Defesa & Geopolítica

O terrorismo muçulmano na Bósnia e Herzegovina

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Konstantin Kachalin

A Voz da Rússia continua a publicar as memórias do jornalista russo Konstantin Kachalin, que trabalhou nos Bálcãs durante 10 anos.

Eu fui juntando estes apontamentos de Sarajevo durante quase dez anos. Nos muitos anos de trabalho nos Balcãs, eu tive de fazer várias viagens de trabalho, longas e penosas, à Bósnia e Herzegovina. Eu me encontrei com a maioria dos líderes muçulmanos da Bósnia, entrevistei Alija Izetbegovic, Haris Silajdjic, Hasan Cengic, Hasan Muratovic, Jovan Divjak e outros. No início e em meados dos anos de 1990, eram estes os homens que ocupavam o Olimpo político e eram responsáveis pelo que se passava na região.

Eu decidi divulgar, pela primeira vez, muitos dos meus materiais desse período. Eu quero que os leitores da Voz da Rússia saibam aquilo que o poder de Sarajevo tentou esconder durante muito tempo. Os acontecimentos desses anos e as pessoas com quem falei tiveram uma influência enorme sobre o atual estado de coisas na Bósnia e Herzegovina.

O principal estratego e supervisor das ligações com Teerã era o ministro da Defesa da Bósnia e Herzegovina Hasan Cengic, amigo e confidente do primeiro presidente Alija Izetbegovic (que morreu em outubro de 2003). Hasan Cengic esteve preso com Izetbegovic na cidade de Foca até 1988.

Izetbegovic incumbiu Cengic de tratar dos fornecimentos de armas ao exército muçulmano. Hasan Cengic, um antigo imã da mesquita de Zagreb, cumpria a missão atribuída pelo chefe de uma forma muito calma e diligente, sem atrair para si demasiadas atenções. Do início ao fim da guerra (março de 1992 – dezembro de 1995), as armas chegavam a Sarajevo provenientes do Irã, via Ancara. O intermediário principal era o diplomata sudanês Elfatih Ali Hassanein e a sua empresa TWRA (Trid Word Relif Agency).

Todas as operações de fornecimento de armas a Sarajevo e à 7ª Brigada especial muçulmana, composta principalmente por mercenários do Afeganistão, Irã, Argélia e outros países, eram realizadas com a aprovação dos EUA e dos serviços secretos ocidentais. As finanças eram controladas por Osama bin Laden, Hasan Cengic e pela TWRA. Na Bósnia e Herzegovina atuava a organização terrorista Movimento Islâmico Armado (AIM) que tinha nos Balcãs uma rede de espionagem e terrorismo.

Na cidade de Fojnica todo o poder estava nas mãos da Divisão Handschar, que se vangloriava abertamente das tradições nazistas dessa divisão, e que foi criada na Bósnia em 1943. A nova Divisão Handschar era diretamente apoiada por Haris Silajdjic, nesse tempo ministro das Relações Exteriores e primeiro-ministro. A divisão era composta por 6 mil elementos, principalmente albaneses oriundos do Kosovo, do Sandzak e da Albânia. Os seus soldados eram treinados por mujahedins do Afeganistão e do Paquistão que os preparavam como assassinos impiedosos. Além disso, existia o destacamento especial Delta (com 220 homens) formado apenas por albaneses. A 7ª Divisão Muçulmana era composta na sua maioria por bandidos que realizavam limpezas étnicas entre os sérvios.

No fim de 1993-94, o exército muçulmano contava com 200 mil soldados e oficiais. Em 1994, as tropas bósnias dispunham, com a ajuda dos EUA e dos países islâmicos, de dois aviões de reconhecimento, 85 tanques e 3200 peças de artilharia pesada de diferentes calibres. Em 1993, Sarajevo adquiriu 6 helicópteros de transporte de fabrico russo Mi-8S e mísseis terra-ar SA-16 Igla. Além disso, os muçulmanos fabricavam, eles próprios, armamento em Zenica, nomeadamente canhões de 105 mm, munições para metralhadoras ligeiras em Jablanica e explosivos na cidade de Vitez.

Depois do fim da guerra civil na Bósnia e Herzegovina (dezembro de 1995), Washington disponibilizou 500 milhões de dólares para a criação do novo exército da Federação da Bósnia e Herzegovina, que inclui os muçulmanos e os croatas. Deles, 140 milhões são apenas para o fornecimento de material pesado dos antigos arsenais do Pentágono. Com a chegada da OTAN e do Pentágono à Bósnia, Izetbegovic jurou cessar para sempre a sua colaboração militar com Teerã. Só depois disso é que Bill Clinton ordenou que se libertassem os 500 milhões de dólares para o exército de Izetbegovic.

Esse programa foi batizado em Washington de “Treinar e Equipar”. A primeira remessa de armas foi fornecida em agosto de 1996: tanques, blindados, helicópteros e 46 mil fuzis M-16. Do lado norte-americano o programa era supervisionado pelo representante da CIA James Purdy. Ao mesmo tempo, Sarajevo recebeu ilegalmente 40 peças de artilharia de 155 mm da Turquia e da Malásia. Todo esse armamento apareceu em Zenica, onde foi criado o principal campo de treinamento dos soldados muçulmanos e, clandestinamente, de terroristas.

Os recrutas são muçulmanos e os instrutores – norte-americanos, incluindo antigos instrutores da CIA e dos serviços secretos militares. A formação inicial era realizada em salas de informática com o equipamento mais avançado, depois o treinamento era efetuado ao ar livre. Eles tinham material militar em abundância: os muçulmanos tinham 181 tanques, 150 veículos blindados e 674 peças de artilharia. No programa Treinar e Equipar participaram a Arábia Saudita, o Kuwait, os Emirados Árabes Unidos, a Malásia e o Brunei.

 

 

Fonte: Voz da Rússia

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