Vladimir Putin: Egito caminha na direção de guerra civil

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O presidente russo, Vladimir Putin, advertiu neste domingo que o Egito está à beira de uma guerra civil devido à divisão criada entre os partidários e os opositores do presidente deposto Mohamed Mursi.

“A Síria já é palco de uma guerra civil, infelizmente, e o Egito caminha na mesma direção”, declarou Putin durante uma visita ao Cazaquistão, segundo as agências russas. “Gostaríamos que o povo egípcio evitasse o mesmo destino”, acrescentou.

A diplomacia russa convocou na quinta-feira todas as forças políticas do Egito à moderação e a seguir no âmbito democrático. Dezenas de pessoas foram mortas e há mais de mil feridos em confrontos entre partidários de Mursi, opositores e militares desde a saída do presidente Mursi.

AFP

 

Fonte: Terra

O Egito está à beira de uma guerra civil?

Andrei Fedyashin

Na manhã de segunda-feira, dia 8 de julho, a situação no Egito voltou a se agravar bruscamente. O Al Nur, um dos maiores partidos islâmicos do país, anunciou o abandono das consultas para a procura de um novo premiê e a formação de um gabinete de ministros composto por tecnocratas.

Essa decisão foi tomada na sequência da dispersão a tiro de uma manifestação de apoiantes do deposto presidente Mohamed Mursi, o que provocou a morte de cerca de 30 pessoas. Os militares dizem que foram obrigados a abrir fogo depois de desconhecidos terem iniciado um assalto ao quartel da Guarda Republicana no Cairo.

Isso aconteceu praticamente poucas horas depois de o aparelho do chefe de Estado interino do Egito ter declarado que nas próximas 24 horas seria anunciado o nome do novo premiê do país. Agora ficou claro que não se conseguirá formar um gabinete durante os próximos dias. O Al Nur é o segundo partido radical islamita mais influente depois do Partido da Liberdade e da Justiça, que foi quem apresentou a candidatura de Mohamed Mursi. Até este momento ele apoiava os militares, mas agora a Irmandade Muçulmana obteve um novo aliado e o Egito deu automaticamente mais um passo a caminho de uma guerra civil.

Foi precisamente contra este tipo de desenvolvimento dos acontecimentos que alertava o presidente russo Vladimir Putin, durante o seu encontro em Astana a 7 de julho com o presidente do Cazaquistão.

“A Síria já está envolvida numa guerra civil. É triste, mas parece que o Egito também para lá caminha. Gostaria que o povo egípcio evitasse uma possível evolução negativa da situação.”

Alguns analistas egípcios dizem que a situação ainda pode ser corrigida. Tudo irá depender das ações do próximo presidente, considera o politólogo egípcio Hani Ayyad.

“Se o novo líder atuar de acordo com as exigências populares, e o povo, por seu turno, sentir que as autoridades começaram a respeitar os direitos humanos, a opinião das pessoas e os valores democráticos, ele permanecerá no poder. Está tudo nas mãos do futuro presidente. Nesse contexto, o exemplo de Mohamed Mursi é elucidativo. Nele votaram milhões de pessoas, muitas das quais não apoiavam a ideologia dos Irmãos Muçulmanos. Eles estavam dispostos a esse sacrifício só para que ele cumprisse a vontade popular e acabasse com a tirania.”

Outros consideram que o desenvolvimento da situação está a tomar um rumo muito perigoso. Na opinião do politólogo Dr. Abbas Kunfud:

“Existe o perigo de o Egito mergulhar numa anarquia definitiva e a mudança de poder ser realizada, não de acordo com princípios constitucionais, mas como agora – na praça Tahrir. As razões para isso estão na ausência de fato de tradições democráticas no mundo árabe. O Egito ficou num beco político, só que hoje ainda são poucos os que o compreenderam. Também não devemos esquecer uma outra característica específica das democracias árabes – o reforço considerável dos terroristas. Na sua essência, os países da região estão a colher os frutos da democratização artificial que os Estados Unidos foram impondo nos últimos anos.”

Entretanto os tumultos já alastraram à zona turística do Egito. Os museus e locais de interesse do Cairo já não estão acessíveis para os turistas. Já começaram os confrontos na estância de Luxor, onde foram queimadas ou assaltadas as casas de 23 cristãos-coptas egípcios. Também estão a ocorrer recontros entre os islamitas e a oposição laica em Hurghada e em Sharm el-Sheikh.

O turismo mal tinha começado a recuperar das consequências da revolução de 2011. As receitas do turismo foram no ano passado de 10,5 biliões de dólares. O rendimento turismo no Egito está ao nível das exportações do petróleo e das taxas cobradas pela utilização do Canal do Suez. A nova espiral da crise ameaça provocar uma nova quebra dessas receitas e o descalabro econômico iminente. O fluxo de turistas se reduziu no primeiro trimestre de 2013 em 17,3% quando comparado com o período homólogo do ano passado.

Entretanto, as agências internacionais de análise financeira avisam que a economia egípcia já está à beira do abismo e não lhe dão mais de meio ano de vida. Até ao fim de 2013, o Egito precisa de 33 biliões de dólares para pagamentos por conta das dívidas interna e externa e as reservas de ouro do país já se reduziram em quase três vezes: de 36 biliões de dólares, no tempo de Hosni Mubarak, para 13,5 biliões de dólares em 2013.

Segundo os analistas do banco de investimentos Merill Lynch, a última esperança é a ajuda de dadores árabes ricos como a Arábia Saudita, o Qatar e os EAU. Mas as monarquias islâmicas radicais só a irão conceder em condições bastante determinadas. Essas condições dificilmente poderão ser cumpridas por um poder laico no Egito.

 

Fonte: Voz da Rússia

7 Comentários

  1. essa primavera sem flores apenas com canhoes ,começou com a ingenuidade de árabes da classe media que foram bombardeados com uma campanha massiva que pelo facebook agitou essa massa de manifestantes dizendo que seus países eram os mais corruptos que seus governos eram super ditadores e eles tinham que mudar isso ,ate agora só lamentos conseguiram apenas ficar mais pobres mais doenças mais mortes divisão do pais em etnias e o futuro para suas crianças é muito triste
    é isso que a direita baba ovo de americano quer aqui no brasil ,usando essa massa de manobra para provocar um fissura na nossa nação
    com tanta informação sera que o brasileiro vai cair nessa arapuca? acho que não !!!!!

  2. Há um monte de falhas no processo ”democrático” pelo qual passou o Egito, o primeiro deles se deu com a prisão de Hosny Mubarak, sem fazer o mesmo com seus assessores que foram as pessoas quem comandaram a mudança de governo !
    Ou seja os militares jamais saíram do governo,só esperaram para ver se o rumo tomado pelo presidente Mursi lhes seria favorável !
    Não sendo assim deram um nono golpe .

  3. Putin está com saudades da época em que haviam no Egito ditadores dóceis e subservientes à Moscou, que os leu a disputar ( e perder) duas guerras contra Israel.

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