Canadá levanta dúvidas sobre permanência no programa F-35
O homem apontado na hora de comprar os caças F-35 disse que o governo conservador do Canadá não descartou a possibilidade de abandonar o problemático projeto.
“Nós não descartamos, por enquanto, a possibilidade, e é claro, que temos um plano reserva de qualquer projeto”, disse Julian Fantino, representante do ministro da Defesa, durante uma comissão de defesa na câmara dos deputados nessa terça-feira.
Fantino fez o comentário após uma série de perguntas incisivas dos partidos da oposição.
Uma mudança pequena na política insitente sobre a compra militar mais cara do país, é também um início drástico a partir da retórica política de alguns meses atrás, quando Fantino declarou seu apoio inabalável diante de uma platéia de executivos norte americanos.
“Vamos comprar o F-35″, disse o ministro no dia 8 de novembro em Fort Worth, Texas, sede da fábrica da Lockheed Martin, que constrói os jatos. “Estamos no projeto. Nós somos parte da cruzada. Nós não estamos recuando.”
Os conservadores dizem que ainda acreditam que o jato de alta tecnologia é a melhor escolha para substituir os antigos CF-18, mas o ministro sugeriu nessa terça-feira que está tendo uma abordagem cautelosa.
“Nós vamos, em algum momento, tomar a decisão definitiva”, disse ele. “Nós não temos, ainda, assinado um contrato de compra.”
Nenhuma das outras nove nações aliadas desistiram do programa, e Fantino disse que o Canadá não quer.
Fora da comissão, Fantino negou que o governo esteja diminuindo seu apoio para o jato.
“Eu estou sendo realista”, disse ele. “Até o momento em que a compra seja assinada e pronta, eu acho que a única resposta apropriada para mim é ser sincero. Estamos comprometidos com o programa. Nós pretendemos fazer o melhor que pudermos para nossos homens e mulheres e os contribuintes canadenses com relação à substituição dos CF-18.”
Fantino insistiu que o governo não vai deixar a força aérea na mão enquanto a atual frota de caças CF-18 da década de 1980 chega ao fim de sua vida útil projetada por volta de 2020.
“E nós vamos ter que pensar sobre isso enquanto o tempo passa.”
Novos democratas criticam o ministro na câmara dos deputados todos dias em busca de respostas.
“Sabíamos que este projeto era precário e agora, hoje vemos uma completa reviravolta”, disse o crítico de defesa David Christopherson, que aponta que os conservadores têm lançado ataques contundentes sobre as críticas.
“É tudo bravata. A razão é que eles sugerem que alguém é antipatriótico só porque eles não têm respostas concretas a dar. Eles precisam prestar contas para os canadenses pelas ações que eles tomam.”
Os liberais, que usaram o chamativo preço do F-35 como uma das justificativas para derrotar a minoria do governo Stephen Harper no ano passado, foram mais discretos, mas igualmente interessados ??em assistir o governo se contorcer.
O crítico de Defesa John McKay descreveu o depoimento como “uma mudança bem-vinda no panorama”, que foi evidentemente causada por uma reunião no início deste mês em Washington, onde as nações parceiras tiveram a oportunidade de interrogar tanto o fabricante como o Pentágono, que é o coordenador das encomendas internacionais .
“Minha pergunta é: Como é que demorou tanto tempo se nós estamos dizendo isso há anos?”.
Desde a declaração de intenção de seguir com o F-35, os conservadores têm obstinadamente defendido a decisão. Eles tem deixado de reconsiderar o projeto e os críticos atacam dizendo que o preço é incerto.
O governo Harper diz que os US$ 9 bilhões que pretende gastar em 65 dos jatos está firmado em contrato. Mas o governo não vai ver um preço firme até que ele chegue perto de primeira entrega, que é nominalmente esperado para 2016.
O custo de apoio por 20 anos em serviço permanece uma questão de debate, com a força aérea insistindo que só custará algo em torno de US$ 7 bilhões adicionais – uma cifra oficial das disputas parlamentares do Orçamento.
Mesmo as estimativas do Pentágono sugerem que o projeto de manutenção poderá ficar entre US$ 14 bilhões e US$ 19 bilhões.
Nos meses de questionamentos na câmara, Fantino insistiu que não há necessidade de um plano reserva em caso de atrasos no projeto, já que o fabricante trabalha em cima de falhas de softwares e de projeto.
Na terça-feira, ele disse à comissão que ele estava esperando pelas autoridades de defesa para preparar cenários alternativos para o negócio F-35, e o chamado plano B que os partidos de oposição exigiram.
Ele descreveu o pedido como pesquisa “e se”.
Dan Ross, o funcionário sênior de aquisições de defesa, declarou que sua equipe e da força aérea estão fazendo um acompanhamento contínuo no mercado de aeronaves internacionais, mas minimizou a idéia de que existe uma grande quantidade de opções disponíveis.
“Não vemos uma mudança no que está lá fora”, disse Ross.
Fonte: Winnipeg Free Press – Tradução: Cavok
Japão quer cancelar compra do F-35
O ministro japonês de Defesa, Naoki Tanaka, advertiu nesta quarta-feira (29) que talvez posssa ser cancelada a compra de quatro aviões de caça F-35 se a multinacional estadunidense Lockheed Martin atrasar a entrega ou elevar seu preço.
Durante uma sessão parlamentar, Tanaka afirmou: “se a proposta estadunidense fracassar, deveríamos contemplar a possibilidade de cancelar o contrato ou selecionar um novo avião” para as Forças Aéreas, de acordo com a agência de notícias japonesa.
Em dezembro do ano passado, este país informou que favoreceu o F-35 de Lockheed Martin como o novo modelo principal das Forças Aéreas de Autodefesa, frente ao F/A-18 de Boeing e o Typhoon do consórcio europeu Eurofighter (integrado por empresas aeroespaciais da Espanha, Alemanha, Reino Unido e Itália).
Essa decisão facilitava que Japão adquirisse no futuro um total de 40 aparelhos F-35 para completar dois esquadrões aéreos, mas inicialmente só fechou a compra de quatro deles para o ano fiscal 2012.
No entanto, a crise financeira dos Estados Unidos conspirou contra a produção em massa dessa aeronave de combate, o que pode originar atrasos na entrega dos pedidos japoneses ou a alta dos preços estimados em mais de 82 milhões de euros.
Fonte: Prensa Latina – Via Correio do Brasil via Hangar do Vinna
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