Categories
Defesa Sistemas de Armas

Lockheed Martin e Boeing juntas em programa para novo Bombardeiro de Ataque e Longo Alcance da USAF

LRS-B
Conceito do LRS-B – imagem: Boeing

Tradução: Luiz Medeiros

Jacek Siminski para o TheAviationist

 

Poucos dias antes da Rússia relembrar o mundo que sua frota de bombardeiros estratégicos é capaz de desdobrar em distâncias internacionais (contornando o espaço aéreo dos EUA), Boeing e Lockheed Martin anunciaram que estão formando uma equipe conjunta para concorrer com a Northrop Grumman no programa para o novo LRS-B (Bombardeiro de Ataque de Longo Alcance, em inglês) da Força Aérea dos EUA.

A parceria entre Boeing e Lockheed data ainda de 2008, quando o programa Nova Geração de Bombardeiros, cancelado em 2010, estava em andamento.

O programa LRS-B, anunciado em 2011, trouxe os parceiros juntos novamente. As companias deve usar tecnologias já provadas – para minimizar riscos. O Presidente e Chefe Executivo Dennis Muilember, da Boeing Defense, Space & Security disse:

Boeing e Lockheen Martin estão trazendo juntas o melhor das duas empresas, e do resto da indústria, em apoio ao programa do Bombardeiro de Ataque de Longo Alcance, e estamos honrados em apoiar nosso cliente a Força Aérea dos EUA e essa importante prioridade nacional. Planejamento estável, juntamente com abordagens de desenvolvimento e produção eficientes e acessíveis, permitem que nosso time diminua o risco de desenvolvimento através do aproveitamento de tecnologias maduras e integração de sistemas já existentes.

Se tratando do novo bombardeiro a USAF planeja encomendar entre 80 à 100 unidades. Estes devem ter longo alcance e possuir capacidades furtivas. A capacidade operacional total deve ser alcançada por volta de 2025.

O bombardeiro deve utilizar tantas peças prontas quanto for possível para reduzir o risco de falhas. O preço de uma única célula é estimado em 550 milhões de dólares.

Adicionalmente, uma versão não tripulada do bombardeiro e um novo missíl de longo alcance devem ser desenvolvidos dentro do escopo da iniciativa do LRS-B.

O orçamento do ano fiscal de 2012 para o LRS-B foi de 581 milhões de dólares. 6,3 bilhões de dólares estão planejados para o período entre 2013-2017.

 

Fonte: TheAviationist

Categories
Destaques Geopolítica Opinião

Forbes: Vladimir Putin supera Obama como homem mais poderoso do mundo

Putin

O presidente russo, Vladimir Putin, superou o colega americano, Barack Obama, como o homem mais poderoso do mundo no ranking 2013 da revista Forbes, que tem o papa Francisco em quarto lugar em um total de 72 personalidades.

A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, aparece na 20ª posição, dois postos abaixo do resultado do ano passado.

A Forbes justifica a decisão de situar Putin como o novo homem forte do mundo porque ele “continua solidificando seu controle sobre a Rússia e o cenário internacional”, enquanto Obama perde espaço em seu segundo mandato na Casa Branca.

“O período de Obama de ‘pato manco’ parece ter chegado antes do que o previsto para um presidente de dois mandatos. Último exemplo: o caos da paralisia do governo”, afirma a revista. “Qualquer um que observe a partida de xadrez este ano sobre a Síria e os vazamentos da espionagem da NSA (Agência Nacional de Segurança) tem uma ideia clara da dinâmica de mudança de poder individual”, completa.

A lista tem o presidente chinês, Xi Jinping, em terceiro lugar, seguido do papa Francisco e da chanceler, alemã Angela Merkel.

O filantropo e fundador da Microsoft Bill Gates ocupa o sexto lugar, à frente do presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben Bernanke, e do rei Abdullah da Arábia Saudita (8º).

Além de Dilma Rousseff e do Papa, o outro latino-americano em destaque é o magnata mexicano das telecomunicações Carlos Slim, classificado como o 12º mais poderoso do mundo, segundo a Forbes. Um outro mexicano também chama a atenção: o narcotraficante Joaquín “El Chapo” Guzmán, considerado o criminoso mais poderoso do mundo, na 67ª posição.

A revista americana levou em consideração quatro fatores para selecionar 72 pessoas: sobre quantas pessoas exercem poder; os recursos financeiros sob seu controle; se têm influência em mais de uma esfera; e como utilizam de maneira ativa seu poder para mudar o mundo.

Esta é a primeira vez que Putin lidera o ranking da Forbes, criado em 2009, e a segunda oportunidade em que Obama perde a primeira posição: em 2010 ele foi superado pelo então presidente chinês Hu Jintao.

Em relação ao papa Francisco, o primeiro latino a virar chefe da Igreja Católica, sua eleição “infundiu uma nova energia à maior religião do mundo, com 1,2 bilhão de adeptos em todo o planeta”, destacou a Forbes no perfil de Jorge Mario Bergoglio.

“O primeiro jesuíta e latino-americano pastor de Cristo prega a compaixão pelos pobres e um papel maior para as mulheres, enquanto fez a Igreja deixar de se concentrar ‘apenas em questões vinculadas ao aborto, ao casamento homossexual e o uso de anticoncepcionais”, destaca.

O ranking deste ano também mostra a presenta mais mulheres (nove), em comparação com as seis incluídas em 2011 e 2012. Na primeira lista, de 2009, havia apenas três.

AFP

Fonte: Terra

Categories
Destaques Negócios e serviços Opinião Segurança Pública Sistemas de Armas Tecnologia

Polícia nos EUA testa bala com GPS em perseguições

A bala com GPS está sendo utilizada nos Estados de Iowa, Flórida, Arizona – Foto: Starchase / BBCBrasil.com

 

Policiais de quatro Estados americanos estão utilizando uma bala com GPS (Sistema de Posicionamento Global), que facilita a localização de veículos perseguidos.

A ideia por trás da tecnologia, que ganhou o nome da empresa que a desenvolveu, a Starchase, é tornar perseguições policiais em alta velocidade mais seguras, permitindo que a polícia monitore o trajeto dos suspeitos sem colocar vidas em risco.

De dentro do carro, o policial aciona um botão no painel que dispara a bala de dentro de uma caixa instalada acima do para-choque dianteiro.

A bala gruda na traseira do carro à frente e a partir daí a polícia pode interromper a perseguição.
É possível rastrear não somente a localização do veículo, como também sua velocidade.

A bala com GPS está sendo utilizada nos Estados de Iowa, Flórida, Arizona e Colorado e a Starchase agora pretende levar o sistema para a Grã-Bretanha.

Os custos de instalação do equipamento são de US$ 5 mil dólares e cada bala vale US$ 500.

Privacidade

“Esta nova tática está se provando importante para a polícia. (Graças às balas) Foi possível desde resgatar meninas vítimas de tráfico humano até parar motoristas bêbados ou sob influência de drogas”, disse Trevor Fischbach, presidente da StarChase.

O acadêmico britânico Dave Allen, da Universidade de Leeds, que recentemente fez uma pesquisa sobre o futuro da tecnologia para polícia britânica, disse que há um claro uso operacional para a bala com GPS.

“Eu acredito que os custos vão cair rapidamente e vamos ver as balas sendo usadas rotineiramente num futuro não muito distante”, disse ele à BBC.

Mas, segundo ele, é preciso refletir sobre o uso da tecnologia, que “pode levantar questões a respeito de liberdade civis”, disse ele.

BBC Brasil

Fonte: Terra

Categories
Defesa Destaques Sistemas de Armas Tecnologia

Novo navio da Marinha americana – O USS Zumwalt classe de destróieres DDG-1000

Um novo navio de guerra da Marinha americana chegou nesta semana a um estaleiro no Estado de Maine para a fase final de sua construção. O USS Zumwalt, da nova classe de destróieres DDG-1000, é maior, mais rápido e carrega um novo sistema de armas que o permite destruir alvos a uma distância de mais de 60 milhas (cerca de 96 km), informa a Marinha americana.

Quando começar a operar, o Zumwalt será o maior navio “stealth” – capacidade para se manter oculto a radares – da frota americana.

Com 610 pés (186 m) de comprimento e 81 pés (24,6 m) de largura, o navio é mais longo e fino do que o USS Arizona, navio de guerra que foi afundado em Pearl Harbor, mas tem a metade do peso. Parte da estrutura do navio é feito de um composto de fibra de carbono leve, que também permite que o navio seja 50 vezes mais difícil de detectar por radares inimigos.

Segundo a rede de notícias CNN, a Marinha planejou gastar até US$ 9 bilhões em pesquisa e desenvolvimento no programa DDG-100 e até US$ 20 bilhões no design e entrega de sete navios. Mas o aumento dos custos levaram ao corte da produção para apenas três embarcações.

De acordo com a CNN, ele passará agora para a fase de instalação de armas, incluindo os mísseis com capacidade de atingir um alvo a 63 milhas de distância (cerca de 101 km), o triplo dos destróieres comuns. Também será equipado com um novo sistema de lançamento capaz de disparar 80 mísseis, incluindo mísseis cruzeiro Tomahawk e terra-ar Seasparrow.

A expectativa é que o Zumwalt carregue uma tripulação de 150 pessoas, contra os 275 das classes de destróieres anteriores, e possa levar dois helicópteros Seahawk ou quadro veículos aéreos não tripulados (drones).

O estaleiro pretende concluir a construção do navio e entregá-lo a Marinha no próximo ano.

l

Fonte: Terra

Categories
Conflitos Geopolítica Opinião

Shinzo Abe aposta que Japão retomará papel de liderança ao enfrentar a China

GERARD BAKER/GEORGE NISHIYAMA

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, disse que prevê o ressurgimento do Japão assumindo um papel de liderança mais assertiva na Ásia para contrabalançar o poder da China. O objetivo seria colocar Tóquio à frente dos países da região, que estão cada vez mais aflitos com a escalada militar de Pequim e a possibilidade de uma retirada americana.

Em entrevista exclusiva ao The Wall Street Journal, Abe também defendeu seu programa de reformas econômicas contra crescentes críticas de que o pacote carece de substância — apesar de ter oferecido poucos detalhes sobre os novos programas, ou um calendário, o que os investidores estrangeiros têm buscado ansiosamente.

“Eu percebi que há uma expectativa de que o Japão exerça uma liderança não apenas no plano econômico, mas também no de segurança na região da Ásia e da Oceania”, disse Abe, referindo-se a suas reuniões com líderes da região em uma série de encontros este mês.

Na sua tentativa de continuar a conciliar seu desejo de implementar políticas de estímulo econômico com a necessidade de pagar a enorme dívida japonesa, o primeiro-ministro disse que estava aberto para rever a segunda etapa de um plano para aumentar o imposto sobre vendas em 2015 se a economia enfraquecer depois do primeiro aumento ser implementado no segundo trimestre.

Menos de um ano após assumir o cargo, Abe já se tornou um dos primeiros-ministros do Japão mais influentes das últimas décadas. Ele chacoalhou a política econômica do país, na tentativa de tirar o Japão de uma recessão que dura 20 anos, e elaborou uma diplomacia mais ativa para um país cuja liderança global tem sido abalada por uma alta rotatividade de primeiros-ministros fracos.

Na entrevista, Abe traçou uma ligação direta entre a busca por um Japão próspero e um país exercendo maior influência na região e no mundo.

“O Japão encolheu demais nos últimos 15 anos”, disse o líder, explicando como as pessoas se tornaram “isoladas”, com alunos esquivando-se de oportunidades de estudar fora e uma população cada vez mais oposta à ideia de Tóquio prestar ajuda a outros países.

“Ao recuperar uma economia forte, o Japão também vai recuperar a confiança, e gostaríamos de contribuir mais para tornar o mundo um lugar melhor.”

A posição de Abe expressa durante a entrevista reflete sua visão nacionalista mais ampla e de longa data de um Japão mais assertivo, uma visão que, ele defende, pode quebrar as restrições impostas aos militares japoneses pela constituição pacifista do pós-guerra, elaborada pelos EUA — e que também tem sido prejudicada pelo declínio econômico.

Abe deixou claro que uma forma importante de o Japão “contribuir” seria se opor à China na Ásia.

“Há preocupações de que a China estaria tentando mudar o status quo a força, ao invés de seguir as leis. Mas se a China optar por seguir esse caminho, ela não será capaz de emergir de forma pacífica”, disse Abe.

“Portanto, ela não deveria escolher esse caminho, e muitos países esperam que o Japão expresse fortemente essa visão. E eles esperam que, como consequencia, a China atue de maneira responsável na comunidade internacional.”

O Ministério das Relações Exteriores da China não respondeu imediatamente a pedidos para comentar as afirmações de Abe. No passado, o governo chinês disse que o governo de Abe corria o risco de promover o renascimento do militarismo de direita no Japão.

Os comentários de Abe chegam num período de intensificação das tensões entre os dois gigantes asiáticos, com a redução drástica dos contatos diplomáticos de alto nível entre os países, em meio a uma disputa territorial no Mar da China Oriental. Apesar de o conflito preceder a data em que Abe assumiu o cargo de primeiro-ministro, em dezembro de 2012, Pequim o tem acusado de piorar as relações entre os países com uma retórica assertiva defendendo reivindicações do Japão e ampliando a defesa da guarda costeira no arquipélago conhecido como Senkaku, no Japão, e Diaoyu, na China.

Seus comentários também seguem meses de ativa diplomacia que o levou a marcar reuniões de cúpula com chefes de Estado em praticamente todos os países da região — com as notáveis exceções da China e da Coréia do Sul.

Em dezembro, ele pretende receber no Japão os líderes dos dez membros da Associação das Nações do Sudeste Asiático. O evento pretende celebrar os 40 anos dos laços do Japão com o bloco, que inclui países da Tailândia à Indonésia, passando pelas Filipinas e Myanmar, mas também para ampliar ainda mais o papel de líder do Japão numa região em que a China também tem procurado aumentar sua influência.

A busca de Abe por um papel maior estava plenamente explícita em encontros no Sudeste Asiático este mês, onde por meio de comentários públicos ele abertamente tomou partido das Filipinas na disputa territorial entre Manila e Pequim no Mar da China Meridional. O papel de Abe nessas reuniões foi amplificado pela ausência do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que cancelou sua participação nos encontros na Indonésia e Brunei por causa da paralisação em Washington em meio à discussão do aumento do teto da dívida.

Alguns líderes manifestaram preocupação que a ausência de Obama simbolizasse um recuo da participação e da influência americana na região, à medida em que as divisões políticas internas fragilizam o líder americano. Abe se recusou a responder diretamente a uma pergunta sobre se estaria preocupado com a queda da influência do aliado do Japão. “No mundo de hoje, há muitas coisas que só os EUA podem cuidar. E, neste contexto, os EUA assumem a liderança e esperamos que os EUA continuem fazendo isso.”

Abe tem acumulado um poder raro para um líder japonês, guiando seu partido este ano para o controle unificado do parlamento e aproveitando a popularidade de seu programa econômico, apelidado de Abenomics. Uma dose rápida de estímulo — com a política de incentivo monetário do Banco do Japão e novos gastos em projetos públicos — rendeu ao país o título de economia e mercado acionário que mais cresceram entre as nações desenvolvidas neste ano.

Mas, agora, o programa econômico de Abe está num momento decisivo. A próxima fase envolve debater reformas econômicas politicamente difíceis e medidas de desregulamentação, como tornar mais fácil às empresas realizar demissões ou reduzir proteções ao setor agrícola. Ele está enfrentando críticas cada vez mais fortes da imprensa local, economistas e investidores globais de que seus planos “pró- crescimento” são muito vagos.

Abe disse que o governo havia apresentado projetos de lei ao Parlamento, ressaltando que o que importa são os resultados.

“Estou ciente das várias críticas à minha estratégia de crescimento. Ela pode deixar a desejar em termos de recursos chamativos, mas acho que o importante é o resultado.”

Ele disse esperar que o desempenho da economia recue por causa do aumento de impostos entre abril e junho e que a chave está em como ela vai se recuperar depois desse período. “Eu gostaria de acompanhar cuidadosamente o quanto ela pode recuperar em julho, agosto e setembro. Então, eu tomarei uma decisão apropriada.”

Fonte: The Wall Street Journal

Categories
Geopolítica Negócios e serviços Opinião

Será o fim do milagre chinês?

JOSEF JOFFE

A história mostra que todo milagre econômico acaba perdendo a magia. Por quanto tempo a China poderá sustentar esse crescimento impressionante?

A grande questão do século XX não desapareceu no século XXI: Quem está do lado certo da história? É a democracia liberal, do poder vindo de baixo para cima, protegida pelos mercados, o Estado de Direito, a responsabilidade e a separação dos poderes? Ou é o centralismo despótico que passou por Hitler e Stalin e acabou adaptado, numa versão menos cruel, pelo atual modelo chinês, de um capitalismo estatal regido por um único partido?

A morte do comunismo não eliminou a grande questão. Simplesmente a fez repousar por duas décadas. Agora, a ascensão espetacular da China e as crises nas economias democráticas — bolhas e estouros, gastos exagerados e dívidas astronômicas — trouxeram à tona o que parecia enterrado com segurança num cemitério chamado “O fim da história”. Agora, os mortos estão levantando de suas covas. E muitos no Ocidente estão perguntando: Será que o capitalismo de cima para baixo, como o praticado no passado pelos “dragões” asiáticos (Coreia do Sul, Taiwan e Japão) e hoje pela China, não é o melhor caminho para a riqueza global do que a confusa e autoparalisante democracia liberal?

Aqueles que acreditam na “ascensão do resto” [das economias] pensam que amanhã será uma repetição de ontem — que a China continuará subindo. Mas a história nos ensina a ter cautela. O crescimento rápido caracterizou cada “milagre econômico” do passado. Começou com a Grã Bretanha, os Estados Unidos e a Alemanha no século XIX e continuou com o Japão, Taiwan, Coreia do Sul e a Alemanha Ocidental depois da Segunda Guerra Mundial. Mas nenhum desses países conseguiu sustentar o ritmo das primeiras décadas de crescimento e todos acabaram desacelerando, voltando a taxas [de crescimento] “normais”, à medida que a exuberância da juventude deu lugar à maturidade. O que é “normal”? Para os EUA, a média nas três décadas antes da crise de 2008 foi bem acima de 3%. Para a Alemanha foi de 3% para menos de 2%. O Japão caiu de 4,5% para 1,2%.

Tudo que sobe, cai e se nivela à medida que países progridem da agricultura para a manufatura e daí para uma economia de serviços e conhecimento. No processo, os campos se esvaziam e deixam de oferecer o que antes parecia ser um reservatório infinito de mão de obra barata. À medida que os investimentos fixos crescem, seus retornos declinam e cada unidade de capital gera menos retorno que a anterior. Esta é uma das leis econômicas mais antigas: a lei da redução dos retornos.

O efeito do nivelamento também se aplica às economias industrializadas que emergiram de uma fase de recuperação acelerada após uma guerra e destruição, como ocorreu no Japão e na Alemanha Ocidental depois da Segunda Guerra. Nos dois casos, o padrão é o mesmo. Pense num avião que decola e depois se ajusta a uma posição horizontal em sua rota normal de voo.

Só uma análise retrospectiva revela o que aconteceu. Em meados dos anos 70, o crescimento do Japão foi de 8% para abaixo de zero no espaço de dois anos. A Coreia do Sul, outro prodígio dos anos 70, foi de um crescimento de 12% para uma retração de 1,5%. Quando a Revolução Cultural se espalhou pela China na mesma década, o crescimento despencou do nível histórico de 19% para abaixo de zero. A história recente da China ilustra de forma perfeita o papel dos choques “exógenos”, cujas consequências são muito piores do que aquelas causadas por períodos de baixas cíclicas. Depois da guerra, tumultos domésticos são responsáveis pelas rupturas mais brutais no crescimento. Nos dois primeiros anos da Revolução Cultural, a taxa de crescimento da China encolheu em oito e sete pontos percentuais, respectivamente. Após o massacre da Praça de Tiananmen, em 1989, a taxa de crescimento do país caiu em dois dígitos, para 2,5%, por dois anos consecutivos.

A Revolução Cultural e o massacre de Tiananmen representam uma maldição que pode voltar a ameaçar a China no futuro: quanto mais forte for o controle do Estado, mais vulnerável fica a economia a choques políticos.

Hoje o mundo está hipnotizado pelo crescimento extraordinário da China. Mas não há razão para crer que a China desafiaria o veredicto da história econômica eternamente. Nenhum outro país escapou dessa história desde que Revolução Industrial abriu as portas para a expansão espetacular do Ocidente na metade do século XIX.

O que está por trás do entusiasmo excessivo pela China? Intelectuais do Ocidente de todas as linhas já tiveram um certo fascínio por grandes líderes. Pense na adulação de Jean-Paul Sartre por Stalin.

Hoje, aqueles que acreditam no declínio do Ocidente sucumbem a uma tentação semelhante. Eles estudam as crises vividas no mundo capitalista e olham para o milagre de 30 anos da China. Então, concluem mais uma vez que a supremacia do Estado, especialmente quando respaldada pelos mercados e por lucros, pode ser melhor do que a democracia liberal.

O poder faz gerar crescimento inicialmente, mas no longo prazo ele falha. Economias lideradas de cima para baixo são bem sucedidas no começo, mas fracassam depois, como o modelo soviético provou. Ou elas sequer chegam ao ponto de decolagem, como uma longa lista de imitadores demonstra, de Gamal Abdel Nasser, no Egito, a Fidel Castro, em Cuba. Nem mesmo os caudilhos populistas do século XXI têm se dado melhor, como ilustram a Argentina, o Equador e a Venezuela.

A modernização autoritária ou “guiada” planta as sementes de seu próprio fracasso. O sistema move montanhas quando jovem, mas acaba se tornando impenetrável e paralisado. Ele dá poder àqueles com interesses próprios que, como mostra a história, primeiro ignoram e depois resistem a mudanças porque elas significam uma ameaça mortal ao status e à renda que possuem.

A história não indica um bom presságio para a modernização autoritária, seja na forma do capitalismo “controlado”, “guiado” ou do Estado. O sistema congela ou se torna seu próprio inimigo, passando a devorar as sementes do crescimento espetacular e finalmente produzindo estagnação. Ou o país segue o caminho escolhido pelo Ocidente, no qual a primeira onda de crescimento espalha a riqueza, depois surge uma classe média, depois a democratização como o Estado do bem-estar social e a desaceleração do crescimento. Esse foi o caminho seguido por Taiwan e pela Coreia do Sul — as versões orientais da Ocidentalização.

A ironia é que tanto o despotismo quanto a democracia, por razões bem diferentes, são incompatíveis com um crescimento estonteante no longo prazo. Até agora a China tem conseguido enriquecer sem uma desaceleração ou revolta — um milagre político sem precedentes. Mas será que a China pode continuar nesse caminho? O veredicto da história não é encorajador.

JOSEF JOFFE: Professor de política externa americana da Universidade de Stanford, onde também é membro do Instituto Hoover de Estudos Internacionais. Ele lançará em breve o livro “The Myth of America’s Decline” pela editora Norton.

Fonte: The Wall Street Journal

Categories
Defesa Destaques Geopolítica Mísseis Sistemas de Armas

Estados Unidos e OTAN iniciam instalação do escudo antimísseis europeu

Sistema Aegis em terra com destino a Romênia

Os Estados Unidos e a OTAN começaram a instalar na Romênia uma base interceptora de foguetes que formará parte do sistema de defesa antimísseis na Europa. Pela ocasião, foi realizada nesta terça-feira, 29, uma cerimônia especial em uma base militar na cidade romena de Deveselu, onde os equipamentos serão implantados.

SM- 3 (“Aegis terra”) Mísseis interceptores

Participaram do evento o Presidente romeno, Traian Basescu, o porta-voz do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, James Miller, e o Vice-Secretário-geral da OTAN, Alexander Vershbow. Serão instaladas em Deveselu três baterias com 24 interceptores SM3. A base romena, cujo custo é estimado em mais de US$ 130 milhões, deve entrar em serviço em 2015. Outros elementos do escudo antimísseis serão implantados na Polônia, na Turquia e no Mar Mediterrâneo, em fases diferentes que deverão ser concluídas até 2018.

A OTAN assegura que o projeto serve apenas para proteger seus aliados das ameaças representadas pelo Irã e pela Coreia do Norte. A Rússia, por sua vez, considera o escudo uma ameaça à sua própria segurança e exige garantias legais de que o sistema não ficará apontado para o seu território.

Fonte: Diário da Rússia

Categories
Defesa Destaques Sistemas de Armas Tecnologia Vídeo

Vídeo: Robotic Warrior – A MULA da Lockheed Martin

Com seis rodas motrizes de forma independente, este veículo é projetado para lidar com praticamente qualquer campo de batalha e levar mais de uma tonelada de armas, equipamentos e tecnologia de vigilância.

Categories
Defesa Destaques Geopolítica Negócios e serviços Opinião Sistemas de Armas Tecnologia

Rússia se torna um “importante player” no mercado de armamentos da América Latina

pak-fa6

Os países latino-americanos ocupam um lugar especialmente importante nos contatos técnico-militares da Rússia.

O conceito tradicional de “exportação de armamentos” tem adquirido atualmente um sentido novo.

Além de fornecimentos avulsos de armas e de material de guerra de fabricação russa, Moscou propõe elevar a colaboração para um nível mais alto.

O diretor do serviço de colaboração técnico-militar, Alexander Fomin, que tinha visitado há pouco o Brasil e o Peru, declarou que é preciso entender que a situação não é mesma que há 40 anos: hoje os nossos parceiros querem receber não apenas amostras, mas também tecnologias.

“Para começar, pode se tratar da criação de capacidades instaladas de manutenção e modernização, a seguir, de empresas de montagem, depois, da produção de alguns componentes e, finalmente, da produção de armamentos de elevado conteúdo tecnológico”, – disse.

É sabido que vários países da América Latina estão promovendo a modernização dos seus exércitos nacionais. Na opinião de especialistas, quando da escolha de prioridades estratégicas, os dirigentes de alguns países, por exemplo, o Brasil e o Peru, têm adotado uma posição em grande parte independente em relação aos EUA e à OTAN.

Portanto, a proposta russa sobre a transferência da colaboração para um nível mais alto é perfeitamente atual, apesar da concorrência forte no mercado mundial de armamentos.

Todavia, dispomos de certas vantagens na América Latina, visto que nesta região, além de interesses comerciais importam, em primeiro lugar, as relações de confiança entre os parceiros. Na opinião do nosso perito militar Said Aminov, redator-chefe do periódico Boletim da Defesa Antiaérea, é precisamente este o caráter das relações entre a Rússia e a Venezuela.

O perito ressalta que estes contatos também se estabelecem com o Peru e com o Brasil. Ele diz:

“O trabalho nesta esfera realiza-se sob os auspícios da agência Rosoboronservice, que possui quadros qualificados.

Posso afirmar que, às vezes, as características dos armamentos têm menos importância do que o lobby por parte do Estado, que se torna a garantia da execução segura dos compromissos assumidos. O fato de que o próprio ministro da Defesa visita a América Latina, torna evidente a importância da opção estratégica no desenvolvimento da colaboração técnico-militar.

A visita da nossa delegação de nível tão alto reflete precisamente a importância do rumo escolhido.”

Cumpre assinalar também a variedade de amostras de material técnico de guerra, de armamentos e de sistemas inteiros, que a Rússia oferece para a exportação. A lista de exportação inclui as aeronaves dos mais diversos tipos, desde os helicópteros até aos caças dos últimos modelos, armas ligeiras modernas, modelos novos de tanques e sistemas altamente eficientes de defesa antiaérea, sem análogos no mundo. O perito russo Said Aminov prossegue.

“Creio que isso assegura um trabalho eficiente. Pode-se mencionar, em particular, os sistemas de defesa antiaérea – o complexo de mísseis e de canhões antiaéreos Pantsir-S1. O seu componente de combate e o radar, isto é, o sistema de detecção de alvos e de apontamento de mísseis, já foi testado muitas vezes tanto pelo exército russo, como pelos clientes, o que lhe proporciona uma boa perspectiva.”

Durante a visita da delegação russa ao Brasil foram também acordadas as condições de colaboração no quadro da criação do caça de quinta geração.

Discutiu-se a possibilidade de afetação de especialistas brasileiros neste processo. O ministro da Defesa Serguei Shoigu informou também que estão sendo examinadas duas variantes de interação.

Primeiro, criação de uma aeronave conjunta; segunda, a incorporação neste processo de projetistas e engenheiros brasileiros que “têm uma grande experiência neste setor”.

Portanto, – como disse o nosso ministro da Defesa, – a Rússia está pronta a desempenhar “o papel de grande jogador” no mercado de armamentos da América Latina.

Por isso, é perfeitamente lógica a recepção cordial que a ministra da Defesa da Venezuela ofereceu aos pilotos russos dos aviões estratégicos Tu-160.

As aeronaves pousaram no aeroporto de Maiketia depois de um voo sem escala de treze horas. A ministra Carmen Meléndez, que os recebeu no aeroporto, disse que “o futuro da Venezuela está ligado estreitamente à Federação Russa, que é um parceiro estratégico”.

 

Fonte: Voz da Rússia

Categories
Acidentes e Catástrofes Defesa Sistemas de Armas Vídeo

Vídeo: Acidente com o Kamov K-52 – Acionamento acidental do sistema de ejeção dos pilotos

Ambos os pilotos do helicóptero Ka-52 que caiu hoje no sudeste de Moscou foram hospitalizados.

Por enquanto, não há informação sobre o caráter de seus ferimentos. Não houve outros feridos no acidente.

Segundo uma fonte no Ministério da Defesa da Rússia, o aparelho sinistrado participava do programa de desenvolvimento da versão de Ka-52 destinada aos porta-helicópteros Mistral.

O acidente foi causado pelo acionamento, no momento de aterrissagem, do sistema de ejeção dos pilotos.

O helicóptero caiu perto da plataforma de pouso duma empresa aeronáutica, no bairro Zhulebino de Moscou. O aparelho não tinha armamentos a bordo mas, após sua queda, os tanques de combustível explodiram.

Fonte: Voz da Rússia

Categories
Conflitos Geopolítica Inteligência

Alemanha expulsará diplomatas dos EUA envolvidos com espionagem

Hans-Peter Friedich

O ministro do Interior da Alemanha, Hans-Peter Friedich, advertiu nesta terça-feira os Estados Unidos que, se for comprovado que um de seus diplomatas espionou ou infringiu a lei alemã, o mesmo será expulso do país. Em entrevista à emissora pública alemã ARD, o ministro alemão assegurou que, se as informações sobre a espionagem ao governo alemão forem confirmadas, “haverá as correspondentes consequências” e, portanto, “é correto o que escutam agora”.

“Está bastante claro que, se alguém aqui na embaixada ou em algum outro lugar for responsável ou culpado neste assunto, será sancionado e, se for diplomata, deverá abandonar o país”, afirmou Friedrich. Neste aspecto, o ministro acrescentou que essa “não seria a primeira vez que um diplomata seria expulso de uma embaixada” do país.

Friedrich ressaltou que o essencial neste momento é esclarecer o que o ocorreu e considerou que a Alemanha e EUA devem “responder em conjunto” as perguntas suscitadas em torno do programa de espionagem americano em solo alemão. De acordo com o ministro, neste momento, as autoridades americanas não têm respostas para muitas de suas perguntas.

Além disso, Friedrich se mostrou convencido de que, como consequência desse escândalo, a Alemanha deve repensar os acordos de transmissão de dados com os EUA e melhorar a segurança das comunicações, tanto no distrito governamental de Berlim como no conjunto da rede europeia.

No entanto, durante a entrevista citada, Friedrich enfatizou o fato de ser necessário “não cometer o erro de pôr em dúvida” o conjunto das relações bilaterais entre ambos os países, que qualificou de “boas e necessárias”.

Por sua parte, o comissário do governo alemão para a proteção de dados, Peter Schaar, pediu aos sócios europeus para que não atrasem a nova direção que fixará regras mais estritas para as empresas tecnológicas americanas que operam na UE. Segundo ele, esta norma deveria ser aprovada antes das próximas eleições ao Parlamento Europeu.

Schaar se mostrou a favor da proposta da Eurocâmara para suspender o acordo de transferência de dados bancários, assinado com os EUA com base na luta antiterrorista, até que se esclareça o escândalo de espionagem dos serviços secretos americanos à Europa.

EFE

Fonte: Terra

Categories
Brasil Defesa Destaques Negócios e serviços Tecnologia

Batimento de Quilha do Navio de Pesquisa Hidroceanográfico “Vital de Oliveira”

NPqHo-“Vital-de-Oliveira”

No dia 16 de outubro, na cidade de Xinhui, na República Popular da China, foi realizado o batimento de quilha do Navio de Pesquisa Hidroceanográfico (NPqHo) “Vital de Oliveira”, em cerimônia no estaleiro “Guangzhou Hantong Shipbuilding and Shipping Co. Ltda”. O evento foi marcado pelo ato simbólico de “martelar” a quilha, que representa o “nascimento” da embarcação.

A obtenção do NPqHo decorre da necessidade premente do País em implementar Planos Setoriais que visem obter o conhecimento científico e as potencialidades existentes na “Amazônia Azul”. Sua aquisição é fruto de uma parceria entre a Marinha do Brasil, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, a PETROBRAS e a VALE S/A.

O “Vital de Oliveira” será empregado, prioritariamente, no monitoramento e caracterização física, química, biológica, geológica e ambiental de áreas marítimas, para a futura exploração de recursos naturais.

VitaldeOliveira_Quilha

O NPqHo “Vital de Oliveira” tem como características básicas de projeto:

a) Comprimento total: 78 m;
b) Boca: 20 m;
c) Calado: 4,8 m;
d) Deslocamento: 3.500 t;
e) Velocidade máxima mantida (VMM): 12 nós;
f) Velocidade econômica de cruzeiro (VEC): 10 nós; e
g) Autonomia: 60 dias.

Fonte: Segurança & Defesa