Defesa & Geopolítica

Obama diz que Putin às vezes parece “um menino entediado”

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O presidente dos EUA, Barack Obama, durante entrevista coletiva na Casa Branca nesta sexta-feira – Foto: Jonathan Ernst / Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, negou na sexta-feira que tenha relações ruins com Vladimir Putin, depois do cancelamento de uma reunião de cúpula entre ambos, mas disse que o seu colega russo às vezes “parece um menino entediado no fundo da sala de aula”.

As relações entre EUA e Rússia atravessam um dos seus piores momentos desde o fim da Guerra Fria. A causa é a decisão russa desta semana de conceder asilo temporário ao norte-americano Edward Snowden, que revelou ao mundo os programas secretos de espionagem do seu país. Obama retaliou a Rússia cancelando abruptamente uma reunião que teria com Putin no próximo mês.

Hoje, em entrevista coletiva na Casa Branca, Obama insistiu que não tem uma má relação pessoal com Putin. Os dois tiveram uma reunião desagradável em junho na Irlanda do Norte, e nas fotos do evento aparentavam estar desconfortáveis. “Sei que a imprensa gosta de focar na linguagem corporal, e ele tem aquele jeito de descaso, parecendo um menino entediado no fundo da sala de aula. Mas a verdade é que quando conversamos, muitas vezes é muito produtivo”, afirmou Obama.

Nesta semana, Putin enviou um telegrama a George W. Bush, antecessor e adversário político de Obama, desejando-lhe pronta recuperação após um procedimento cardíaco. Alguns observadores do Kremlin viram nessa mensagem uma cutucada em Obama.

A Casa Branca diz que Obama desistiu da cúpula em Moscou não só por causa da concessão de asilo a Snowden, mas também devido a outras divergências entre os dois governos, o que inclui preocupações de Washington com os direitos humanos na Rússia e o apoio de Moscou ao governo da Síria. Obama disse que os EUA farão uma pausa, reavaliarão aonde a Rússia está indo e calibrarão as relações levando em conta as áreas em que podem concordar e reconhecendo as diferenças.

“Francamente, em uma ampla gama de questões onde achamos que podemos fazer algum progresso a Rússia não se moveu”, disse Obama. “Acho que sempre houve alguma tensão nas relações EUA-Rússia depois da queda da União Soviética.”

Mas Obama já resolveu pelo menos uma das questões em debate nos EUA. Ele afirmou que os atletas norte-americanos irão competir na Olimpíada de Inverno de 2014 em Sochi, na Rússia, apesar da uma nova lei russa que pune a apologia à homossexualidade. “Não acho que seja apropriado boicotar a Olimpíada”, disse Obama.

Segundo ele, a melhor resposta à polêmica lei russa será um bom desempenho de atletas homossexuais. “Uma das coisas que realmente espero é que talvez alguns atletas gays e lésbicas tragam para casa ouro, prata ou bronze, o que eu acho que adiantaria muito na rejeição do tipo de atitude que estamos vendo por lá”, disse o presidente. “E, se a Rússia não tiver atletas gays e lésbicas, isso provavelmente tornará sua equipe mais fraca.”

REUTERS

Fonte: Terra

“A recusa de Obama de ir a Moscou tem algo de “pueril” e prejudica as relações russo-americanas” – Martin Sieff

O presidente dos EUA Barack Obama acabou por dissipar a neblina que envolvia as relações russo-americanas por causa do caso Snowden. Em 9 de agosto, deu uma coletiva de imprensa que não constava anteriormente nos planos. As proposições básicas de suas declarações são seguintes: a América faz uma pausa nas relações com a Rússia a fim de reponderar os problemas e dar o “calibre conveniente” a estas relações; os EUA estão prontos a continuar a colaboração com a Rússia; e, finalmente, não haverá nenhum boicote da Olimpíada de Inverno em Sochi.

Nesta conferência de imprensa, Obama explicou a razão de sua decisão de não assistir à cúpula em Moscou. Confessou que as divergências com a Rússia continuarão a existir, mas isto não será motivo para renunciar ao diálogo com ela. Desde a queda da União Soviética, disse o presidente americano, nas relações com a Rússia surgia a tensão, mas houve também a cooperação em algumas esferas e a competição, em outras. Por exemplo, foi alcançado progresso na esfera do novo tratado sobre armamentos estratégicos ofensivos, a Rússia continua a prestar ajuda aos EUA no Afeganistão, etc.

“Creio que o último episodio, isto é, o tal de caso Snowden, não passa de uma das divergências que surgem. Temos constatado nos últimos meses divergências em torno da Síria e dos problemas dos direitos humanos. Achamos conveniente tomar uma pausa, ponderar, aonde vai a Rússia, quais são nossos interesses básicos e “dar um calibre conveniente” a nossas relações. Para que façamos o que é bom para os EUA e, espero, seja bom também para a Rússia. Mas é preciso confessar que algumas divergências continuarão a existir e não conseguiremos passar isso em silêncio. Mas isso é normal…”, disse Obama.

Obama disse que acha desnecessário boicotar a Olimpíada de inverno em Sochi, a que exorta tanto a ala direita do congresso, quanto os lobby das minorias sexuais, descontentes com a lei russa que proíbe a propaganda do homossexualismo:

“Sei que agora foi levantada a questão de nosso enfoque dos Jogos Olímpicos em Sochi. Quero que todos compreendam: não creio que seja preciso boicotar os Jogos Olímpicos. Os americanos treinam intensamente a fim de participar dos Jogos e fazem todo o possível a fim de alcançar êxito. E se a equipe russa não inclui atletas que sejam gays ou lésbicas, é possível que isso torne a seleção russa mais fraca.”

Esta foi a primeira coletiva de imprensa de Obama nos três últimos meses. Dado que neste lapso de tempo houve muitos eventos tempestuosos, incluindo a fuga dos EUA de Edward Snowden, desmascarador da espionagem global, praticada pela Agência Nacional de Segurança, a pausa, de acordo com os conceitos americanos, foi bastante grande. Estava claro que a Casa Branca preparou bem este encontro com a imprensa. Obama chamava os correspondentes, consultando uma lista, e visto que alguns deles liam em voz alta as questões que já tinham sido formuladas no papel, estas questões tinham sido concatenadas.

A recusa de Obama de ir a Moscou tem algo de “pueril” e prejudica as relações russo-americanas, disse à Voz da Rússia Martin Sieff, analista do centro de pesquisa de Washington, Globalist Resarch Center:

“Mesmo na época da guerra fria houve trânsfugas de ambos os lados: dos EUA para a União Soviética e da União Soviética para os EUA. Mas mesmo naquela época nenhum líder soviético ou presidente norte-americano aproveitou semelhantes fatos na qualidade de pretexto para a revogação de pelo menos uma cúpula bilateral. O presidente Obama também não devia fazer isso. Eu pessoalmente acho que esta sua decisão é resultado da influência da conselheira do presidente Susan Rice. É um passo muito insensato. Não acredito que o secretário de Estado John Kerry pudesse recomendar algo semelhante.”

O aparelho de propaganda da Casa Branca agora insiste em incutir a idéia de que os precisamente os EUA procuram conduzir a Rússia para a via do progresso e que ela descamba permanentemente para a retórica da guerra fria. Este estribilho soou também na última coletiva de imprensa. Obama chegou a dizer que sempre procura ajudar o presidente Putin a “raciocinar avançando e não recuando” mas isso raramente surte efeito. Esta sentença de Obama não encerra absolutamente nada de original: a Casa Branca sempre teve hábito de incluir na categoria de “ações más” tudo que não correspondia aos interesses americanos.

O estribilho sobre a guerra fria se figura especialmente estranho visto que foi precisamente a Agência de Segurança Nacional dos EUA que tinha criado um sistema de vigilância total, cuja envergadura ultrapassa tudo o imaginável mesmo na época da guerra fria. O antigo oficial da CIA e da Agência Nacional de Segurança, Edward Snowden, que tinha obtido o asilo político provisório na Rússia, desmascarou precisamente o caráter ilegal desta atividade.

Fonte: Voz da Rússia

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