Defesa & Geopolítica

Prisões e perseguições não cessam após golpe de Estado no Egito

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Após a queda do presidente Mohamed Morsi, as autoridades de segurança estão colocando os islamitas sobre enorme pressão. Organizações de defesa dos direitos humanos no Egito tentam documentar as prisões e outras medidas repressivas. No entanto, o trabalho de tais organizações se torna difícil devido ao grande número de detenções, à falta de transparência das autoridades e à rapidez dos acontecimentos.

Karim Abdelrady, advogado e pesquisador da Rede Árabe de Informações sobre Direitos Humanos (ANHRI, na sigla em inglês), classifica as detenções em duas categorias: prisões em massa arbitrárias de apoiadores dos islamitas e prisões de líderes. “Durante os recentes confrontos em frente ao prédio da Guarda Republicana, pelo menos 650 pessoas foram presas. Essas pessoas não pertenciam à liderança da Irmandade Muçulmana. Elas foram presas aleatoriamente em diversos lugares nos arredores do edifício.”

Duras críticas ao Ministério do Interior

Abdelrady acredita que muitos deles são inocentes e só queriam protestar pacificamente. Porém, ele disse ainda que alguns dos detidos também estavam armados.

Os números citados pelo advogado provêm da Frente de Defesa dos Manifestantes, rede da qual a ANHRI faz parte. Segundo Abdelrady, os advogados da Frente foram às delegacias para determinar o número e os locais das prisões.

O ativista disse que, antes, os números anunciados oficialmente eram bem mais baixos. Quando a Frente confrontou as autoridades com os números mais elevados, elas confirmaram sua precisão.

Tais prisões em massa arbitrárias não são incomuns no Egito. Especialmente em combates de rua, a polícia prende muitas vezes simplesmente alguém que se encontra nas imediações do evento. Gamal Eid, diretor da ANHRI, criticou o atual comportamento do Ministério do Interior: “Quando seu porta-voz tomou a palavra, ele defendeu as autoridades e disse que não foram cometidos erros por parte do Ministério do Interior. Tudo foi atribuído à Irmandade Muçulmana. Ele aludiu até mesmo aos tempos em que Mubarak ainda estava no poder.”

Mandados de prisão contra líderes

Isso sugere que alguns representantes do Ministério do Interior estão tentando agora culpar a Irmandade Muçulmana por erros cometidos pelo próprio Ministério. Além dessas prisões em massa, houve também a detenção de ao menos seis representantes do primeiro escalão da Irmandade e de dois conhecidos salafistas. Entre eles, estavam também o estrategista-chefe da organização, Khairat el-Shater, e o antigo presidente parlamentar, Saad Katatni.

Priyanka Mothoparty, da ONG Human Rights Watch no Egito, também destaca um caso particular. “Quando dois altos membros da Irmandade Muçulmana foram presos, eles convocaram o jurista Abdel Monem Abdel Maqusud para cuidar do caso. Quando o advogado chegou, ele mesmo foi preso, porque também havia uma ordem de prisão contra ele.”

Além disso, segundo a Human Rights Watch, os militares mantêm presos e incomunicáveis ao menos dez membros do gabinete do antigo presidente Morsi. Atualmente, de acordo com Abdelrady, foram anunciados dez novos mandatos de prisão contra membros da liderança da Irmandade Muçulmana. Entre os procurados, encontra-se também o líder supremo da organização, Mohamed Badia.

Acredita-se que ele e outros líderes islâmicos se encontrem agora nas áreas de protesto dos islamitas em Nasser City, um subúrbio do Cairo. É provável que haja novos mandatos de prisão. A maioria dos líderes islâmicos presos é acusada de incitar publicamente a violência. Ao menos para alguns dos procurados, existiriam vídeos que parecem comprovar tal fato.

Críticas à Justiça

Os apoiadores dos islamitas presos no prédio da Guarda Republicana foram acusados pelas autoridades, entre outros, de uso da violência e assassinato. Karim Abdelrady também destaca o excesso de violência dos militares contra os manifestantes: “O Estado deveria proteger os manifestantes e tratá-los de forma mais profissional. Não havia nenhuma necessidade do uso de munição de verdade. Eles poderiam ter controlado a situação de forma diferente.”

Os militares afirmam, além disso, que armas foram encontradas na sede da Irmandade Muçulmana. Ao mesmo tempo, o regime se baseia em teorias de conspiração: segundo a agência de notícias AP, a Justiça teria iniciado um processo no qual acusa por volta de 30 altos membros da Irmandade de ter fugido da prisão em janeiro de 2011 com a ajuda do Hamas, a ramificação palestina da Irmandade Muçulmana.

Além disso, as autoridades de segurança fecharam e selaram a central do partido político da Irmandade Muçulmana, como também restringiram severamente a divulgação do jornal do partido.

DW

 

Fonte: Terra

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