Defesa & Geopolítica

Para que a China está desenvolvendo um novo bombardeiro?

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Vassili Kashin

Foram recentemente publicadas, na Internet chinesa, fotografias do modelo de um bombardeiro estratégico furtivo que está sendo alegadamente desenvolvido pela Corporação Aeronáutica de Shenyang. Elas permitem tirar uma série de conclusões relativamente à possível evolução, num futuro já relativamente próximo, da doutrina militar chinesa e da sua doutrina do uso de armas nucleares.

As fotos, reproduzidas nomeadamente no conhecido blog The Aviationist, apresentam modelos de um avião de ataque que faz lembrar um caça de quinta geração de maiores dimensões. Anteriormente já tinham sido difundidos dados dispersos acerca do desenvolvimento pela China de um projeto de bombardeiro furtivo de longo alcance, mas as fotos atuais possuem melhor qualidade e são mais credíveis, apesar de não se poder excluir completamente a possibilidade de serem falsas.

Se a República Popular da China estiver realmente desenvolvendo um bombardeiro de longo alcance perspectivo, então ela será o terceiro país, depois dos EUA e da Rússia, a iniciar um projeto deste tipo. Contudo, os custos financeiros e as dificuldades tecnológicas prometem ser colossais, especialmente se considerarmos que, ao invés dos EUA e da Rússia, a China não tem qualquer experiência nesta área. Na prática, se a China quiser levar o programa até ao estádio de fabricação em série, isso irá consumir mais recursos que os dois programas de desenvolvimento de caças de quinta geração ou, por exemplo, todo o programa espacial tripulado.

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O projeto chinês poderá, ao que indicam as imagens, ser mais ambicioso que o B-2 infrassônico desenvolvido nos anos de 1980. O avião chinês terá, provavelmente, uma velocidade de cruzeiro supersônica. Se o programa já tiver saído da fase de anteprojeto e tenha sido tomada a decisão de o completar, então estaremos perante uma decisão política bastante importante e que irá ter sérias consequências na distribuição dos recursos do orçamento militar.

O programa tão dispendioso poderá ter justificação se a China quiser voltar a aumentar o peso da frota de bombardeiros na sua tríade nuclear. Numa altura de ameaça de guerra, os bombardeiros podem realizar um patrulhamento aéreo permanente em áreas determinadas, e transportando armas nucleares, continuando a estar fora do alcance do inimigo. Ao contrário dos mísseis balísticos, as missões dos bombardeiros podem ser canceladas. Assim, em caso de surgirem dados nos sistemas de alerta que revelem estar em curso um ataque com mísseis nucleares, é muito mais fácil para os dirigentes do país ordenar a decolagem de bombardeiros que autorizar o lançamento de mísseis. Em geral, a existência de bombardeiros ajuda a reduzir a ameaça de um ataque preventivo e incapacitante por parte do inimigo.

Outra vantagem importante dos bombardeiros é a de, ao contrário dos mísseis balísticos, eles poderem ser usados não só com armas nucleares, mas também com armas convencionais.

A existência de planos para o uso convencional desse avião irá igualmente atestar o futuro alargamento das missões do Exército de Libertação Popular da China muito para além da Região da Ásia-Pacífico. A opção nuclear das missões do novo avião é a mais provável e, se ela for a correta, poderemos esperar um rápido aumento do número de ogivas nucleares chinesas. Os tempos em que o arsenal nuclear chinês era o mais pequeno de todas as potências nucleares “oficiais” irão pertencer definitivamente ao passado.

Fonte: Voz da Rússia

 

 

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