Defesa & Geopolítica

“Mursi nunca mais será presidente do Egito” – Amr Moussa

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Amr-Moussa-secretary-gene-007Ex-secretário geral da Liga Árabe, Amr Moussa

Elena Suponina

Continuam no Egito os comícios de partidários do presidente deposto Mohamed Mursi, entretanto parece que não é por muito tempo. Os militares preparam-se para dispersar as manifestações dos islamistas e, segundo tudo indica, somente o jejum muçulmano, por motivo do mês Ramadã, que continua, os detêm de ações decididas. Mas o Ramadã chega ao fim e se nesta semana as conversações sobre conciliação não derem resultado, a situação pode agravar-se bruscamente mais uma vez.

O conhecido político egípcio, ex-ministro do exterior e ex-secretário geral da Liga Árabe, Amr Moussa, contou em entrevista exclusiva à Voz da Rússia como se pode sair dessa situação complexa e também quando e em que condições no Egito deverão realizar-se as próximas eleições.

Depois do afastamento de Hosni Mubarak do poder em 2011, Amr Moussa, junto com correligionários, criou a Frente de Salvação Nacional, da qual é um dos líderes atualmente. Esta organização política nos últimos tempos criticava ativamente os islamistas e agora, como muitos consideram, pode concorrer com êxito nas próximas eleições parlamentares no Egito.

Elena Suponina entrevistou o conhecido político egípcio.

Senhor Amr Moussa, existe saída da atual crise política?

– O Egito sairá sem falta dessa crise política. É necessário entender que não haverá retorno ao passado no Egito. Isto significa que o ex-presidente Mursi abandonou seu cargo para sempre. Se nós chegarmos a entendimentos sobre esta questão então já poderemos debater sem problemas o restante. Para avançar juntos é necessário alcançar acordo. E antes de mais nada cessar a violência.

– Mas a Irmandade Muçulmana e seus partidários continuam a protestar contra a deposição de Mursi do cargo?

– É disso que se trata – é preciso inicialmente cessar a violência. O Estado não pode tolerar a violência e sobretudo o terror. No que se refere à violência pela ideia de retorno de Mursi ao cargo de presidente, isto é impossível. Mursi nunca mais será presidente do Egito.

– O que então aconselharia aos partidários dos islamistas, que estão reunidos nas praças das cidades? Voltar para casa?

– Claro. Isto é justamente o que é necessário agora. É preciso que as pessoas voltem para as casas e observem a tranquilidade. E então a situação se acalmará rapidamente. É preciso que cessem estas manifestações no Egito. Para que cesse a violência que as acompanha.

A Irmandade Muçulmana, como todos os outros cidadãos, têm o direito de expressar sua opinião. Eles, indiscutivelmente têm o direito de se reunir em comícios e manifestações pacíficos. Mas não em tais demonstrações, durante as quais começa a violência e infringe-se a marcha normal da vida dos demais egípcios.

– Senhor Moussa, como, na sua opinião, irão se desenvolver os acontecimentos doravante? O que acontecerá com a constituição, com as eleições?

– A Comissão de 10 pessoas, que agora trabalha com o novo projeto de constituição, encerrará seus trabalhos no fim deste mês. Depois o projeto será apresentado para debate de mais uma comissão, mais ampliada, constituída de 50 membros. Eles prepararão o projeto definitivo de constituição, que será apresentado aos órgãos do poder para exame e apresentação para referendo.

No Egito desse modo existe um plano de avançar e com ele concordam as mais diferentes forças políticas. O problema apenas é com a Irmandade Muçulmana. No entanto nós podemos perfeitamente avançar todos juntos.

– Quando e de que modo podem se realizar as eleições presidenciais no Egito?

No início do próximo, 2014.

– Apresentará a sua candidatura? Recentemente disse que é pouco provável, mas talvez tenha mudado sua decisão?

– Eu realmente decidi não participar das próximas eleições parlamentares. Apesar de, para falar a verdade, há pessoas que ainda querem me convencer a participar. Mas eu não mudarei minha decisão.

– Posso lhe perguntar como ex-ministro do exterior e como ex-secretário-geral da Liga Árabe o que acha da iniciativa conjunta da Rússia e EUA de realizar em Genebra uma conferência para normalização da situação na Síria?

– Eu considero os planos de realização da Conferência em Genebra ineficazes. A conferência em Genebra não dará resultados. Já se passaram meses após o lançamento dessa iniciativa, e a conferência não se realizou. E agora planeja-se convocar um encontro em Nova York no campo da sessão da Assembleia Geral da ONU. Tudo isto é ineficaz. A questão síria deve ser resolvida no Conselho de Segurança da ONU.

– O que o Conselho de Segurança da ONU pode propor?

– Eu considero que podem ser alcançados acordos sobre a Síria, antes de mais nada entre a Rússia e os EUA. Mas estes acordos devem ser fixados não em conferência em algum lugar em Genebra, mas no Conselho de Segurança da ONU.

Fonte: Voz da Rússia

 

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