Defesa & Geopolítica

Atualizado: Texto simples sobre as relações entre a Rússia, e o Brasil

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Iliya Ehrenburg

A Rússia não é um rival geopolítico para o Brasil, e não o será em um futuro próximo. Distante, postada ao leste da Europa Unida e ancorada na Ásia, dona de seis fusos horários em suas fronteiras, as maiores do mundo, não compete à Rússia luta por recursos fora de suas terras em disputas com outras potências, e não se vê deles dependentes, portanto, sem atenção para os jogos das potências no globo, ao menos onde eles ocorrem com frequência: África, Sudoeste da Ásia, Oriente Médio e Pacífico Sul. Aos eslavos permanecem as preocupações de sempre, ou seja, a Ásia Central e o Leste da Europa, o que vale dizer, as antigas repúblicas soviéticas que constituem o entorno próximo.

A América Latina consiste para Federação Russa uma oportunidade comercial, onde ela procura para isso um nicho específico: produtos bélicos. A expertise russa para armas é bem conhecida, e estas são oferecidas sem exigência de alinhamento algum, afinal, o continente é distante e não oferece interesse outro que não seja os negócios. Oferecem os eslavos, armas por um bom preço quando comparadas àquelas dos fornecedores tradicionais, dos EUA e da Europa, desprovidas de custo político, proporcionando aos russos ganhos elevados, visto que são produtos manufaturados de alto valor agregado. Neste contexto, não estão desatentos às oportunidades possíveis de parcerias tecnológicas, haja vista que o continente possui capacidade industrial e acadêmica, ainda que não produza no mesmo volume das economias centrais. Em relação ao Brasil, os russos não invadem com produtos manufaturados o mercado latino – americano como fazem os chineses, que ano, após ano, ganham espaço dos nossos produtos com valor agregado.

Por outro lado, os EUA, posicionam-se de forma clara como um rival geopolítico do Brasil, investem de maneira inadvertida em bases militares no sub – continente latino americano, na Colômbia e no Paraguai, promovem tentativas de solapar o bloco comercial e político do Mercosul com oferecimentos de tratados bilaterais para os países membros, bem como patrocinando alternativas continentais ao bloco comercial do sul. Não contentes, realizam até mesmo atos diretos de sabotagem industrial, algo do qual foi vítima contumaz o nosso programa de lançadores. Não bastasse isso, embargam nossas commodities agrícolas sob a desculpa pueril de restrições sanitárias, o que afeta, por exemplo, a nossa carne não processada. Portanto, pode-se dizer que o recente escândalo envolvendo a invasiva espionagem dos EUA em nosso território é um capitulo, importante, de um modo especial de ver o mundo por parte dos anglos, onde estes se travestem de senhores, e o resto, de servos; fora deste papel estão aqueles que só podem ser considerados como… Inimigos.

A Rússia possui uma extensa base industrial aeroespacial, bem como de produtos derivados do petróleo, indústria automotiva, elétrica, eletrônicos, têxtil e de processamento de alimentos. A possibilidade de realização de negócios e de trocas comerciais, como se percebe, pode ir muito além da venda clássica de commodities, já que existe campo para comerciar produtos semimanufaturados e manufaturados, bastando para isso o esforço de enviar missões comerciais e de conhecer o mercado. Dado o fato de que não existem empresas brasileiras automotivas brasileiras, mas multinacionais aqui instaladas, a nossa indústria de autopeças, por exemplo, pode ofertar para montadoras russas, e fazer parte das cadeias de fornecimento para as montadoras russas, e vice versa. Possibilidades são muitas, basta, portanto, aproveitá-las.

Os EUA – quer se queira, ou não, estão presentes no mesmo continente, e por extensão possuem interesses que se chocam com os nossos, seja no subcontinente, seja em outras partes do mundo. É algo presente, e com o qual teremos que conviver. Isto não significa que precisamos tê-los como inimigos, como de fato não o são. Se por acaso, diz-se que dela nos encaram com desconfiança, visto que tratamos com Venezuela e Irã, isso em nada importa, pois nada muda, afinal, não são os lacaios aqueles que merecem respeito, mas aqueles que te encaram como iguais.

 

 

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