Defesa & Geopolítica

Mercosul trava o Brasil em relação a melhores acordos comerciais

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Giovanni Lorenzon

Enquanto encolhe sua participação no comércio mundial e a concorrência ocupa cada vez mais espaços nos mercados internacionais antes quase cativos – além de disputar o consumo doméstico – o Brasil continua amarrado em suas relações comerciais sem possibilidades de abrir novas frentes de negócios. A falta de novos acordos bilaterais ou multilaterais, que permitiriam facilidades de inserção dos produtos via redução tarifária, é justamente o que muitos outros países estão gerando entre si, conquistando espaços importantes.

O entrave brasileiro é o Mercosul, a união aduaneira formada por originalmente pelo Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina, com a agregação recente da Venezuela, que não permite que cada membro, individualmente, procure outras alianças sem arrastar os demais. Com a Argentina em frangalhos, tentando proteger sua economia da competição mais abrangente – acordos são vias de mão dupla – nem o bloco e nem o Brasil avançam rumo a novos parceiros preferenciais.

A indústria brasileira que hoje reclama, como na reivindicação recente da Fiesp, que pede para “(o país) se livrar dessa camisa de força formada pela Argentina e Venezuela”, segundo seu diretor Roberto Giannetti da Fonseca, na verdade pouco fez até recentemente para mudar esse quadro. Ficaram acomodadas na proteção do Mercosul, vendendo bem para a Argentina e sem ser incomodadas pela pouca competitividade das empresas de lá.

E os governos brasileiros pouco fizeram, enquanto ganhavam, com essa proteção ao Mercosul, dividendos geopolíticos. Em especial a Era inaugurada pelo presidente Lula, afinado ideologicamente com a Argentina dos Kirchner (Néstor, antes, e Cristina, agora) e depois com bolivarianismo-chavista da Venezuela.

Emblemático, por exemplo, foi o bloqueio do Mercosul à formação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), quando os empresários da indústria, particularmente, e o governo evitaram o avanço das negociações propostas pelos Estados Unidos. Temerosos de uma suposta invasão de produtos americanos que seriam beneficiados, esqueceram-se que os brasileiros também teriam benefícios e, mais ainda, seriam obrigadas a se modernizarem, tornando-se mais competitivas.

O resumo disso, hoje, é o atraso do Brasil. Os Estados Unidos fecharam novos acordos bilaterais no quintal do Brasil, ampliou as preferências com os países da Ásia-Pacífico e com a União Europeia (aliás, outro bloco cuja tentativa de acordo com o Mercosul fracassou) “e agora, para onde vamos?”, lamenta Pedro Passos, presidente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

De camarote, na sua agenda terceiro-mundista, o Brasil assiste o Chile – o país com o maior número de acordos internacionais (21) e cuja economia, a mais aberta da América do Sul, cresce ano a ano sustentada nessa agenda – Colômbia e Peru, mais recentemente, colherem os frutos dessa estratégia de abertura. E agora partem para a formação da Aliança do Pacífico, bloco comercial que será ainda agregado pelo México.

O garrote no comércio internacional que o Brasil se impôs corre contra o tempo. A falta de competitividade da indústria – setor que mais sente o peso da concorrência internacional – vai se agravando e sem espaços para novos voos.

Nos anos 70 e 80, a indústria nacional representava 3% da indústria global e 1,5% do comércio mundial, taxas que recuaram para 1,7% e 0,7% respectivamente. Nos primeiros cinco meses de 2013, o déficit da balança comercial ficou acumulado em US$ 5,3 bilhões, ante um superávit de US$ 6,2 bilhões em igual período de 2012, levando os especialistas que o saldo positivo este ano deverá ser menor que o alcançado no ano passado.

O irônico é que o Brasil sofre para continuar exportando para a sua protegida Argentina, com suas seguidas restrições protecionistas contra os produtos brasileiros. Em paralelo, os concorrentes internacionais ganham espaços no país vizinho justamente nos nichos de mercados brasileiros, como calçados e outros. Nada surpreendente ao longo de todos esses anos, diante das sempre veladas ameaças à competitividade brasileira no mercado portenho.

Sem falar nos outros contenciosos, como a recente cassação das concessões da empresa brasileira América Latina Logística (ALL) pelo governo de Cristina Kirchner, sob o argumento de que não honraram os investimentos prometidos em contratos. Enquanto isso, a Vale do Rio Doce sai correndo do país, abortando investimento bilionário em uma mina de potássio, e até a estatal Petrobras quer se livrar dos ativos empregados até hoje por lá.

Não querem morrer abraçadas a uma economia que afunda.

 

Fonte: Voz da Rússia

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