Defesa & Geopolítica

BRICS – Vão criar banco conjunto e um pool para reserva de divisas no valor de 100 biliões de dólares

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Ria Novosti

Tatiana Golovanova

Na quinta-feira, à margem da cúpula do G20, se realizou uma reunião informal dos líderes do Brasil, da Rússia, da Índia, da África do Sul e da China. Os participantes aprovaram a criação de um banco conjunto para o desenvolvimento com capital estatutário de 50 biliões de dólares. Esses fundos serão investidos em projetos de infraestruturas de países em desenvolvimento. Para melhorar os indicadores macroeconômicos, o BRICS irá criar um pool de reserva de divisas no valor de 100 biliões de dólares.

A criação do pool de divisas de reserva dos países em desenvolvimento está na sua fase final. Durante o encontro os países membros do BRICS confirmaram os acordos prévios sobre a constituição do capital: 41 biliões de dólares serão fornecidos pela China; a Rússia, a Índia e o Brasil irão contribuir com 18 biliões cada país e outros 5 biliões de dólares caberão à África do Sul. Segundo declarou o presidente russo Vladimir Putin, o arranque dessa instituição irá contribuir para uma estabilização adicional dos mercados financeiros globais. Na sua essência, o pool será uma espécie de alternativa ao Banco Mundial e ao FMI e deverá reduzir a influência do dólar nas economias do BRICS. Neste momento é realmente necessário um pool deste tipo. Depois das declarações da Reserva Federal dos EUA sobre uma possível redução do programa de flexibilização quantitativa, as divisas nacionais dos países em desenvolvimento começaram a cair e os investidores começaram a retirar os seus fundos desses países, refere Vadim Lukov, secretário-executivo da Comissão Interministerial para a Participação da Rússia no BRICS.

“Isso prejudica realmente os países do BRICS porque nos últimos meses ocorreu realmente um refluxo de capitais especulativos dos mercados financeiros do BRICS com a corresponde desvalorização das divisas, nomeadamente, da indiana e da brasileira, isso é simplesmente injusto. Os indicadores macroeconômicos não justificam tudo isso. Se trata de choques externos na sua forma pura.”

A partir de maio, as reservas externas dos países em desenvolvimento já se reduziram em mais de 80 biliões de dólares. O ministro das Finanças da Rússia Anton Siluanov considera que a criação do pool poderá ajudar a enfrentar as consequências da nova política da Reserva Federal.

“Nós, no âmbito do grupo BRICS, entendemos a criação desse pool de reserva como uma oportunidade para apoiar as balanças de pagamentos em caso de volatilidade dos fluxos de capital. Essa é uma prática normal dos países e por isso temos de estar preparados para uma alteração da situação de acordo com o preço do dinheiro e com os fluxos de capital.”

Outra medida sem precedentes que deverá ajudar os membros do bloco será a criação do novo banco de desenvolvimento do BRICS. Neste momento já está praticamente acordada a composição dos órgãos sociais e foi aprovado o capital social de 50 biliões de dólares, referiu o vice-ministro das Finanças da Rússia, Serguei Storchak.

“A questão do capital do banco de desenvolvimento do BRICS ainda está no estágio inicial de discussão. Os 50 biliões de que se falou são o chamado capital subscrito. Também existe a opinião que a esse capital inicial se devia acrescentar um capital de giro que fosse ainda superior ao capital estatutário. Isso é necessário para deixar uma reserva para os que se juntarem ao banco mais tarde. O banco será criado como uma instituição aberta.”

O banco irá proporcionar créditos aos países do BRICS e investir na criação de infraestruturas e em projetos industriais. Isso não só dentro do BRICS, mas também noutros países em desenvolvimento. O dinheiro acessível irá impulsionar o setor da inovação que é visto pelos países do BRICS como o futuro das suas economias.

Outro tema importante da reunião informal do BRICS foi a discussão da reforma global do FMI, nomeadamente a questão das quotas. Os países emergentes querem aumentar a sua presença no FMI, mas os países desenvolvidos não se apressam a debater essa questão. Nesse contexto, os líderes do BRICS expressaram a sua preocupação pela estagnação da reforma e sublinharam a necessidade de revisão do sistema de quotas até ao início do próximo ano.

 

 

Fonte: Voz da Rússia

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