Defesa & Geopolítica

Fundo corta projeção para PIB brasileiro

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miniPor De Washington

Helbling diz que infraestrutura e mercado de trabalho limitam crescimento

O Fundo Monetário Internacional (FMI) cortou a previsão para o crescimento do Brasil em 2013 de 3,5% para 3%, destacando que “restrições de oferta podem limitar o ritmo de expansão no curto prazo”. Gargalos de infraestrutura e no mercado de trabalho são os principais obstáculos para o país, disse ontem o economista Thomas Helbling, chefe de divisão do departamento de pesquisa do Fundo Monetário Internacional. Segundo ele, à medida que a economia brasileira começar a melhorar, “a política monetária acomodativa brasileira vai ser questionada, no sentido de que a Selic está abaixo do que seria a taxa neutra (aquela que não acelera a inflação).

Helbling lembrou que a inflação está próxima do teto da margem de tolerância da meta, de 6,5%, e os núcleos (que tentam eliminar ou reduzir as variações de preços mais voláteis) estão relativamente elevados, mesmo com um crescimento fraco. Isso indicaria, para ele, que o país está próximo do crescimento potencial. O FMI espera que a inflação ao consumidor no Brasil fique em 5,5% neste ano e em 4,5% no ano que vem. O Comitê de Política Monetária (Copom) define hoje o destino da taxa Selic, atualmente em 7,25% ao ano, com boa parte do mercado apostando que os juros serão elevados. Nos 12 meses até março, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula variação de 6,59%.

Em rápida entrevista a jornalistas, Helbling falou das restrições de oferta que limitam o crescimento do Brasil no curto prazo, apontados no relatório Panorama da Economia Mundial, divulgado ontem. Segundo ele, no curto prazo, com impactos imediatos sobre a economia, há os gargalos de infraestrutura, que se tornam um problema no caso de aceleração da economia. Helbling observou que o governo brasileiro permitiu a participação do setor privado no investimento em infraestrutura, o que deve dar alguma contribuição ao crescimento este ano.

Esse é, de acordo com ele, um dos motivos para que o FMI aposte numa aceleração do ritmo de expansão em relação a 2012, com o avanço do PIB passando de 0,9% no ano passado para 3% neste ano. O efeito defasado da queda dos juros também deve ajudar.

Ainda assim, os 3% são um número não muito animador, e inferior ao projetado para outros grandes emergentes – o FMI espera crescimento de 8% na China, 5,7% na Índia e 3,4% na Rússia e no México. O corte na projeção para 2013 dos 3,5% estimados em janeiro para 3% agora foi bastante acentuado, e bem superior ao aplicado a outros países em desenvolvimento. Para 2014, a previsão é de um crescimento de 4% – antes, era de 3,9%.

Outro gargalo importante está no mercado de trabalho, disse Helbling. Nos últimos anos, houve um crescimento muito expressivo da taxa de participação na força de trabalho e do nível de emprego, o que levou à alta da renda em termos reais, impulsionando o consumo e o PIB. “O crescimento na força de trabalho vai desacelerar. Há motivos demográficos para isso”, afirmou Helbling, destacando ainda a escassez de trabalhadores qualificados em alguns setores. São desafios que requerem respostas do sistema educacional, para atualizar a mão de obra.

O FMI observa que o crescimento da América Latina desacelerou de 4,5% em 2011 para 3% em 2012 refletindo “a desaceleração na demanda externa e, em alguns casos, o impacto de fatores domésticos”. A perda de fôlego foi especialmente “pronunciada no Brasil, a maior economia da região, onde grandes estímulos falharam em impulsionar o investimento privado”. A desaceleração da economia brasileira afetou os parceiros comerciais do país na região, principalmente Argentina, Paraguai e Uruguai, segundo o FMI. Neste ano, porém, o crescimento na América Latina vai se acelerar, beneficiando-se da expansão mais forte do Brasil, diz a instituição, que espera um avanço de 3,5% para o PIB da região.

No Panorama Econômico Mundial, ao comentar as recentes revisões para baixo das perspectivas de crescimento de médio prazo dos mercados emergentes, o FMI ressalta que isso não se deve apenas à expectativa de expansão um pouco mais moderada da China. “O assunto é mais amplo e mais óbvio em economias em que fatores de oferta, como gargalos de infraestrutura ou do mercado de trabalho, e incertezas sobre políticas e obstáculos regulatórios contribuíram para o recente adiamento de investimento – exemplos incluem Brasil, Índia e Rússia”, diz o FMI. “A desaceleração na acumulação de capital tende a reduzir o crescimento potencial no médio prazo.” (SL).

Fonte: Valor via CCOMSEX

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