Defesa & Geopolítica

O Kremlin está de volta à cena internacional

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“Um sucesso tático da diplomacia russa”: assim Margarete Klein, do Instituto Alemão de Relações Internacionais e de Segurança (SWP), classificou a iniciativa do Kremlin para colocar as armas químicas sírias sob controle internacional. Em conversa com a Deutsche Welle, ela apontou que assim foi evitado o pior dos cenários para a Rússia. Um ataque militar dos EUA teria enfraquecido o regime de Bashar al-Assad em Damasco e, para Moscou, pairava a ameaça de perder seu aliado mais importante no Oriente Médio. Isso foi evitado, ao menos num futuro previsível, disse Klein.

Também o editor independente e especialista militar moscovita Alexander Golz falou de uma jogada inteligente de Moscou. Ele lembrou que quem lançou a sugestão para o controle internacional das armas químicas sírias, já há mais de um ano, não foi o ministro russo do Exterior, Serguei Lavrov, nem Vladimir Putin, mas sim o senador americano Richard Lugar. “Mas Lavrov e Putin se lembraram dessa sugestão na hora certa e no lugar certo”, disse Golz à DW.

Mídia russa: “Franceses pedem Prêmio Nobel para Putin”

Margarete Klein considera sugestão de Putin sucesso tático da diplomacia.

Os meios de comunicação russos não poupam elogios a seu presidente. Uma manchete no site da emissora de NTV anunciava: “Franceses concedem a Putin Prêmio Nobel pela paz na Síria”, com um link remetendo ao principal programa de notícias, o Segodnya (Hoje). Num resumo das notícias sobre a Síria, o apresentador Pavel Matveyev diz: “Está claro que a Rússia com sua iniciativa sobre o controle de armas químicas acertou em cheio. Em princípio, até mesmo a Otan apoia a iniciativa”.

E mais adiante no texto: “O presidente russo se tornou um herói nos últimos dias. Nas ruas de Roma, estão sendo pregados cartazes de Putin com os dizeres ‘Estou com Putin’. No Egito, revela-se o amor a Putin com o adendo: ‘Adeus, Estados Unidos’. E, na França, sugeriu-se até mesmo que o Prêmio Nobel da Paz seja outorgado a Putin, com a justificativa de que, se ele realmente impedir um ataque militar, sem dúvida fez mais pela paz do que o Prêmio Nobel Barack Obama.” Não foram dados detalhes, no entanto, sobre quem são esses sinistros franceses e sobre quando e onde essa sugestão foi feita.

Putin dá lição a Washington

O próprio Putin aproveitou a oportunidade para dar uma lição nos Estados Unidos. Em artigo publicado no New York Times, ele assinalou: “Há motivo para o receio de que uma intervenção militar em conflitos internos de outros Estados se torne uma prática cotidiana dos EUA. Isso está de acordo com os interesses de longo prazo dos Estados Unidos? Eu tenho minhas dúvidas. Cada vez mais, milhões de pessoas de todo o mundo passaram a não ver os EUA como um modelo democrático, mas sim como um país que aposta somente na violência, que forja coalizões a partir do princípio ‘Quem não está conosco, está contra nós'”.

Mas a iniciativa de Moscou abre mesmo um caminho para a democracia? Os especialistas duvidam. Margarete Klein, do SWP, acredita que “o governo sírio irá tentar aproveitar a proposta para ganhar tempo”. Decerto abriu-se uma “janela de possibilidades”, também para uma nova rodada de negociações entre as partes conflitantes na Síria, No entanto, a especialista pergunta, quem irá se sentar à mesa de negociações?

A oposição síria rejeita Assad e, no entanto, a proposta russa pressupõe uma cooperação da comunidade internacional tanto com o regime Assad quanto com a oposição. Caso contrário, não pode ser garantida a segurança dos inspetores internacionais na Síria.

Kremlin não muda política para Síria

O especialista militar independente Golz está seguro de que, sem a ameaça de um ataque militar, Moscou e Damasco não teriam se movido nem um milímetro. “Até poucos dias atrás, parece que Moscou tinha caído no esquecimento da política mundial. O ápice foi a recusa de Obama a se encontrar com Putin. O Ocidente estava cansado de escutar as eternas lamentações da Rússia.” Agora, porém, o país conseguiu voltar à cena.

Mas a posição russa mudou frente ao regime na Síria? Alexander Golz responde assim: “O fundamento da política exterior russa é a noção de que os conflitos internos de um país devem ser resolvidos sem intervenção externa. Isso significa que qualquer líder autoritário pode fazer o que quiser com o seu povo.” Por isso, o especialista não acredita numa mudança de atitude do Kremlin em relação ao regime Assad.

 

Fonte: DW.DE

16 Comments

  1. Obama perdeu feio esta, deu a Rússia um local de destaque no cenário internacional e de quebra desmoralizou a posição e a credibilidade das intensões democráticas do EUA no cenário internacional.
    Caiu de pato na jogada quando ateve alertas, a Rússia isolou os britânicos e deixou a bomba pro decadente Francoise Holland e Barak Hussein Obama.
    Vejemos as cenas dos próximos capítulos

    • CAPA PRETA says:

      Foi um golpe de mestre do Putin mesmo.

  2. BARCA says:

    E.M.Pinto concordo com vc o Putin é daquela velha escola Soviética,foi ex agente da KGB e conhece a fundo as engrenagens do Poder,aprendeu a jogar esse jogo que antes era praticado por excelentes diplomatas dos dois lados,numa época em que a sagacidade era a principal arma,e não a força bruta,essa geração de conselheiros americanos não serviriam nem para servir café para o henry kissinger.

  3. BARCA says:

    Esse video eu dedico ao Maluquinho 1h e22min de judô com o Putin.

    http://www.youtube.com/watch?v=f62myM2iPjE

  4. Rafa_positron says:

    Nao só o Obama perdeu essa…

    Os engenheiros com curso de piloto tb….

    Além da trollagen federal, o Putin acabou com a dominação unilateral e mostrou a fabrica de mentiras que sao os USA….

    E ainda rendeu muitos Prints pra mim…..

    “Nada vai parar a OTAN”
    “Que o sangue dos inocentes recaia sobre o governo russo”
    “Chega de conversa. Quando a bombas caem, cessa a conversa”

    Dou um doce pra que Adivinhar de quem sao esses falis….

    • X-tudo says:

      Heueheuehe Cara tu é maluco!!… Obsessão! Heueheueheh

    • HMS_TIRELESS says:

      O tapadinho beneficiário da Bolsa Lan House do tio Rui pelo visto não leu o artigo, e se leu não entendeu ( o que acho mais provável já que a burrice do elemento é patológica). A, assim por dizer, vitória russa é meramente tática e temporária. Até o presente tudo o que os russos conseguiram foi ganhar tempo para Assad. E a evolução do quadro é que vai dizer se essa vitória tática vai se converter em um vitória estratégica. E não se esqueça que muitas vitórias táticas terminam desembocando em fragorosas derrotas estratégicas.

      Até presente tapadinho Putin não acabou com dominação unilateral alguma, apenas conseguiu estancar uma situação desesperadora para os interesses russos pois caso Assad caia a Rússia será sumariamente expulsa do Oriente Médio posto que a Síria é o único aliado confiável que lhe resta ali.

      • Tiago says:

        Concordo com HMS, temos de esperar para ver o resultado da suposta conquista russa ^^

      • helveciofilho says:

        por LUCENA.
        .
        .
        .

        ” E não se esqueça que muitas vitórias táticas terminam desembocando em fragorosas derrotas estratégicas.”
        .
        .
        Corretíssimo,estão ai Al-Qaeda e os talibãs para validar essa afirmação…..rsrsrsrs…
        .
        A não ser que,estes grupo desde o início, eram e são peças principais dos EUA de levarem ao OM, a sua “democracia ” tão inspiradoras para os seus fantoches opressores e seua admiradores….rsrsrs

    • Tiago says:

      Lembrei de Star Wars agora rsrsrsrs

  5. O homem da KGB colocou a Russia novamente em relevância mundial…conseguiu.Sds.

  6. Cesar Pereira says:

    Mas a pergunta a ser feita é, porque os EUA/ONU/OTAN atacariam a Síria? por qual motivo,baseado em quê?
    Não há provas que Assad tenha feito um ataque químico contra seu povo,pelo contrário tudo leva a crer que tais ataques tenham sido perpetrados pelos terroristas que promovem ataques contra o governo sírio !
    Um ataque a Síria agora sem provas algumas só viria a mostrar como não há respeito a soberania de nenhum país por parte das grandes potências , sendo dispensado inclusive um motivo para tais agressões !

  7. teropode says:

    O cara ficou bem na foto, mas acredito que os EUA estavam pedindo este xeque, ate a opniao interna estava desfavoravel a uma intervençao na siria,obama perdeu a oportunidade de ficar fora daquele puteiro e o pior eque os EUA estavao bancando leao de chacara para a arabia saudita e israel,somados ao fiasco na libia, realmente os EUA fizeram merda em se meter neste conflito e pior ,de braços dados com o lixo extremista sunita, mas a duvida que paira eh a seguinte: Sera que os EUA com toda sua pujança ,se converteu em lacaios de israel e arabia saudita ,sera que o brasil esta se convertendo em lacaio de cuba ? Ambas constataçoes sendo afirmativas seria o fim da logica mundial !

  8. stadeu says:

    A Rússia teve que se impor no começo, mas o resultado final é conjunto … se o Assado não pirar e a oposição não melar .
    E também tem uma participação chinesa na história … os óculos do Putin . rs rs.

  9. ARC says:

    Um dia em que os norte americanos tiveram que engolir sua “marra Monroe” juntamente com seu presidente Barack Osama.

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