Defesa & Geopolítica

Métodos da Alemanha nazista em prisões da Califórnia

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Andrei Fedyashin

Até a bem pouco tempo, nas prisões da Califórnia era feita a esterilização de reclusas. Dados sobre esse fenômeno foram divulgados no seu último relatório pelo respeitado Centro de Jornalismo de Investigação norte-americano. A esterilização forçada das mulheres presas só terminou em 2010, depois de uma queixa apresentada no Congresso dos EUA por organizações de direitos humanos.

Durante o período de 2006 a 2010, só em duas cadeias da Califórnia, 150 norte-americanas foram privadas do direito de ter filhos. Isso aconteceu apesar de a esterilização de reclusas e de doentes mentais ter sido proibida pela lei estadual ainda em 1979. A direção das colônias penais afirma que todas essas operações teriam sido voluntárias, mas, segundo referem os ativistas dos direitos humanos norte-americanos, tendo as administrações penais centenas de métodos de coação sobre os reclusos, a “decisão voluntária nas prisões” soa como um insulto. A acreditar na pesquisa do centro, foram sobretudo esterilizadas mulheres que, na opinião das direções das prisões, poderiam reincidir no crime. Entretanto, entre as reclusas que foram vítimas de esterilização quase não havia mulheres brancas. Os métodos de trabalho dos médicos prisionais da Califórnia fazem lembrar a eugenia nazista, declarou à Voz da Rússia o Dr. Mathew Butkus, perito em ética médica da Universidade McNeese.

“Se recordarmos a História e os médicos que praticavam o mal colossal, nós veremos que eles raramente estavam conscientes do que faziam. Os eugenistas, tanto na Alemanha, como nos EUA, pensavam que agiam em prol da sociedade. Penso que também na Califórnia pensavam que o que faziam era precisamente para o bem da sociedade.”

Na Califórnia, escrevem os autores do estudo, de 1906 a 1979, foram esterilizados pelo menos 20 mil doentes mentais, indigentes, criminosos e pessoas com defeitos congênitos. Segundo os dados apresentados pelo relatório do centro estadunidense, nos anos 30 do século passado, médicos nazistas tinham vindo da Alemanha para realizar consultas médicas. Foram eles a aperfeiçoar até à “perfeição” os métodos desenvolvidos pelos seus colegas californianos. Mas a esterilização forçada e a “higiene racial” não eram praticadas só na Califórnia, mas à escala de todo o país, recorda o escritor americano Allen Hornblum.

“Nós internámos muitas centenas de milhares de doentes mentais e de deficientes em hospícios e desenvolvíamos métodos para a redução do seu número e para a sua exclusão da vida das sociedades. A esterilização foi aqui um dos métodos principais. No século XX foram esterilizados de 60 a 80 mil americanos. Milhares de outros foram usados em experimentos médicos. Eles não eram considerados como seres humanos e eram vistos exclusivamente como “material para pesquisa”.”

Allen Hornblum publicou em junho deste ano o livro “Contra Sua Vontade: a História Secreta dos Experimentos Médicos sobre Crianças na América durante a Guerra Fria”. Nele estão reunidas centenas de fatos da utilização de crianças em experimentos médicos. Nos pequenos americanos, órfãos ou doentes, se testavam medicamentos e os efeitos da radiação e de substâncias químicas tóxicas. Mas o mais terrível é que nas prisões dos EUA se continua a fazer experimentos com pessoas.

 

Fonte: Voz da Rússia

 

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