
Autora: Claudia Hennen – Revisão: Carlos Albuquerque
Um polêmico poema afirmando que Israel põe em risco a paz mundial rendeu ao escritor alemão duras críticas. Na sequência, o autor defendeu-se em entrevistas concedidas à mídia alemã, dizendo sentir-se ridicularizado.
O escritor e Prêmio Nobel de Literatura Günter Grass ganhou destaque nas mídias alemã e internacional desde a publicação de seu poema Was gesagt werden muss (O que precisa ser dito, em tradução livre) na última quarta-feira. Em diversas entrevistas concedidas nesta quinta-feira (05/04), Grass defendeu-se das acusações de retrógrado e antissemita.
No poema de 388 palavras, o autor afirma que a potência nuclear Israel ameaça a frágil paz mundial. Após duras críticas depois da publicação, Grass disse sentir-se ofendido e ridicularizado pela imprensa alemã. O escritor de 84 anos de idade declarou à emissora alemã NDR ter previsto que seria rotulado como antissemita. “Trata-se de velhos clichês. Falou-se imediatamente, como era de se esperar, no termo antissemitismo.”
Em toda a sua obra literária, o escritor discute o passado alemão, defendeu-se Grass em entrevista ao canal de televisão 3sat. “Em meus livros Die Blechtrommel [O tambor, na tradução brasileira] (1959) e Beim Häuten der Zwiebel [Nas peles da cebola] (2006) está presente o peso da minha geração, a discussão sobre os crimes de responsabilidade dos alemães. E, por isso, essa acusação de antissemitismo é de um ódio atentatório sem igual”, declarou.
Olhar crítico
Grass admite ter errado ao falar em seu poema de Israel como um todo e não do governo israelense concretamente. Ele enfatiza sua simpatia pelo país, mas expressa preocupação sobre seu desenvolvimento. Um ataque preventivo contra o Irã poderia provocar um acidente nuclear ou até mesmo uma Terceira Guerra Mundial.
“Essa não é simplesmente uma pequena ação militar. Não é como se alguns mísseis fossem disparados e houvesse apenas algumas mortes, como afirmaram o senhor Barak [presidente dos EUA] e Netanyahu [primeiro-ministro israelense]. Trata-se de uma ação militar que terá consequências. A situação está se agravando. O perigo de operações de guerra em seguida é cada vez maior”, considerou Grass.
O escritor também se mantém firme na crítica ao governo alemão, que, segundo Grass, coloca em prática “uma reparação hipócrita” ao fornecer e financiar uma parte dos custos de submarinos a Israel. Três dessas embarcações já estão operando e duas outras deverão ser entregues até o fim de 2012. Em março deste ano, acordou-se sobre o fornecimento de um sexto submarino, que terá um terço de seus custos bancado pela Alemanha.
Alerta de Grass
Esses submarinos podem ser equipados com torpedos convencionais e também com ogivas nucleares. “Assim, nos tornamos corresponsáveis”, afirma Grass. O escritor alerta também sobre o crescente isolamento da Alemanha em termos diplomáticos.
“Após as experiências da Segunda Guerra Mundial, temos nos esforçado até agora para tentar manter diálogos e negociações. Tais tentativas também estão em curso com o governo de Israel. Essa autocracia, decidir por si mesmo não importa o que os outros digam, é uma ruptura com a tática até então bem sucedida: enquanto se dialoga, não se dispara”, diz.
Grass vê como uma obrigação lançar um olhar crítico sobre Israel. Para o autor, não se pode poupar o país. Isso seria “covardia diante dos amigos”, citando as palavras do ex-chanceler federal alemão dos tempos da Guerra Fria, Willy Brandt.
Defesa israelense
Em Israel, não houve grande alvoroço sobre o poema de Grass, relata o jornalista e historiador Tom Segev, de Jerusalém. Pessoalmente, ele considera a obra “terrivelmente vã” e “embaraçosa”. A comparação ente Israel e Irã distorce os fatos, diz. “É fato que o Irã ameaça destruir Israel, mas Israel nunca teve a intenção de destruir país algum.”
Para Segev, Grass não é, porém, nem antissemita nem anti-israelense. “É legítimo criticar Israel, também na Alemanha. Às vezes é até mesmo necessário. Com relação à opressão dos palestinos, a crítica de fora é muito importante. Direitos humanos em um país só podem ser realmente defendidos de fora”, opina o jornalista.
Há poucos meses, Segev fez uma visita a Grass. Ele gostaria que o Prêmio Nobel fizesse melhor uso “das últimas gotas de sua tinta” – como escreveu o poeta em um dos versos de seu polêmico poema –, escrevendo um belo romance.
Tom Segev disse tudo, Günter apenas fez um “olhar” critico a postura tomada pelo governo de israel(por mais que ele nao tenha deixado explicito isso) na questao do irã, e como eu ja disse é uma questao bem problematica, sobre se deve atacar ou nao, eu acredito que os israelenses nao querem este ataque.
“”… Em Israel, não houve grande alvoroço sobre o poema de Grass, relata o jornalista e historiador Tom Segev, de Jerusalém. Pessoalmente, ele considera a obra “terrivelmente vã” e “embaraçosa”. A comparação ente Israel e Irã distorce os fatos, diz. “É fato que o Irã ameaça destruir Israel, mas Israel nunca teve a intenção de destruir país algum.”===== Então , pq os Palestinos ainda ñ tem um Estado ,livre e independênte?! Sem os + de 200 enclaves nas terras dos Palestinas, afinal quem saõ os bandidos nessa história? Um fala e ainda ñ fez , poderá até fazer, o q tbm ñ deve; outro ñ fala + está fazendo…Sds.
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Hoje em dia você pode criticar qualquer país do mundo inteiro,desde a Namíbia aos EUA,mas se você falar tanto assim de Israel ou de algum judeu,seja qual for,você é logo intitulado antissemita ou neonazista,independente de quem tenha,um simples assalariado,ou um estudante ou mesmo um ganhador do prêmio nobel!
“Nunca Israel teve a intenção de destruir nenhum país!”,SANTA HIPOCRISIA!
Pra quem não sabe,o único motivo deles terem pedido um território ali foi por causa da antiga promessa da “terra sagrada”,que se não me engano vai do Sinai até o Irã se não me engano.Eles querem mais é destruir todo o médio Oriente e tornar aquela terra de habitação Judaica.
Torço para que os Judeus encontrem a paz naquele território que lhes foi dado em 47,só rezo para que eles não caiam na ganância e acabem criando uma guerra gigantesca naquele pedaço do mundo.
“Antissemita” é todo aquele que os judeus não gostam. Israel quer escravizar todo o mundo, não apenas um ou dois países.
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Günter Grass defende-se após publicar poema tachado de antissemita
By Harry on abril 6th, 2012
2 Votes
Grass admite ter errado ao falar em seu poema de Israel como um todo e não do governo israelense concretamente
Autora: Claudia Hennen – Revisão: Carlos Albuquerque
Um polêmico poema afirmando que Israel põe em risco a paz mundial rendeu ao escritor alemão duras críticas. Na sequência, o autor defendeu-se em entrevistas concedidas à mídia alemã, dizendo sentir-se ridicularizado.
O escritor e Prêmio Nobel de Literatura Günter Grass ganhou destaque nas mídias alemã e internacional desde a publicação de seu poema Was gesagt werden muss (O que precisa ser dito, em tradução livre) na última quarta-feira. Em diversas entrevistas concedidas nesta quinta-feira (05/04), Grass defendeu-se das acusações de retrógrado e antissemita.
No poema de 388 palavras, o autor afirma que a potência nuclear Israel ameaça a frágil paz mundial. Após duras críticas depois da publicação, Grass disse sentir-se ofendido e ridicularizado pela imprensa alemã. O escritor de 84 anos de idade declarou à emissora alemã NDR ter previsto que seria rotulado como antissemita. “Trata-se de velhos clichês. Falou-se imediatamente, como era de se esperar, no termo antissemitismo.”
Em toda a sua obra literária, o escritor discute o passado alemão, defendeu-se Grass em entrevista ao canal de televisão 3sat. “Em meus livros Die Blechtrommel [O tambor, na tradução brasileira] (1959) e Beim Häuten der Zwiebel [Nas peles da cebola] (2006) está presente o peso da minha geração, a discussão sobre os crimes de responsabilidade dos alemães. E, por isso, essa acusação de antissemitismo é de um ódio atentatório sem igual”, declarou.
Olhar crítico
Grass admite ter errado ao falar em seu poema de Israel como um todo e não do governo israelense concretamente. Ele enfatiza sua simpatia pelo país, mas expressa preocupação sobre seu desenvolvimento. Um ataque preventivo contra o Irã poderia provocar um acidente nuclear ou até mesmo uma Terceira Guerra Mundial.
“Essa não é simplesmente uma pequena ação militar. Não é como se alguns mísseis fossem disparados e houvesse apenas algumas mortes, como afirmaram o senhor Barak [presidente dos EUA] e Netanyahu [primeiro-ministro israelense]. Trata-se de uma ação militar que terá consequências. A situação está se agravando. O perigo de operações de guerra em seguida é cada vez maior”, considerou Grass.
O escritor também se mantém firme na crítica ao governo alemão, que, segundo Grass, coloca em prática “uma reparação hipócrita” ao fornecer e financiar uma parte dos custos de submarinos a Israel. Três dessas embarcações já estão operando e duas outras deverão ser entregues até o fim de 2012. Em março deste ano, acordou-se sobre o fornecimento de um sexto submarino, que terá um terço de seus custos bancado pela Alemanha.
Alerta de Grass
Esses submarinos podem ser equipados com torpedos convencionais e também com ogivas nucleares. “Assim, nos tornamos corresponsáveis”, afirma Grass. O escritor alerta também sobre o crescente isolamento da Alemanha em termos diplomáticos.
“Após as experiências da Segunda Guerra Mundial, temos nos esforçado até agora para tentar manter diálogos e negociações. Tais tentativas também estão em curso com o governo de Israel. Essa autocracia, decidir por si mesmo não importa o que os outros digam, é uma ruptura com a tática até então bem sucedida: enquanto se dialoga, não se dispara”, diz.
Grass vê como uma obrigação lançar um olhar crítico sobre Israel. Para o autor, não se pode poupar o país. Isso seria “covardia diante dos amigos”, citando as palavras do ex-chanceler federal alemão dos tempos da Guerra Fria, Willy Brandt.
Defesa israelense
Em Israel, não houve grande alvoroço sobre o poema de Grass, relata o jornalista e historiador Tom Segev, de Jerusalém. Pessoalmente, ele considera a obra “terrivelmente vã” e “embaraçosa”. A comparação ente Israel e Irã distorce os fatos, diz. “É fato que o Irã ameaça destruir Israel, mas Israel nunca teve a intenção de destruir país algum.”
Para Segev, Grass não é, porém, nem antissemita nem anti-israelense. “É legítimo criticar Israel, também na Alemanha. Às vezes é até mesmo necessário. Com relação à opressão dos palestinos, a crítica de fora é muito importante. Direitos humanos em um país só podem ser realmente defendidos de fora”, opina o jornalista.
Há poucos meses, Segev fez uma visita a Grass. Ele gostaria que o Prêmio Nobel fizesse melhor uso “das últimas gotas de sua tinta” – como escreveu o poeta em um dos versos de seu polêmico poema –, escrevendo um belo romance.
Fonte: dw.de
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3 Responses to “Günter Grass defende-se após publicar poema tachado de antissemita”
leonardo_sp disse:
06/04/2012 às 15:53
Tom Segev disse tudo, Günter apenas fez um “olhar” critico a postura tomada pelo governo de israel(por mais que ele nao tenha deixado explicito isso) na questao do irã, e como eu ja disse é uma questao bem problematica, sobre se deve atacar ou nao, eu acredito que os israelenses nao querem este ataque.
Carlos Argus disse:
06/04/2012 às 16:02
“”… Em Israel, não houve grande alvoroço sobre o poema de Grass, relata o jornalista e historiador Tom Segev, de Jerusalém. Pessoalmente, ele considera a obra “terrivelmente vã” e “embaraçosa”. A comparação ente Israel e Irã distorce os fatos, diz. “É fato que o Irã ameaça destruir Israel, mas Israel nunca teve a intenção de destruir país algum.”===== Então , pq os Palestinos ainda ñ tem um Estado ,livre e independênte?! Sem os + de 200 enclaves nas terras dos Palestinas, afinal quem saõ os bandidos nessa história? Um fala e ainda ñ fez , poderá até fazer, o q tbm ñ deve; outro ñ fala + está fazendo…Sds.” ========== Se os nefastos judeus combatem os Palestinos, então, os mesmos são antisemitas, pois os Palestinos são filhos de Abraão/Ibraim(vide gên.16:4 )Sds.
Artur
Cara, eu ñ sei o q ocorreu …caramba…Sds.
“É fato que o Irã ameaça destruir Israel, mas Israel nunca teve a intenção de destruir país algum.”
.
O Irã jamais ameaçou destruir Israel ou qualquer outra nação, e Israel já nasceu destruindo uma nação, então há um bom tanto de hipocrisia, cinismo e sofisma nessas palavras.
SIONISMO, O MAL DESTE SÉCULO
Um pouco de história em que o fascismo, o sionismo, nunca encontrou dentro do povo judaico de origem semítica, reconhecimento de representatividade ao contrario, o sionismo nada mais é um câncer que ata hoje atormenta a nação judaica, principalmente aqueles que moram na palestina.
*****************(trechos do original)
A DIFERENÇA ENTRE JUDAÍSMO E SIONISMO
(*)Por: G. Neuburger
Este texto é dedicado a todos aqueles que pensam, ingenuamente ou não, que as críticas a Israel são demonstrações de anti-semitismo.
****************************************************
http://www.midiaindependente.org/pt/green/2004/02/274417.shtml
Falaram os cinicos esquerdistas… aguardemos os de sã consciencia…
Blue Eyes:
“Falaram os cinicos esquerdistas… aguardemos os de sã consciencia…”
……
É o imundo falando do mal lavado…
[…]Israel já nasceu destruindo uma nação,[…]
Frase do comentarista Felipe Augusto, que tudo diz.
tut, vc me parece ser tão insignificante que não teve nem criatividade para nomear um nick… somente tres letras que nada significam… a pobreza mental começou por ai… sem futuro… o pais ta cheio dessa gentalha energumena… seu SERRA FOX…
O Irä não ameaça, afirma que o objetivo é destruir o Estado de Israel.
Ninguém duvida que o projeto nuclear de Irã é justamente para isso.
O marechal Petain , Chamberlain e o mesmo Stalin ignoraram o que era obvio nos explícitos propósitos de Hitler.
As pessoas cultas e com pensamento independente sabem a magnitude da ameaça à civilização do governo fundamentalista islamista do Irão, já que basta compreender o que aconteceu na II guerra mundial para saber o que nos espera na hora que esses tiranos possuam os médios de destruição das armas nucleares. Não desejamos a guerra e desejamos evitar que aconteça, mas se não pudermos persuadir o regime dos ayatolas a interrumpir esse projeto, teremos que ser muito idiotas para não atacar e destruir esse monstruo antes que seja tarde demais.
Sou pacifista, porem o ataque contra os nazis em 1936 teria poupado milhões de vidas. Foi um grande erro, e hoje ao tentar evitar uma guerra que cada vez resulta mais e mais inevitável estariamos cometendo o mesmo erro. O de Günter Grass não é mais que senilidade.