Defesa & Geopolítica

O BRASIL ESTÁ SEM BANDEIRAS NA POLÍTICA EXTERNA

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HD_20130125093108ue“O Brasil está sem bandeiras na política externa.

Projetar poder no cenário internacional requer uma visão estratégica para o país nas próximas décadas e a formulação de uma política a fim de chegar lá. Na falta de novos Caio Prado, Helio Jaguaribe, Mário Pedrosa, a voz do Brasil vem ecoando mais fraca.

“A gente está sem bandeira, fica a reboque de projetos alheios”, diz um diplomata, referindo-se ao apego ao Mercosul e à paciência infinita com a Argentina.

A tática de alavancar candidaturas de brasileiros para comandar órgãos internacionais não tem rendido bons resultados.”

Volta ao Mundo: “A falta que faz uma bandeira”

Helena Celestino, de Londres para O Globo

O Brasil está sem bandeiras na política externa. Desde o início do mandato da Presidente Dilma Rousseff, a palavra da moda no Itamaraty era Soft Power – no popular, a arte de influenciar pessoas e fazer amigos. Na prática, isso significa ocupar com suavidade novos espaços no mundo, ter uma presença na política internacional proporcional ao tamanho da economia brasileira. Sintonizando com o sentimento contemporâneo, o poder do país não seria medido pela força de mísseis e submarinos nucleares, mas percebido pela participação nos vários fóruns internacionais e pela defesa dos bons combates – liberdade de expressão, direitos humanos, meio ambiente, igualdade de gênero e raça.

Isso é mais fácil falar do que fazer. Com a falta de gosto da presidente Dilma pela política externa e a falta de espaço do Ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, no governo, a bandeira do Soft Power já foi encampada pelo discurso da oposição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.  A ação externa brasileira era mais visível com o presidente Lula e o ministro Celso Amorim; época em que se abriam 40 novas embaixadas e criaram-se múltiplos fóruns – Unasul, Celac, Ibas, uma sopa de letras hoje já quase ignorada na cena internacional.

Na hora de ocupar espaços, faltou mensagem. Projetar poder no cenário internacional requer uma visão estratégica para o país nas próximas décadas e a formulação de uma política a fim de chegar lá. Na falta de novos Caio Prado, Helio Jaguaribe, Mário Pedrosa, a voz do Brasil vem ecoando mais fraca.

“A gente está sem bandeira, fica a reboque de projetos alheios”, diz um diplomata, referindo-se ao apego ao Mercosul e à paciência infinita com a Argentina.

A tática de alavancar candidaturas de brasileiros para comandar órgãos internacionais não tem rendido bons resultados.  José Graziano na FAO  sumiu na poeira de Roma, e Roberto Azevedo assume em setembro (de 2013) a OMC  com a tarefa de salvar a agência da própria irrelevância.

o Brasil está precisando simplesmente ousar pensar grande.

Para ler o texto completo acessar “Volta ao Mundo”, em  O Globo, Mundo, Página 30, Quarta-Feira, 14/08/2013 via vLex Brasil

Fonte: vLex Brasil  

Leia também:

BRASIL BUSCA ACORDO INDIVIDUAL COM A COMUNIDADE EUROPEIA

 

“O atraso nas negociações para um acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia – que se arrastam há mais de uma década sem perspectivas de se concretizarem – fez com que o Brasil, pela primeira vez, acenasse com a intenção de deixar de lado os parceiros sul-americanos e buscar um acordo individual com os europeus.

Segundo a reportagem do Financial Times, a intenção do governo Dilma Rousseff estaria relacionada não só ao atraso de um possível acordo entre Mercosul e UE, mas também devido ao crescimento econômico do Brasil, que poderia perder o benefício tarifário a partir de janeiro de 2014 para suas exportações ao bloco europeu.

No ano passado, a Comissao Europeia aprovou uma nova legislação que excluirá o Brasil do Sistema Geral de Preferências (SGP), já que ele foi reclassificado como país de renda média alta pelo Banco Mundial – a classificação compreende Estados com renda per capita entre 3.976 dólares e 12. 275 dólares. O Brasil é responsável por cerca de 37% do comércio entre América Latina e União Europeia.”

 Voo solo do Brasil com a UE ameaça gerar turbulência no Mercosul

 

Com conversas entre os dois blocos emperradas, possível acordo direto com europeus surge como saída para o Brasil, mas pode acirrar atritos entre sul-americanos, que há anos já convivem com desgaste político e comercial.

O atraso nas negociações para um acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia – que se arrastam há mais de uma década sem perspectivas de se concretizarem – fez com que o Brasil, pela primeira vez, acenasse com a intenção de deixar de lado os parceiros sul-americanos e buscar um acordo individual com os europeus.

A intenção teria sido transmitida pelo chanceler Antonio Patriota em entrevista ao Financial Times. Segundo o jornal, o ministro disse que há expectativa de que cada país possa negociar em “velocidades distintas” com a UE. O Itamaraty atribuiu a polêmica a um erro de interpretação do diário. Mas nos círculos diplomáticos a possibilidade já é, há tempos, discutida.

Realidade ou não, a intenção brasileira reflete um enfado de longa data com as negociações entre UE e Mercosul. E pode criar novos atritos entre os parceiros sul-americanos, ameaçando fragilizar um bloco já minado por disputas comerciais – como entre Brasil e Argentina – e políticas – como a crise em torno do Paraguai.

“A conversa entre Brasil e União Europeia sinaliza que as negociações entre os blocos Mercosul e União Europeia não vão prosperar”, analisa Ana Soliz Landivar, do Instituto Alemão de Estudos Globais e Regionais (Giga), em Hamburgo. “Apesar dos esforços diplomáticos para manter essas negociações vigentes, o que é realizado de fato tem levado a necessidade de o Brasil de se abrir.”

Protecionismo como obstáculo

As conversas entre o Mercosul e UE foram lançadas em 1999, mas interrompidas em 2004. Em 2010, as negociações voltaram à pauta dos dois blocos, mas sofreram reveses devido a obstáculos criados pelos dois lados. Há anos os europeus não escondem sua discordância com as medidas adotadas em algumas economias sul-americanas, sobretudo na Argentina, e já deixaram claro que, enquanto houver protecionismo, um acordo não sairá do papel.

Segundo a reportagem do Financial Times, a intenção do governo Dilma Rousseff estaria relacionada não só ao atraso de um possível acordo entre Mercosul e UE, mas também devido ao crescimento econômico do Brasil, que poderia perder o benefício tarifário a partir de janeiro de 2014 para suas exportações ao bloco europeu.

No ano passado, a Comissao Europeia aprovou uma nova legislação que excluirá o Brasil do Sistema Geral de Preferências (SGP), já que ele foi reclassificado como país de renda média alta pelo Banco Mundial – a classificação compreende Estados com renda per capita entre 3.976 dólares e 12. 275 dólares. O Brasil é responsável por cerca de 37% do comércio entre América Latina e União Europeia.

Para economistas, a possibilidade de o Brasil realizar “voo solo” sem o Mercosul estaria de acordo com os interesses de um país que, por sua economia mais diversificada e seus interesses específicos, se difere de seus parceiros sul-americanos.

“A Argentina, por exemplo, há anos está com a sua indústria destruída e tem uma base industrial pequena e não competitiva”, diz Celso Grisi, economista da Fundação Instituto de Administração (FIA). “Tudo isso faz com que o Brasil seja um player isolado nesses interesses e leva, sem dúvida nenhuma, à necessidade de manter negociações específicas e pontuais, e não em bloco.”

Acordo, só com consenso

Além de refletir o início de uma mudança de postura Brasil, que sempre, ao menos publicamente, apostou no Mercosul, a opção de um acordo individual pode levar o bloco sul-americano a passar por sérias turbulências. As regras do Mercosul proíbem países de assinar unilateralmente, sem o consentimento dos demais parceiros sul-americanos, acordos que envolvem comércio de mercadorias.

“O modelo do Mercosul é como se fosse uma área de livre comércio imperfeita. Por isso que existe este mecanismo de consulta, que tem um peso maior do que deveria ter”, diz Virgílio Arraes, professor de História Contemporânea da UnB. “Uma questão hipotética: se o Brasil importasse remédio da Índia para vender no Mercosul, os laboratórios farmacêuticos não teriam condições de competir.”

Na semana passada, o comissário europeu do Comércio, Karel de Gucht, se mostrou interessado por um acordo individual com o Brasil, o que faria com que as exportações europeias se beneficiassem com a queda das tarifas para entrar no mercado brasileiro – principalmente pelo fato de a demanda interna europeia estar enfraquecida por causa da crise.

Apesar das intrigas internas no Mercosul, da resistência europeia e dos sucessivos retrocessos nas negociações na última década, o discurso oficial brasileiro, como repetido por Patriota na semana passada, é de que o acordo entre os dois blocos sairá do papel em até um ano. Ao que tudo indica, no entanto, o Brasil teria outra carta na manga caso não der certo.

Fonte: DW via Defesanet 

 

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BARCLAYS PREOCUPADO COM A DETERIORAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA ECONOMIA BRASILEIRA

 

“Estamos preocupados que a deterioração dos fundamentos brasileiros (conta fiscal pior, aumento do déficit em conta corrente e falta de planejamento de longo prazo do governo) levará a um downgrade (rebaixamento da nota brasileira) de crédito no primeiro trimestre de 2014, o que pressionará mais o real.”

O dolar comercial fechou em alta nesta sexta-feira, 16/08/2013, subindo 2,46%, a R$ 2,396 na venda. É o maior patamar desde 3 de março de 2009, quando fechou em R$ 2,41. É também a maior alta diária desde 23 de novembro de 2011, quando o avanço tinha sido de 2,94%.

Dólar americano mudou de patamar : O ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu nesta sexta-feira, 16/08/2013, que a cotação do dólar mudou de patamar (para cima), em função da reversão dos estímulos nos EUA e da piora da balança comercial brasileira. Mas disse não acreditar em patamares elevados para a taxa de câmbio. No mercado, já há previsões de que o dólar possa chegar a R$ 2,70 até o fim do ano.

Barclays fala em dólar a R$ 2,45 nos próximos 12 meses : Para o banco Barclays, o dólar terá elevação gradual chegando a R$ 2,45 nos próximos 12 meses. “Estamos preocupados que a deterioração dos fundamentos brasileiros (conta fiscal pior, aumento do déficit em conta corrente e falta de planejamento de longo prazo do governo) levará a um downgrade (rebaixamento da nota brasileira) de crédito no primeiro trimestre de 2014, o que pressionará mais o real”, disseram os analistas do banco. Comentário deBRANCÃO SJC acerca do link em questão para o UOL: “–>> CADÊ a força da nossa indústria? Cadê o nosso produto industrializado que deveria estar gerando empregos e sendo exportado? NÂO TEM, pois pagamos muitas taxas e impostos, nossos produtos não conseguem competir com o mesmo produto de outros países devido a carga tributária, impostos que são usados por exemplo, para bancar a ineficiência de 39 ministérios e toda a estrutura bilionária deles. Também não temos logística para escoação de produção. Aumento do dólar quer dizer inflação alta. Já vi esse filme e é de terror. Nosso dinheiro sendo consumido pela inflação, falta de produtos, falta de matéria prima, falta de tecnologia de ponta, falta de maquinários, combustível como gasolina mais alto, alugueis mais elevados, controle artificial de preços, índices controlados pelo governo, racionamento de alimentos, desemprego e por ai vai. UM ABSURDO!!!”

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