EUA buscam saídas para frear suicídios de veteranos de guerra

troops-firearms-stripes-600x400-ts300Estatísticas mostram que o suicídio mata hoje mais militares dos Estados Unidos do que as próprias operações de combate em guerras. Acredita-se que, a cada dia, um militar americano que regressou ao país após servir em uma zona de conflito tira sua própria vida.

O número de suicidas após servir no Afeganistão é particularmente ilustrativo. Ele já supera o número total de militares dos EUA que morreram em combate no país centro-asiático. O alto número de suicidas levanta questões sobre o tratamento dado aos veteranos de guerra americanos.

O que estaria errado no cuidado prestado a eles?

Dez anos depois: Veteranos do Iraque ainda vivem guerra em casa

Getty Images

Após patrulha, soldados americanos deixam cidade de Orgune, na província de Paktika, no Afeganistão (4/1/2010)

Alguns motivos têm sido citados para explicar as mortes, entre eles o fato de que os veteranos sofrem de sequelas psiquiátricas e que o sistema para dar assistência a eles está sobrecarregado, já que governo não dedicaria suficientes recursos para ajudá-los.

Entretanto, desde o ano passado, o governo americano tem ampliado o apoio aos veteranos, e novas terapias têm sido usadas para tentar minimizar os efeitos do trauma.

Estresse pós-traumático

Os transtornos psiquiátricos são um dos principais motivos que levam os militares que chegam de zonas de conflito a buscar ajuda no Departamento de Assuntos para Veteranos, mantida pelo governo dos Estados Unidos.

EUA: Tribunal tenta ajudar veteranos que cometem crimes

O diagnóstico mais frequente é o de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), mas muitos também sofrem de depressão e relatam dependência de drogas. Paula Schnurr, vice-diretora executiva do Centro Nacional para TEPT nos Estados Unidos, disse à BBC Mundo que “o TEPT é um problema muito significativo entre os veteranos e militares da ativa, já que este é um dos transtornos mais afetam os indivíduos que vivem uma experiência traumática durante o serviço militar, como por exemplo a exposição a uma zona de guerra”.

Mas não é necessariamente correto atribuir o grande número de suicídios de militares americanos ao diagnóstico de estresse pós-traumático. “A incidência de suicídio em pessoas com TEPT juntamente com outros transtornos mentais é alta”, responde Schnurr. “Porém, a grande maioria das pessoas que sofrem de TEPT não tenta se suicidar. É um problema sério, mas tempos que salientar que a maioria desses pacientes não tem tendência ao suicídio”.

Investimento

Percebendo a gravidade da situação, o presidente dos EUA, Barack Obama, resolveu investir mais recursos materiais e humanos na atenção psicológica aos veteranos de guerra e militares em serviço.

Leia também: Veteranos deficientes se arriscam em esportes radicais adaptados

Desafios: De volta aos EUA, jovens veteranos enfrentam desemprego

Em 31 de agosto do ano passado, Obama publicou um decreto de lei que transfere mais recursos e poder a um conjunto de departamentos que oferece assistência a membros do Exército ─ o Departamento para Assuntos dos Veteranos, a Secretaria de Defesa e o Serviço de Saúde.

Além disso, no ano passado, foram investidos US$ 5 bilhões (cerca de R$ 10,6 bilhões) nos serviços de para apoio à saúde mental. De acordo com o Departamento para Assuntos dos Veteranos, foram criados 15 projetos piloto em sete Estados, onde a entidade mantém agentes que ajudam os veteranos a ter acesso a serviços de saúde mental.

AP

Soldados da 4ª Brigada da 2ª Divisão de Infantaria do Exército dos EUA correm para cruzar a fronteira do Iraque com o Kuwait (18/08/2010)

Foram contratados 1,6 mil agentes de saúde mental e 248 novos especialistas na área. Foi ainda criada uma campanha nacional para prevenção do suicídio com a finalidade de aproximar os veteranos e militares ativos dos serviços de saúde mental.

Dinheiro não é tudo

Contudo, julgar que a situação é resultado da mera falta de recursos é, segundo especialistas, simplificar o problema. Essa é a opinião de Raúl Coimbra, diretor do sistema de saúde do Hospital de San Diego, na Califórnia.

Crimes: Flórida adota disciplina militar para ajudar veteranos condenados

Segundo ele, existem outros fatores que têm um papel muito importante, como o estigma que persiste em torno dos problemas mentais: muitos militares não se sentem confortáveis para pedir ajuda, pois não querem ser classificacos como loucos.

Existem ainda os que querem receber ajuda, mas não pelas mãos de um especialista civil. Os militares se queixam que os civis desconhecem a realidade enfrentada pelos membros do Exército e, por isso, preferem recorrer a outras fontes de ajuda.

É o caso da organização Veterans4Warriors (Veteranos para os Guerreiros, em tradução livre do inglês), que oferece assistência específica a todo militar veterano. Por meio de um serviço telefônico ou por e-mail, um ex-militar que sofre de algum tipo de sequela mental pode receber ajuda de uma outra pessoa que pode compreender melhor sua situação.

Leia também: Famílias mudam de vida para cuidar de veteranos nos EUA

No caso do governo, o Departamento para Assuntos dos Veteranos atende 9 milhões de militares em busca de ajuda, de um total de 22 milhões de veteranos que existem em todo o país.

Terapias alternativas

No caso dos militares que sofrem de estressse pós-traumático, outra crítica frequente é que nos tratamentos existe uma tendência de medicar os pacientes em vez de se oferecerem a eles terapias mais prolongadas, que exigem mais recursos humanos, mais tempo e, assim, mais investimento.

Leia mais: Veterano amputado ajuda a treinar soldados americanos para guerra

Mas terapias tradicionais estão sendo reavaliadas. Entre as alternativas que surgem com mais força está a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT, na sigla em inglês) ou a teoria do crescimento pós-traumático, segundo a qual as experiências traumáticas pode se converter, a médio e longo prazo, em uma experiência que transforma a pessoa num sentido positivo.

Na terapia de ACT, o paciente é estimulado a não negar a causa de sua ansiedade, mas a aceitá-la, enfrentá-la, para assim aprender a se afastar do trauma. Mais ainda, o paciente deve identificar os valores que formam a base de sua existência e se comprometer a viver em conformidade com eles.

Segundo Paula Schnurr, tanto a medicação como a psicoterapia são eficazes no tratamento de TEPT. “Todos os manuais de saúde mental em vigor nos Estados Unidos recomendam que utilizemos tais métodos”, explica. Schnurr ressalta, ainda, a importância da educação e difusão de informações sobre o TEPT, assim como o apoio dos familiaries e pessoas que convivem com o paciente, para combater o estigma associado ao mal.

Fonte: BBC via Último Segundo

6 Comentários

  1. Suicídio também é muito comum nas Polícias Civil e Militar do Brasil.
    Perdi as contas dos que foram assassinados e alguns se suicidaram, que me lembre agora rapidamente um se matou na frente da família e outro se matou no cemitério.
    Devemos respeitar essa opção …
    Religião + esportes podem ser uma excelente saída, senão as únicas … chega.

  2. Morrem com suas invasões a nações soberanas…
    Morrem tentando defender suas posições no território inimigo…
    Morrem tentando salvar e proteger seus amigos de farda…
    Morrem durante as retiradas e desempenho da invasão…
    e no fim…
    Morrem quando voltam pra casa!!

    Ai esta O RESULTADO da tua guerra justa… A luta pela liberdade da tua nação fazer o que quiser com os recursos naturais de outros povos… A tua compensação emocional que reforça o teu amor patriótico por ter ido lá na casa dos outros destruído famílias, estuprado mulheres e matado crianças… sem falar nas torturas e humilhações gratuitas… sua consciência uma hora vai te cobrar o preço… vai te colocar contra o muro… é só uma questão de tempo… e naquele momento você saberá o que fazer… a solução está aí, encima da mesa… basta carregar e puxar o gatilho… será rápido… não tenha medo… a tua dor na consciência vai acabar no estalar da espoleta… jogo rápido.. escreva uma carta explicando… agora é o momento… chega de delongas… sou um soldado… sou determinado… essa é a solução… agora… sim… já… Boom!

    Digam o que quiserem… mas ninguém se mata se não tiver a consciência suja e não for capaz de resistir o seu peso!!

    Que sirva de lição pro Brasil, nosso país está crescendo e um dia vai chegar lá, mesmo que seja um crescimento lento, mas quando estivermos lá… NADA DE GUERRAS, por nenhum motivo além da nossa própria defesa territorial NACIONAL… seja lá qual for a desculpa que inventem, não aceite, não acredite, não seja cúmplice… as consequências vão além do que nossos filhos ou netos poderão suportar, ainda mais crescendo em um ambiente totalmente dentro de casa, com seus vídeo games e internet, serão emocionalmente mais frágeis do que os atuais, pois seus relacionamentos humanos e interações com outras pessoas não forjarão sua capacidade de resistência emocional… o índice de suicídio dos veteranos seria ainda maior do que estes aí!!

    Valeu!!

  3. Já presenciei o drama que atormentava a mente de ex-colaboradores-torturadores militares e civis da ditadura. Após certo tempo, o ajuste de contas com a razão cobrou seu tributo na forma de doenças aparentemente curáveis mas que os levaram a dar fim à própria vida. A sensatez que vem a consciência do homem quando não está mais brutalizado pela irracionalidade de orientações anti-humanas cobra seu preço muitas vezes de forma trágica. Não acho que a medicina psiquiátrica dará jeito de curar as feridas da alma da maioria das máquinas assassinas das forças armadas dos EUA. Fora desse ambiente, quando o homem começa a pensar e refletir com seus próprio meios e ver a realidade de forma diferente, principalmente após algum trauma de ter passado da condição de agressor para a de vítima de um fuzil, uma mina, a dor muitas vezes ensina como é estar do ouro lado.

  4. é a chamada lavagem cerebral ,querem transformar a pessoa de tal forma para executar o que eles pedem ,quem não tiver uma cabeça boa e ter uma formação em casa pode correr o risco de ter alguma psicopatia no futuro o chamado B2 ,esse tema é sempre esquecido aqui no brasil além de ser escondido também pois suicídio acontece e se você tentar se suicidar e sair vivo você pagara por crime de tentativa de homicídio de você mesmo e é assim que é explicado no quartel ,pois não é muito difícil acontecerem casos de tentativa de suicídio .

Comentários não permitidos.