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Caça Chinês J-20 em voo teste com motores diferentes

J20 J201 J202

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SUCESSIVOS AVANÇOS TECNOLÓGICOS NOS 21 ANOS DO REGIME MILITAR BRASILEIRO (31/03/1964 a 31/03/1985)

Presidentes Militares 1964 a 1985

“Números servem para dimensionar. É a partir de números confiáveis que podemos tomar decisões sensatas. Na formulação de políticas públicas está mais do que clara a necessidade de dados que dimensionem corretamente os problemas para que se possam desenhar soluções adequadas.” Ilona Szabó, coordenadora da Comissão Global de Política sobre Drogas e Democracia

“O Brasil em três momentos foi pensado em longo prazo e planejado estrategicamente. No governo Getúlio Vargas, no governo Juscelino Kubitschek e com os militares.

Os militares, com todos os defeitos de visão política que tiveram, pensaram o Brasil estrategicamente, porque construíram o Proalcool, construíram o pólo petroquímico, construíram um sistema de telecomunicações razoável.

Nos planos decenais dos militares, o Brasil era pensado para períodos de dez anos. O defeito é que hoje o Brasil é pensado apenas de mandato em mandato.”

Se você não pensar para gerações, você não constrói nada.” Luiz Inácio Lula da Silva, ex-Presidente da República

 

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Regime Militar (1964 a 1985) – Lula faz elogios a Médici e Geisel durante cerimônia

Preâmbulo por, Gérsio Mutti

Caros senhores, Editores e Comentarista do Blog Plano Brasil, a data oficial do Descobrimento do Brasil é 22 de abril de 1500. Dessa data até 7 de setembro de 1822, decorreram 322 anos de Brasil-Colônia; e de 7 desetembro de 1822 até o dia de hoje, contam-se 191 anos de Brasil-Independente.
Somente daqui a 131 anos, portanto em 2144, o Brasil-Independente estará empatado com o Brasil-Colônia. Com certeza, nenhum de nós estará aqui!
A partir dessa curiosidade contábil, o Brasil-Independente contemporâneo pode ser analisado por três abordagens:
Primeira abordagem: Devemos à Família Imperial Bragança, nas pessoas dos Imperadores do Brasil, Pedro I e Pedro II, a unidade territorial do país, que se encontra intacta no tempo, ontem e hoje;
Segunda abordagem: Devemos a Getúlio Vargas, a idéia atual de Brasil-Nação-Unida-e-Soberana. Nesse sentido Getúlio Vargas, a despeito de todas as críticas, foi um “estadista” e esse reconhecimento já faz parte da História do Brasil; e
Terceira abordagem: O Brasil foi pensado em termos de longo prazo e planejado estratégicamente, nos governos de Getúlio Vargas, Jucelino Kubitschek , e no período do Regime Militar (1964 a 1985), nas palavras do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Em tempo, sobre a matéria postada no Plano Brasil, de segunda-feira, 09/09/2013:  HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA: HÁ 30 ANOS, FOI NOTÍCIA NA ZERO HORA DE PORTO ALEGRE (RS), “GOVERNO BRASILEIRO VETA A COPA DO MUNDO NO BRASIL”, o filho do Presidente, João Figueiredo (1979-1985), Paulo Figueiredo, conta do porque o seu pai se recusou a trazer a Copa do Mundo para o Brasil .

“O Velho (João Figueiredo) não concordava que o país dispendesse quase 1 bilhão de dólares (valor abissal para os números daquela época) para tentar satisfazer o caderno de encargos da Fifa, principalmente diante do quadro de enorme dificuldade financeira que o Brasil atravessava. Uma situação cambial dramática, resultante de um aperto histórico na liquidez internacional – taxa de juros internacionais de 22% a.a, barril de petróleo a 50 dólares no mercado spot –  agravada pela necessidade de se dar continuidade a um importantíssimo conjunto de obras de infraestrutura. Muitas delas iniciadas, diga-se de passagem, em governos anteriores, mas que não poderiam ser paralisadas por serem realmente de vital importância para a continuidade do nosso desenvolvimento.

Para se ter uma idéia: produzíamos apenas, em 1979 (quando houve o segundo “oil shock”) 164.000 barris de petróleo por dia, contra uma demanda de 1,2 milhões. Um forte investimento nos programas de prospecção e mudança no perfil do refino, associado à criação e implementação do Proácool, permitiu que em 1985 se atingisse uma produção de 640 mil barris/dia , fora a triplicação das reservas cubadas de gás, e ainda tivéssemos grande parte da bacia de Campos instalada (o que, sem medo de falar bobagem, até hoje garante o abastecimento do nosso carro ou o óleo diesel do nosso busão.)

Realmente, era contrastante com o que se fez (ou melhor, o que NÃO se fez) nos governos seguintes :

– várias hidrelétricas, começando por Itaipu – até hoje é a segunda maior do mundo, além de Tucuruí, Balbina, Sobradinho, etc, todas com as suas gigantescas linhas de transmissão; conclusão da expansão de todas as grandes siderúrgicas (CSN, Usiminas, Cosipa e outras – que fizeram o Brasil passar de crônico importador para exportador de aço) ;

– conclusão das usinas de Angra 1 e 2; um programa agrícola que permitiu que ainda hoje estejamos colhendo os frutos da disparada de produção de grãos – graças à Embrapa, ao programa dos cerrados e ao programa “Plante que o João garante”;

– um salto formidável nas telecomunicações, até então ridículas;

– multiplicação da malha rodoviária – a mesma, praticamente, na qual hoje ainda rodamos, só que agora sucateada e abandonada; inauguração de dois metrôs : Rio e São Paulo; instalação de vários açudes no sertão nordestino ; e,         

– o que não vejo ninguém da mídia mencionar (até porque não lhes interessa) : a construção de 2,4 milhões de casas populares, mais do que toda a história do BNH até então, e muito mais do que a soma de todos os outros governos (?!) que sucederam.”

Em tempo, preparativos para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil de hoje, em 2013:

“O Comitê Organizador da Copa do Mundo no Brasil foi chamado à sede da Fifa, na Suíça. É que o orçamento já estourou em mais de US$ 10 milhões. Terá que dar explicações dos gastos, mas pedirá mais dinheiro.” Coluna do Anselmo Gois, O Globo, Rio, Página 26, Sábado, 28/09/2013

 

Recomendo leitura complementar, sobre os avanços da ciência brasileira no período do Regime Militar (1964 a 1985).

Com a Palavra os senhores Comentaristas do Blog Plano Brasil.

LEITURA COMPLEMENTAR:

 

HISTÓRIA POLÍTICA E CULTURAL DA CIÊNCIA BRASILEIRA NO PERÍODO DA DITADURA MILITAR, por Elias da Silva Maia / Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH • São Paulo, julho 2011

A pesquisa tomará como base o corte cronológico 1964/1985, problematizando precisamente os anos 60 e os anos 70.

O fim do governo de Costa e Silva e a entrada do governo Médici, (1968 a 1974) são marcados por três iniciativas para o desenvolvimento científico no país, são elas as reformas universitárias; a institucionalização da pós-graduação; a criação da carreira de dedicação exclusiva, portanto todas ligadas às universidades. Podemos perceber que essas iniciativas fixaram os pesquisadores aqui no país e aumentou significativamente o financiamento nas áreas da ciência e da tecnologia.

Visando uma delimitação mais precisa tomaremos como base a história da UFRJ nesse período, quando é possível identificar um processo de modernização e instrumentalização dos seus laboratórios.

O desenvolvimento cientifico nos institutos e departamentos da UFRJ no final da década de 60 e início de 70 contou com esses instrumentos científicos que equiparam seus laboratórios. Esses instrumentos entre outras coisas eram fruto de acordos bilaterais que pretendiam solucionar problemas ligados ao desenvolvimento cientifico e tecnológico do país.

É fato que inúmeros instrumentos foram enviados para varias instituições em todo o Brasil, eu mesmo tenho encontrado através de visitas pelo país que muitos institutos de pesquisa e departamentos não só universitários, ainda possuem esses objetos, inclusive alguns ainda em uso.

Ao longo das décadas de 60 e 70 sucessivos acordos foram assinados e seguiam a mesma lógica de intercâmbio e cooperação cientifica. O primeiro acordo aqui identificado foi o Acordo Básico de Cooperação Técnica com a Republica Federal da Alemanha, o acordo foi elaborado em novembro de 1963, mas firmado através de decreto em maio de 1964 já dentro do regime militar.

Um outro acordo cultural feito com a Republica Federal da Alemanha no final dos anos 60 foi concretizado em janeiro de 1971. No artigo 1º. As partes se propõem a promover o intercambio educacional, cultural e cientifico, o 4º. artigo é mais específico e propõe a aproximação entre as universidades, estabelecimentos de ensino superior e demais instituições culturais e cientificas, assim como intercâmbio de professores e cientistas. No 8º. Artigo recomenda que haja facilidade de entrada de instrumentos científicos entre outros materiais de caráter cultural.

Questões finais

Não resta dúvida que o projeto idealizado pelos militares deveria levar em conta o aperfeiçoamento humano e a modernização nas áreas da ciência e da tecnologia, já que esses elementos seriam fundamentais para o desenvolvimento nacional.

Alguns campos do conhecimento desempenharam papel de destaque e se constituíram como conhecimentos estratégicos para o controle dos recursos naturais e para o próprio desenvolvimento da ciência e da tecnologia no Brasil.

Além disso, havia a preocupação com o aumento do nível de profissionalização que surgiria com melhor aparelhamento dos laboratórios.”

Para ler toda a matéria de Elias da Silva Maia, acesse o link da fonte da leitura complementar acima.

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Defesa Tecnologia

Ministro da Defesa visita a Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas

UFESANo dia 9 de agosto de 2013, o Ministro da Defesa, Embaixador Celso Amorim, realizou o reconhecimento das seções três e quatro do submarino convencional (SBR-1), entregues pela França ao Brasil, em 1º de junho de 2013.
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Ministro da Defesa visita a Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas

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Defesa Negócios e serviços Sistemas de Armas

Grande sucesso das exportações militares chinesas

J-600T Yildirim, defesa antiaérea, china, turquia

J-600T Yildirim

A vitória no concurso de fornecimento de sistemas de mísseis antiaéreos de grande alcance às Forças Armadas da Turquia é o maior sucesso das exportações militares chinesas. Se o respectivo acordo for assinado, este será, provavelmente, o maior contrato na história dos fornecimentos de armamentos chineses ao exterior.

A vitória está sendo celebrada pela Corporação de Exportação e de Importação de Máquinas de Precisão da China (CPMIEC), como companhia fornecedora, e o Segundo Instituto de Pesquisas Científicas da Corporação Aeroespacial Científica e Industrial da China (CASIC), como empresa produtora. As duas companhias ultrapassaram no concurso três concorrentes: a companhia americana Raytheon, que apresentou o sistema PAC 3, a europeia Eurosam com o sistema SAMP/T Aster 30 e a Rosoboronexport russa, que propôs o sistema S-300VM. Como acontece frequentemente em tais casos, as características táticas-técnicas das armas apresentadas estiveram no segundo plano. As mais importantes foram as condições do financiamento da transação e a disposição de transferir tecnologias.

Os chineses fizeram descontos consideráveis, baixando o preço dos 4 bilhões de dólares iniciais para quase 3 bilhões. Este fato teve grande importância para a Turquia que depara com problemas orçamentais. Ainda mais importante foi a disposição da China de transferir no máximo as tecnologias, a qual foi demonstrada no quadro dos anteriores contratos militar-técnicos concluídos com a Turquia. Nos anos 90 do século passado, a Turquia, por exemplo, começou a produzir com a ajuda chinesa seu primeiro foguete balístico J-600T Yildirim, que assenta na tecnologia chinesa aplicada no sistema B-611. Na altura, as mesmas CPMIEC e CASIC se apresentaram também como parceiras da empresa turca Rocketsan.

O J-600T não é o único resultado da cooperação turco-chinesa na esfera da indústria defensiva, que começou ainda nos anos 80. A China fornecia à Turquia seus sistemas pesados de lançamento múltiplo de foguetes WS-1, que posteriormente passaram a ser produzidas por empresas turcas por licença. Os países também cooperam na produção de munições de aviação de alta precisão e de foguetes ar-superfície. Está em andamento o programa de desenvolvimento da produção de bombas de aviação corrigíveis na Turquia com a assistência da China. As CPMIEC e CASIC também participaram como parceiras em muitos desses projetos.

A Rússia, pelo contrário, não teve grandes probabilidades para vencer o concordo. Apesar de rápido crescimento de trocas comerciais, as relações políticas entre a Rússia e Turquia não se caracterizam por um alto nível de confiança. A Rússia, contrariamente a pedidos da Turquia, renunciou a apresentar no concurso o seu melhor sistema S-400, propondo em troca o S-300VM, que nas Forças Armadas russas se utiliza principalmente em sistemas de defesa antiaérea das tropas terrestres. Por outro lado, não há certeza que, mesmo no caso da vitória no concurso, a Rússia estaria disposta a fornecer em grau considerável tecnologias como a China.

Os mais importantes concorrentes de produtores turcos foram os europeus com seu sistema SAMP/T. A Turquia depende plenamente das relações econômicas com a Europa. A indústria civil turca se desenvolve principalmente à conta de investimentos e tecnologias europeias. O papel da Europa também é decisivo no desenvolvimento da indústria defensiva. Durante muito tempo a Turquia construía planos de entrar na UE e, embora estes planos não levassem ao resultado almejado, as relações com os principais países europeus, tais como a Alemanha, são muito importantes para a Turquia.

As posições dos EUA foram mais fracas, mas também consideráveis, levando em consideração a participação da Turquia da OTAN e uma grande experiência da aplicação militar real de sistemas de mísseis antiaéreos Patriot contra foguetes balísticos. Possivelmente, uma das causas pela qual a Turquia fez sua opção a favor do sistema chinês foi a vontade de demonstrar a independência e multipolaridade de sua política externa.

Contudo, não se pode considerar como resolvido em 100% o problema do futuro sistema para a defesa antiaérea da Turquia. A China e Turquia terão ainda conversações complexas sobre os parâmetros técnicos concretos de transferência de tecnologias e a modificação do sistema de acordo com as exigências turcas. A experiência mundial mostra que tais conversações podem ser longas e difíceis. A Turquia entra na OTAN, o que, em particular, a obriga a manter em secreto muitos aspectos da edificação militar, comuns para os países do bloco. Não é de excluir que, no quadro da elaboração do contrato comercial com a China sobre o fornecimento de sistemas, os EUA e países da União Europeia tentem pressionar politicamente a Turquia com o fim de fazer frustrar o acordo. No entanto, a vitória nesse concurso é um avanço muito importante da China no mercado mundial de armamentos.

Os fatos citados e as opiniões expressos são da responsabilidade do autor.

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Defesa Sistemas de Armas

Super Puma para Bolívia

SuperPuma

Juan Carlos Cicalesi e Augistín Puetz

No dia 24 de setembro, o presidente da França, François Hollande, se comprometeu com o seu colega da Bolívia, Evo Morales, a acelerar os procedimentos para aquisição de seis helicópteros Eurocopter Super Puma para a luta antidroga na Bolívia. Hollande determinou a aceleração do processo, para permitir a entrega dos dois primeiros helicópteros no primeiro semestre de 2014.

Fonte: Segurança&Defesa

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Defesa Sistemas de Armas

Três “Super Dvora” para a Marinha de Israel

O divisão Ramta da Israel Aerospace Industries (IAI) recebeu um contrato para o fornecimento de três lanchas rápidas “Super Dvora” Mk.3 à Marinha de Israel. As embarcações serão usadas para patrulha, proteção do litoral israelense, prevenção de atividades terroristas, de infiltração, contrabando, etc.

Em sua categoria, o “Super Dvora” é considerado uma das embarcações mais capazes, e atualmente a variante Mk.3 (Foto: IAI) está sendo avaliada por diversos países.

Fonte: Segurança&Defesa

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Brasil Conflitos Destaques Uncategorized

Brasileiras lutam na guerra Síria

As brasileiras Bianca Dias Amaral e Letícia Pokorny percorreram durante horas um trajeto perigoso para entrar ilegalmente em um país de onde 2 milhões de pessoas já fugiram: a Síria.

Com alguns meses de diferença, as duas partiram da Turquia com o mesmo objetivo: chegar a dois hospitais no norte do país para ajudar civis, vítimas da guerra ou de problemas decorrentes dela, como a escassez total de serviços básicos de saúde.

Como os dois hospitais – ambos mantidos pela ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) – ficavam em áreas controladas pelos rebeldes, as duas tiveram que cruzar a fronteira ilegalmente.

“Foi muito assustador. Atravessei um descampado por umas três horas e, o tempo todo, ia ouvindo os bombardeios, sem parar. Quando cheguei em uma rodovia de terra, tive de correr por uns 500 metros, sem olhar para trás”, conta Bianca, uma obstetra de 30 anos que, para o desespero de sua família, foi para Síria em sua primeira missão no MSF.

Já a fisioterapeuta Letícia, de 37 anos, havia acabado de passar alguns meses na Líbia quando foi chamada para ir para Síria, sua 11º missão para a ONG.

Com bagagens diferentes, elas contam à BBC Brasil os desafios que enfrentaram, os medos e também os momentos recompensadores.

Bianca Dias Amaral, obstetra

Como você foi chamada para ir à Síria?

Bianca Dias Amaral – Quando o pessoal do MSF me ligou perguntando se eu queria ir para a Síria, fiquei muito surpresa, porque normalmente eles mandariam pessoas mais experientes para um local assim. Então pedi um dia para pensar. Após 12 horas, estava convicta de que não iria. Porque mesmo indo com uma ONG desse porte, há coisas contras as quais você não pode se proteger. Quando liguei para comunicar minha decisão, conversando com a coordenadora, eu aceitei, pois vi que era exatamente isso que eu queria. Embarquei no começo de abril e fiquei até o fim de junho.

Como era sua rotina lá?

Bianca – Meu trabalho envolvia justamente a área da saúde básica, algo que ficou totalmente comprometido com a guerra, já que os hospitais foram destruídos e a maioria dos profissionais fugiu. Fazia partos, pré-natal, consultas. O ritmo de trabalho era intenso, porque além do trabalho durante o dia, também corria para o hospital toda vez que uma grávida chegava para ter o bebê. Em 9 semanas, só em 3 noites não fui chamada.

Você sentia que estava em um país em guerra?

Bianca – Após um mês e meio, houve um grande ataque. Bombas caíram perto do hospital. As paredes tremiam e o barulho era ensurdecedor. Atendemos dezenas de feridos. Depois, ficamos sabendo que as tropas do governo estavam marchando em nossa direção. E não sabíamos se iam conseguir nos tirar de lá ou não. Esse foi meu pior momento. Uma hora, percebi que estava respirando muito ofegante, mas eu não estava correndo nem nada, estava sentada na minha cama, parada. Estava em pânico.

E vocês foram retirados no final? Como foi?

Bianca – Sim. Quando saí, senti um misto de alívio por deixar aquele lugar, algo bem egoísta, com uma sensação de frustração, por estar abandonando as pessoas que já haviam sido abandonadas por todo mundo. Mas a situação melhorou e voltamos depois de alguns dias.

Como foi trabalhar em um país muçulmano?

Bianca – Eu usava véu e blusa cobrindo os braços, o que às vezes era complicado por causa do calor. Mas nunca sofri nenhum tipo de preconceito por ser mulher. Também me fez aprender um pouco de árabe, principalmente os termos ligados a parto, seja alguma palavra técnica até a saudação que eles fazem quando o bebê nasce. E achei curioso que, em vez do marido, é a sogra que acompanha a gestante na hora do parto.

No que essa missão te marcou?

Bianca – Fiquei muito impressionada com o comprometimento dos sírios que, apesar de tudo, decidiram ficar no país e resolveram ajudar, como a minha tradutora, que era estudante de literatura em Aleppo antes de a guerra estourar. Meu jeito de trabalhar não mudou tanto, mas, pessoalmente, sou outra. Mudou tudo. Minhas preocupações, minhas prioridades.

Pra onde você vai agora?

Bianca – Vou para o Quênia por 14 meses. E estou torcendo para minha mãe ter esquecido sobre o ataque ao shopping da capital. Mas é uma missão mais tranquila, em que serei a supervisora de saúde da mulher, com serviços como pré-natal, parto, ações relacionadas ao HIV, violência sexual.

Letícia Pokorny, fisioterapeuta

Como você foi parar na Síria?

Letícia – Eu tinha acabado uma missão de cinco meses na Líbia e já tinha dito que queria ir para Síria. De repente, me ligaram perguntando: Quer ir semana que vem? Topei na hora. Fui no final de junho, e fiquei 6 semanas.

O que sua família disse quando você contou para onde estava indo?

Letícia – Ah, essa já era minha 11ª missão, então eles já estavam acostumados. Na verdade, todos me acham meio louca, mas também me admiram. O meu trabalho acabou incentivando meu pai – que é urologista – a se inscrever no MSF e a ir a uma missão na África. Quando ele voltou, após seis semanas, disse: “Agora eu consigo conversar contigo, filha”. E ele já está louco para ir de novo.

Qual era sua função lá na Síria?

Letícia – Fui escalada para montar o serviço de fisioterapia local para tratar especialmente pacientes vítimas de queimaduras. Isso porque, diante do conflito, não há combustível para vender e as pessoas começam a “destilar” no quintal de casa, para consumo próprio ou para conseguir um dinheiro extra. E, claro, há muitos acidentes. Mais de 50% dos queimados lá são vítimas desse tipo de acidente doméstico. A fisioterapia ajuda a evitar complicações após queimaduras, com impedir a fraqueza muscular e “descolar” tecidos colados (como na região das axilas).

Qual foi foi a parte mais difícil?

Letícia – Sem dúvida, trabalhar com crianças. Elas não entendem que aquele exercício tão dolorido para quem está com a pele queimada vai ser recompensador. Os pais, no começo, tampouco entendem. Imploram para a gente parar. “Por favor, pare de machucar meu filho”, me pedem. Mas depois veem o quanto ajuda, e são super gratos. Algumas famílias são mais duras e conseguem aguentar ver as crianças com dor. Mas às vezes é você quem precisa ser mais dura.

Algum caso te marcou?

Letícia – Lembro de um menino de 9 anos, que sofreu queimaduras de combustível nas pernas. O caso dele não era tão grave, mas ele simplesmente não caminhava porque a família não o incentivava a andar, já que isso causaria dor e eles queriam poupá-lo. Fiquei muito chocada. Uma criança simplesmente desaprendendo a andar. Chamei a mãe da criança, expliquei, mas não adiantou. Na semana seguinte, chamei o pai e endureci a conversa, ameacei internar o menino. Funcionou. E em 15 dias, ele estava andando normalmente. Nesses casos, é preciso firmeza, tendo um cuidado em respeitar a cultura deles, claro.

E com adultos?

Letícia – Nesse hospital sírio, tratei de um homem que havia sido arremessado a 40 metros de distância após a explosão de um tanque de combustível. Ele tinha perdido a esperança. Mas depois de dias de tratamento, lembro do filho dele gritando pelo hospital: “Meu pai melhorou! Ele conseguiu sentar na cama!”. Quando ele saiu do hospital foi incrível. Só de ver os olhos e o sorriso dele, me bastou.

Você sofreu algum tipo de preconceito?

Letícia – Nenhum, foi mais fácil do que eu esperava. Na Líbia por exemplo, eu não podia tocar homens, então, tinha de trabalhar junto com um fisioterapeuta homem.

Como o brasileiro é visto lá na Síria?

Letícia – É sempre muito bem-vindo. O brasileiro se adapta melhor e tem mais imaginação. É preciso saber lidar com situações assim, adversas – e o brasileiro faz isso bem.

Como se preparar para uma missão dessas?

Letícia – Mesmo depois desses anos, ainda me choco, vejo coisas de cair o queixo. Mas simplesmente não tem como se preparar para isso.

BBC Brasil

Fonte: Terra

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Conflitos Segurança Pública

Quênia: soldados saquearam shopping em vez de combater terroristas

Os vídeos do circuito fechado de segurança do centro comercial Westgate, no Quênia, divulgados nesta quinta-feira por um jornal local, revelaram que vários soldados do Exército saquearam lojas do shopping, durante o ataque que começou no último dia 21 dos radicais islâmicos da milícia Al-Shabab. O jornal local Star divulgou as imagens que confirmam os maciços saques denunciados nos últimos dias pelos empresários com lojas em Westgate.

“As imagens mostram que o saque começou depois que o Exército tomou o controle da operação em Westgate, no sábado (21 de setembro) à noite”, poucas horas depois da entrada dos fundamentalistas islâmicos somalis no shopping, denunciou o jornal. “É possível ver três soldados saindo do supermercado Nakumatt com sacolas de plástico cheias de dinheiro” enquanto os serviços de emergência retiravam mortos e feridos, e ainda havia um número indeterminado de reféns.

Segundo a fonte, nenhum dos soldados cobriu o rosto ou o escondeu com bonés ou capacetes, e seus rostos são perfeitamente visíveis. Outro militar aparece “saindo do supermercado e caminhando para o estacionamento com duas grandes sacolas de plástico (cheias)” para voltar a cena dez minutos depois, e entrar de novo nas lojas

Entre 19h08 e 22h30 da noite do início do ataque, quando não há disparos registrados no centro comercial, as fitas de vigilância mostram vários soldados caminhando e conversando, “e não parecem estar escondendo-se de nenhum perigo”, afirma o jornal queniano. “Quase todas as lojas foram saqueadas, menos a sapataria Bata”, que acrescenta que vídeos gravados por testemunhas mostram garrafas vazias na cafeteria Artcaffè “após uma diversão”.

As fitas, que também mostram cenas dos atacantes, estão sendo revisadas pela Polícia, aponta Star. Nelas é possível ver quatro terroristas entrarem no centro comercial às 13h03 (local, 22h03 em Brasília). Dois dos terroristas dispararam contra os guardas de segurança (que não andam armados), e pode se ver os outros dois que entram disparando do estacionamento.

Fontes policiais citadas disem que a investigação tenta reconstruir a cronologia dos acontecimentos a partir dessas fitas.

O que ainda se desconhece – e há várias versões contraditórias ao respeito – é como desabou o estacionamento superior do Westgate, já que o Exército do Quênia cortou a energia elétrica e as câmeras deixaram de funcionar.

O ataque, que durou do dia 21 ao 24 de setembro, deixou pelo menos 74 mortos, e a Cruz Vermelha contabiliza ainda uma lista de 39 pessoas desaparecidas.

EFE

Fonte: Terra

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Defesa Destaques Geopolítica Sistemas de Armas

Japão e EUA revisarão pacto de defesa e instalarão novo radar de mísseis

Os ministros de Defesa e das Relações Exteriores do Japão e dos Estados Unidos chegaram a um acordo nesta quinta-feira para revisar a aliança militar dos dois países pela primeira vez em 16 anos e instalaram um novo sistema de radar em solo japonês destinado a melhorar a detecção de lançamentos de mísseis balísticos.

Em reunião realizada em Tóquio, os ministros das Relações Exteriores e Defesa japoneses, Fumio Kishida e Itsunori Onodera, e os secretários de Estado e Defesa dos EUA, John Kerry e Chuck Hagel, aprovaram uma revisão da aliança pela primeira vez desde 1997 para adaptá-lo às mudanças no panorama de segurança da região.

O novo pacto deverá ficar pronto antes do final de 2014. As quatro autoridades também confirmaram a instalação de um sistema de radar na base Kyogamisaki, da força aérea japonesa, situada no litoral de Kioto, no Mar do Japão.

O lugar foi escolhido pois se um míssil for lançado pelo regime norte-coreano com alvo em Guam ou Havaí, dois pontos estrategicamente importantes para os EUA, os projéteis sobrevoariam esta região do Japão.

Este radar, capaz de rastrear com precisão a trajetória de um míssil balístico, permitirá às forças americanas lançar projéteis de terra firme ou do mar para interceptar um míssil.

Além disso, a informação detectada pelo radar seria transmitida imediatamente às tropas do Japão caso o objetivo for seu território.

Na declaração conjunta publicada após a reunião, os quatro ministros pediram novamente que a China “desempenhe um papel responsável e construtivo para a estabilidade e prosperidade regional”.

Os Estados Unidos também se comprometeram a melhorar sua presença militar no Japão e por isso enviará ao Japão nos próximos dois anos dois esquadrões de aviões Osprey, um avião de patrulha marítima P-8, aviões não tripulados e caças F-35.

Aeronave tripulada mais sofisticada do mundo para fugir de radares, o F-35, que ainda se encontra em desenvolvimento, será entregue ao Japão em 2017. Será a primeira vez que Washington utilizará o caça fora dos EUA.

Após o encontro, ambas as partes confirmaram além disso que a transferência de milhares de fuzileiros americanos que estavam na ilha japonesa de Okinawa para Guam começará na primeira metade da próxima década.

asb/dk

EFE

Fonte: Terra

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Conflitos Geopolítica

Rússia e EUA preparam reunião de Putin e Obama durante cúpula do Apec

A Rússia e os Estados Unidos preparam uma reunião bilateral de seus presidentes, Vladimir Putin e Barack Obama, respectivamente, no próximo dia 7 de outubro durante a cúpula de líderes do Apec que será realizada em Bali (Indonésia), anunciou nesta quinta-feira o assesor da Presidência russa, Yuri Ushakov.

“Os parâmetros organizativos deste encontro estão sendo acordados pelas partes neste momento e achamos que o encontro vai acontecer”, explicou o assessor de Putin em entrevista coletiva.

Está previsto que os dois líderes falem sobre “o desenvolvimento dos acordos e as perspectivas do trabalho conjunto” sobre a resolução do conflito na Síria e a destruição do arsenal químico do país ordenada por uma recente resolução do Conselho de Segurança da ONU, antecipou Ushakov.

Seria a primeira reunião bilateral entre os dois presidentes depois da realizada em junho durante a Cúpula do Grupo dos Oito países mais desenvolvidos (G8) na Irlanda do Norte.

A visita que Obama tinha previsto a Moscou no início de setembro e também o encontro bilateral com Putin na cúpula do G20 de São Petersburgo foram cancelados pela Casa Branca depois que Moscou concedeu asilo temporário ao ex-analista da CIA Edward Snowden, que denunciou a espionagem das comunicações em massa por Washington.

No entanto, a cúpula do G20 (grupo de países desenvolvidos e emergentes), à qual o líder americano chegou após ameaçar à Síria de uma intervenção militar iminente, foi para Putin o início do que se transformaria em uma das maiores vitórias diplomáticas de sua carreira política.

Uma proposta que o líder do Kremlin fez a Obama durante o jantar informal da cúpula tornou-se na solução para evitar o ataque contra o país árabe.

Putin ofereceu ao líder americano conseguir do regime sírio de Bashar al-Assad o compromisso de colocar suas armas químicas sob o controle internacional.

Segundo Ushakov, a reunião em Bali também “é uma proposta russa, apoiada em seguida pela parte americana”.

“É bastante lógico, levando em conta o trabalho sobre a Síria, manter uma reunião em Bali”, afirmou Ushakov.

O Fórum de Cooperação Econômica Ásia Pacífico (Apec) conta com 21 economias desta região: Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Estados Unidos, Rússia, Filipinas, Hong Kong, Indonésia, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Papua Nova Guiné, Peru, Coreia do Sul, China, Cingapura, Tailândia, Taiwan e Vietnã.

EFE

Fonte: Terra