O governo boliviano promoverá uma ação judicial internacional contra o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, por crimes contra a humanidade, anunciou nesta quinta-feira o presidente Evo Morales.
Em entrevista coletiva, Morales disse que acusará Obama por “espionagem, políticas de amedrontamento e intimidação, e por proibir o voo sobre Porto Rico” do avião presidencial do líder venezuelano, Nicolás Maduro, durante a viagem que fará à China.
“Quero comunicar que, agora, com mais força, vamos preparar uma ação internacional nos tribunais para que Obama e seu governo sejam julgados por crimes contra a humanidade”, disse Morales.
“Este será o melhor instrumento legal para defender os direitos dos povos e dos Estados, porque, lamentavelmente, ele exagera com sua soberba e prepotência em seguir humilhando não apenas os presidentes e governos anti-imperialistas, mas também seus aliados, com espionagem”.
“Quando não respeitam as leis internacionais, lamentavelmente devo dizer que o presidente Obama e seu governo são criminosos que atentam contra a vida, contra os direitos e contra as normas internacionais”.
Mais cedo, Morales pediu “uma reunião de emergência” da Celac para abordar a decisão de Washington de fechar seu espaço aéreo a Maduro.
O presidente boliviano afirmou que defenderá na Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) “a saída imediata dos embaixadores dos EUA”.
Em julho passado, o próprio Morales foi alvo de uma decisão semelhante quando Espanha, Portugal, França e Itália negaram ao presidente boliviano a passagem por seu espaço aéreo, em sua volta da Rússia.
Os quatro países europeus bloquearam seu espaço aéreo ao avião presidencial de Morales, devido às suspeitas de que ele levava o ex-consultor de inteligência americano Edward Snowden, acusado de espionagem e considerado foragido por Washington.
AFP
Morales pede que Alba boicote Assembleia da ONU em NY
O presidente da Bolívia, Evo Morales, vai propor aos líderes dos países da Alba que não compareçam à Assembleia Geral da ONU, que acontece na próxima semana em Nova York, em protesto pela negativa dos Estados Unidos de permitir o sobrevoo do avião presidencial venezuelano por Porto Rico.
Em entrevista coletiva convocada imediatamente após ter tomado conhecimento da decisão dos EUA, Morales também pediu uma reunião urgente da Celac e adiantou que vai pedir no encontro “a retirada imediata” dos embaixadores americanos nos países que fazem parte desse organismo.
“Pedimos aos presidentes da Celac uma reunião de emergência para tratar seriamente a soberba do governo dos Estados Unidos”, afirmou o líder.
Morales expressou sua solidariedade com Maduro “e todo o povo venezuelano”, e acusou o governo de Barack Obama de violar quatro tratados internacionais e os direitos “de toda a América Latina” com sua decisão.
O chanceler venezuelano, Elías Jaua, denunciou nesta quinta-feira que os EUA negaram a permissão de sobrevoo por seu território para o avião de Maduro, que deveria atravessar o espaço aéreo desse país, especificamente Porto Rico, para viajar à China neste fim de semana.
“Não se pode permitir que esse governo continue com suas políticas de amedrontamento, soberba e proibição de voo para aviões presidenciais”, criticou Morales.
Diante do caso, o governante boliviano anunciou que pedirá uma reunião de emergência da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) para tratar do ocorrido, e que a Bolívia pedirá “a retirada imediata” dos embaixadores americanos dos países que formam esse bloco.
Bolívia e EUA não mantêm relações no nível de embaixadores desde 2008, quando Morales expulsou o então chefe da missão diplomática americana sob a acusação de conspiração contra seu governo, e os Estados Unidos responderam com a retirada do embaixador boliviano.
Além disso, Morales antecipou que vai consultar os presidentes dos países da Aliança Bolivariana para as Américas (Alba) sobre a possibilidade deles não comparecerem à Assembleia Geral da ONU que será realizada na semana que vem em Nova York.
“Nós, os presidentes anticapitalistas e anti-imperialistas, não nos sentimos seguros em território americano”, afirmou, e acrescentou que, para a Assembleia Geral da ONU, “ou vamos todos, ou nenhum”. Por esse motivo, também reivindicará que a sede das Nações Unidas seja transferida de Nova York.
Morales também garantiu que seu país vai fazer um requerimento diante de instâncias internacionais “para que Obama e seu governo sejam julgados por crimes de lesa-humanidade”. O fato de não respeitar as normas internacionais transforma o presidente americano, de acordo com Morales, em “um criminoso que atenta contra os direitos humanos”.
Morales cumprimentou a decisão de Dilma Rousseff de adiar sua viagem oficial aos Estados Unidos pelas acusações de espionagem por parte do governo americano a empresas e integrantes do governo brasileiro.
“O governo dos EUA está espantando os presidentes e presidentas com suas políticas de amedrontamento”, acrescentou.
A recusa dos EUA de permitirem o sobrevoo do avião presidencial venezuelano acontece três meses depois que três países europeus fecharam seus espaços aéreos para a aeronave de Evo Morales pela suspeita de que o ex-técnico da CIA Edward Snowden estivesse a bordo da mesma.
Morales, que retornava de uma conferência sobre energia na Rússia, teve que fazer uma aterrissagem de emergência em Viena e ficou preso nessa cidade por 13 horas à espera de uma nova rota para retornar à Bolívia.
O governo boliviano denunciou então que os vetos de França, Itália e Portugal tinham ocorrido por uma ordem dos Estados Unidos.
EFE
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