Defesa & Geopolítica

Rússia constrói central atômica flutuante

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A Rússia é o primeiro país do mundo a construir uma central atômica flutuante. A execução do pedido foi confiada à empresa Baltiiski, de São Petersburgo, que tem grande experiência em obras como esta. A obra, que trará muitos benefícios a algumas regiões do país, está cercada de todos os cuidados técnicos e, especialmente, de segurança.

Onde irão trabalhar estas centrais e como será garantida a sua segurança? O perito da corporação Rosenergoatom, a quem foi confiado o projeto e a construção da central atômica flutuante, Vladislav Sozoniuk, respondeu às questões levantadas pela rádio Voz da Rússia, de Moscou. “A história deste projeto começa há dezenas de anos. As primeiras tentativas de construir uma fonte móvel de energia atômica, capaz de fornecer a energia elétrica a regiões longínquas do Extremo Norte da Rússia, foram empreendidas já nas décadas de 60 e 70. Mas, naquela época, elas não foram levadas a cabo. A ideia renasceu já nos anos 2000.”

Sozoniuk explica os benefícios que a obra pode trazer à Rússia. “Uma central atômica flutuante é autônoma e autodeslocável e pode garantir o abastecimento ininterrupto de povoados e empresas industriais situados nas regiões mais distantes do Extremo Norte e do Extremo Oriente da Rússia. Estes lugares necessitam de fontes potentes de energia. Mas falta a mão de obra e a maquinaria, faltam estradas e redes elétricas, que permitam trazer a energia de outras regiões. Uma central atômica flutuante é capaz de produzir não somente energia elétrica, mas também o calor, que o Norte necessita tanto quanto da energia.” O projeto da central atômica flutuante surgiu como um produto derivado da tecnologia de criação de navios de propulsão atômica, que demonstrou bons resultados. Mesmo hoje, a Rússia é único país do mundo que possui uma marinha atômica civil e um dos poucos países que possui uma frota de submarinos atômicos.

A Rússia construiu cerca de 250 navios atômicos, cada um dos quais estava munido com um ou dois reatores. O primeiro navio deste tipo foi o quebra-gelos Lênin, lançado ao mar em 1959. Estes equipamentos estavam em processo permanente de aperfeiçoamento, o nível da sua segurança tornava-se cada vez mais alto. Hoje sua confiabilidade técnica é muito alta. Por isso, os especialistas afirmam que eles podem ser utilizados mesmo nas regiões mais remotas e com clima muito severo.

Quanto ao local de instalação de uma central atômica flutuante, são levados em consideração muitos fatores, incluindo a influência de fenômenos naturais extremos. Por exemplo, a primeira obra deste tipo ficará na península de Kamchatka. Mas no litoral do Extremo Oriente podem ocorrer terremotos e tsunamis. Por isso, o local escolhido para receber a central atômica flutuante foi o interior da baía Avachinskaia, onde estará protegida contra as ondas e os fortes ventos. A central flutuante terá também proteção contra eventuais ações terroristas e será vigiada por homens fortemente armados. Outro fator de segurança, desenvolvido especialmente para a central atômica flutuante, é o regime de reabastecimento do reator. O combustível da unidade será suficiente para 12 anos. Depois, em seu lugar, será instalada uma outra central e a antiga será rebocada para o reabastecimento numa empresa especializada.

Fonte: Diário da Rússia

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