Hosni Mubarak foi reconhecido inocente?

mubarak

Um helicóptero militar trouxe Hosni Mubarak ao hospital militar Maadi em que será mantido sob a prisão domiciliária. O antigo presidente egípcio fora posto em liberdade após o tribunal do Cairo ter deliberado absolver a acusação de corrupção. A Procuradoria confirmou a intenção de não contestar o acórdão, razão pela qual foi levantado o último impedimento à pena de prisão domiciliária.

Os partidários do ex-presidente estão organizando celebrações improvisadas, distribuindo doces para os transeuntes. Porém, tem sido muito maior o número dos que não se congratulam pela decisão das autoridades judiciárias. Assim, o movimento Tamarod que desempenhara um papel-chave no derrubamento do sucessor de Mubarak – Mohamed Mursi – se declarou disposto a realizar na sexta-feira ações de protesto.

Entretanto, do ponto de vista jurídico, não podem surgir reclamações bem fundamentadas quanto à decisão final do Tribunal, afirma o advogado do Cairo, Amir Salem:

“O inquérito, examinado pelo Tribunal e designado “Processo sobre Palácios Presidenciais”, acabou por ser arquivado. A deliberação sobre a libertação de Mubarak tem um caráter meramente jurídico e nada tem a ver com a política. Não se relaciona, de forma alguma, nem ao Exército, nem ao ministro da Defesa Abdul Fatah Al-Sisi, nem ao novo regime. Deve-se ao único fato de terem sido superados todos os limites de sua prisão provisória. Claro que os políticos se aproveitarão disso para iniciar novos jogos. Mas isto muda o fato de que a libertação de Mubarak não era uma decisão política.

“Sou um adversário convicto de Mubarak, mas não posso afirmar terem havido quaisquer acordos secretos entre ele e os novos poderes para libertá-lo. Costumo advogar os direitos de argüidos, consignados pelo Código de Processo Penal. Cada advogado tem de proceder dessa maneira e a política não tem nada a ver com isso.”

O diretor do Centro de Pesquisas Árabes, Abdarrahim Ali, examina a situação criada sob um prisma diferente:

“Mubarak será retido, como um cidadão comum, em regime de prisão domiciliária até o fim do processo. Por essa altura, teremos eleito um novo presidente e a agitação à volta de Mubarak será evidentemente menor. Por outro lado, constatamos o fato de reabilitação daquele período. Isto não se deve aos poderes atuais. Praticamente todos os políticos renomados, detidos no período pós Mubarak, saíram da prisão no governo de Mursi. Por isso, não podemos dizer termos acabado com o regime antigo: os políticos derrubados em 2011 foram reconhecidos inocentes e postos em liberdade.”

O antigo presidente terá de assistir às audiências, tendo pela frente um julgamento sobre sua decisão de esmagar as ações de protesto em 2011. As audições serão retomadas em 25 de agosto.

Fonte: Voz da Rússia

8 Comentários

  1. Tudo um grande teatro judiciário/midiático, Mubarak serviu fielmente seus senhores por 30 e tantos anos, como já não se sustentava no poder, de lá foi retirado, pintado como doente terminal (coitadinho) e posto em uma prisão de luxo. Agora após um período para esfriar sua chapa… é posto em liberdade.

  2. Claro, td ali lhe devem….ele é a eminência parda, à mão q puxa os barbantes. Quem está feliz são os sionistras judeuss….Em tempo: a irmandade será colocada no ostracismo, caso contrario ganha em uma eleição limpa e livre….Quem viver verá.Sds.

  3. Eu falei que tudo era farsa, estão vendo vai tudo acabar em pizza !
    Tenho pena de quem acreditou nessa farsa toda, deve ser muito frustante !
    Mas a revolução popular ainda esta por vir,a revolução de verdade que ponha o povo no poder !

    • A diplomacia americana no OM realmente tem agido como um “elefante em loja de porcelana”. A primavera árabe foi como um tiro de bazuca dado no pé.

      Parafraseando 1: Que recaia sobre a cabeça da Rússia a responsabilidade da ação irresponsável do planejamento mal feito pelo ocidente na região, que por anos levou a morte de milhares.

      Parafraseando 2: Que recaia sobre a cabeça da Rússia a responsabilidade das mortes de inocentes na Síria com armas químicas fornecidas por países membros da OTAM ou de seus aliados/alinhados na região, porque se opôs aos interesses americanos na região.

      Que recaia…., assim fica fácil. É só não assumir responsabilidades e transferir a culpa.

    • O povo ou os islamitas meu caro? porque como ficou demonstrado o povo mesmo preferiu ficar do lado dos militares contra os islamitas.

      • Pesquisa realizada recentemente no Egito indica :

        -69% dos egípcios estão contra o golpe e isolamento
        de Mursi.

        -25% do egípcios são a favor do golpe e isolamento de Mursi.

        -6% de neutros, que não tem opinião contra ou a favor.

        Bem 69% é maior que 25% e 6%, isso já mostra que a maioria é contra o golpe, agora o modo como você separou os islamitas,das demais religiões existente no país , para chegar ao veredito que o ”povo” apoia os militares é um mistério !

  4. Essa ideia de que o povo egipano prefere os islamita ou militar é uma ideia simplista;o povo quer liberdade,viu que é bom ter o direito de escolher o seu governante e tudo mais.
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    A corrupção que impera também no Egito é gritante,onde se viu,a instituição que por natureza deveria mostra a autoafirmação de soberania de um país,recebe dinheiro de outro país ?
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    A mesada que a elite egipana recebe dos sauditas e dos EUA somam mais de US$ 2 bil. por ano .
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    Fica muito difícil para um povo ser livre desse jeito,não tem outra maneira,a não ser se mobilizar.

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