Defesa & Geopolítica

Sem consenso UE decide não prorrogar embargo de armas à Síria

Posted by

siria

Proibição de dar armamentos a rebeldes expira na sexta-feira e, na falta de um acordo em Bruxelas, países-membros terão que decidir por conta própria se ajudam ou não na guerra contra Assad.

A nova tentativa da União Europeia de buscar uma postura comum para lidar com a questão de armar ou não os rebeldes sírios terminou nesta segunda-feira (27/05), em reunião de ministros em Bruxelas, novamente sem sucesso – e acirrou as divisões do bloco sobre política externa.

Sem acordo, o embargo de armas à Síria aplicado pelo bloco europeu, que expira na próxima sexta-feira, não será renovado. Com isso, cada um dos 27 países-membros terá que decidir por conta própria sobre o fornecimento de armamento à oposição síria. As sanções econômicas e financeiras, por outro lado, foram prorrogadas.

“Nós levamos ao fim o embargo de armas à oposição síria”, disse o ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague, após mais de 12 horas de negociações. “É uma mensagem forte da Europa ao regime de Bashar al-Assad.”

Diante do impasse, a ideia inicial, segundo fontes diplomáticas, era que fosse adotado um período de dois meses de “trégua”, como forma de dar uma chance à saída política para o conflito sírio. Mas a incerteza sobre a conferência promovida por EUA e Rússia, marcada para junho, em Genebra, endureceu a postura de países como o Reino Unido.

O Reino Unido é, ao lado da França, o principal defensor de armar a oposição síria, porém, enfrentava forte resistência de um pequeno grupo de países, como a Áustria, que acreditam que dar esse passo contribuiria apenas para aumentar o número de mortes na guerra. Outros Estados-membros, como Alemanha e Suécia, defendiam um acordo que mantivesse a unidade europeia.

“Quanto tempo vamos continuar vendo as pessoas sendo atingidas por diversos tipos de armas enquanto a maior parte do mundo lhes nega meios para se defender?”, questionou Hague, que disse, no entanto, que o Reino Unido não tem a intenção imediata de armar os rebeldes.

Rebeldes pressionam

O ministro das Relações Exteriores da Áustria, Michael Spindelegger, confirmou não ter havido acordo nesta segunda-feira. Já o alemão Guido Westerwelle admitiu, durante a reunião, que as posições dos países-membros estavam “distantes”.

Durante a reunião desta segunda-feira, a Coligação Nacional da oposição síria reiterou os apelos à União Europeia para que levantasse o embargo de armas.

“A população síria continua a pedir armas, acima de tudo para se proteger. Eu espero, eu rezo, para que os ministros reunidos em Bruxelas entendam isso”, afirmou Khaled al-Saleh, porta-voz da organização. “Ontem [domingo], o regime utilizou armas químicas em várias cidades.”

A suspeita sobre o uso de armas químicas na Síria é cada vez mais forte, advertiu o ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius. Ele não especificou quem as teria usado, mas afirmou que a situação está sendo verificada.

Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, desde março de 2011, a guerra civil na Síria já deixou mais de 94 mil mortos.

FA /rtr /afp /lusa /ap

 

Fonte: DW.DE

 

UE suspende embargo de armas à oposição síria; Kerry e Lavrov discutem conferência

A União Europeia, reunida em Bruxelas, decidiu suspender o embargo de armas para as forças da oposição ao regime de Bashar al-Assad, no momento em que os chefes da diplomacia de Estados Unidos e Rússia se reuniam nesta segunda-feira, em Paris, para delinear os contornos de uma conferência de paz sobre a Síria.

Os ministros europeus de Relações Exteriores decidiram suspender o embargo de armas sobre as forças de oposição ao regime de Assad, informou o chanceler britânico, William Hague, acrescentando que as sanções contra o governo sírio serão mantidas.

“É uma boa decisão e envia uma mensagem muito forte da Europa ao regime de Assad”, destacou o chanceler britânico.

Hague destacou que a Grã-Bretanha não prevê “de imediato” fornecer armas à oposição síria, apesar da decisão da União Europeia de suspender o embargo.

“Apesar de não termos um plano imediato para enviar armas à Síria, (a suspensão do embargo) nos proporciona a flexibilidade para fazê-lo no futuro diante de um agravamento da situação”, declarou Hague ao final da reunião em Bruxelas.

O ministro francês das Relações Exteriores, Laurent Fabius, deveria retornar em caráter de urgência de Bruxelas, onde os 27 países europeus aprovaram o fim do embargo de armas, para se reunir com o secretário de Estado americano, John Kerry, e o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, em Paris.

Lavrov e Kerry analisaram em encontro na capital francesa detalhes de uma conferência internacional sobre a paz na Síria, com a participação das partes em conflito.

O chanceler russo afirmou na saída do encontro com Kerry que organizar uma conferência de paz sobre a Síria não será “tarefa fácil”.

“Nós discutimos as formas de proceder (…) para que esta conferência seja realizada. Realmente, não é uma tarefa nada fácil”, declarou Lavrov, cujo país apoia o regime de Damasco.

Lavrov e Kerry, que se reuniram pela sexta vez desde que o americano assumiu a pasta em fevereiro, discutiram a data de uma conferência de paz e quais representantes da oposição síria e do regime do presidente Bashar al-Assad participarão.

“Como disse John (Kerry), nós estamos concentrados na necessidade de determinar a lista de participantes do lado sírio, o grupo do governo e o da oposição, como havíamos dito em Moscou”, explicou Lavrov.

Se Damasco der seu “acordo de princípio” para participar desta conferência internacional, denominada de Genebra 2, a oposição síria, reunida desde quinta-feira em Istambul, parece estar profundamente dividida e não se pronunciou sobre sua presença. As negociações continuavam sem sinais de avanços na noite desta segunda-feira, segundo um membro da coalizão síria.

O chanceler russo destacou que a conferência de paz poderia ser “ampliada para incluir todos os atores chave” na região. Moscou deseja há tempos que o Irã, que apoia o regime de Damasco, participe das negociações, o que os Ocidentais rejeitam.

Em junho de 2012, a primeira conferência de Genebra reuniu os chefes da diplomacia de cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, China, Rússia, França e Grã-Bretanha), representantes do Iraque, do Kuwait, do Catar e da Turquia, bem como encarregados da ONU e da União Europeia.

Fabius disse nesta segunda-feira haver “suspeitas crescentes” sobre o “uso localizado” de armas químicas no conflito na Síria, embora tenha acrescentado que ainda seria necessário “uma verificação detalhada” para confirmar esta informação.

Enviados especiais do jornal francês Le Monde, presentes na Síria em abril e maio, insistiram esta segunda-feira no uso de armas químicas contra as forças rebeldes nas proximidades de Damasco.

O uso de armas químicas já tinha sido objeto de suspeitas há várias semanas e em diversas regiões da Síria, mas até agora isto não pôde ser comprovado.

A ONU tem pedido a Damasco de forma insistente que permita a especialistas investigar as acusações recíprocas entre o governo e grupos rebeldes sobre o uso destas armas.

Neste contexto, a comunidade internacional se concentra na conferência de paz.

Em Paris, as discussões a portas fechadas na noite desta segunda-feira deveriam permitir – segundo um diplomata francês – fazer esclarecimentos sobre os participantes da conferência, prevista para uma data em junho, ainda não definida. Também discutem o mandato desta conferência.

O governo sírio, apoiado pela Rússia, já anunciou sua decisão “de princípio” de participar da conferência, ao mesmo tempo em que a oposição, reunida desde a quinta-feira em Istambul, permanecia profundamente dividida ao ponto de não poder se pronunciar até agora.

A oposição, no entanto, havia pedido à UE que suspenda o embargo às armas, alegando que as forças governamentais tinham retomado a ofensiva e ganhavam terreno em áreas controladas pelos insurgentes.

Apoiado por combatentes do grupo libanês Hezbollah (que sofreu pelo menos 79 baixas em uma semana), o exército sírio travava combates na segunda-feira para recuperar a cidade de Qousseir, no centro do país.

Yara Abbas, uma jornalista de 26 anos, que trabalhava para a rede síria de televisão Al Ikbariya, morreu perto do aeroporto de Dabaa, a 6 km de Qousseir.

Em Homs, no centro do país, pelo menos quatro pessoas morreram e dezenas ficaram feridas na explosão de um carro-bomba, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, advertiu esta segunda-feira para o “pesadelo” que se desenha na Síria. Uma “catástrofe humanitária, política e social já está ocorrendo e um verdadeiro pesadelo nos espera”, disse.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse por sua vez sentir-se “profundamente inquieto” diante do papel crescente do Hezbollah na Síria.

 

Fonte: Terra

shared on wplocker.com