ano passado. 

O secretário adjunto admitiu que as desonerações realizadas pelo governo afetaram a arrecadação, mas destacou que elas foram adotadas num momento de crise e tiveram um papel importante para preservar empregos e proteger os negócios das empresas. Se as desonerações não tivessem sido adotadas, a arrecadação das receitas administradas teria subido 5% em 2013, bem acima da taxa de 1,61% que foi efetivamente registrada.

Fonte: O Globo, Economia, Página 31, Quarta-Feira, 20/11/2013 via Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG)

 

47 Comments

shared on wplocker.com