Defesa & Geopolítica

Deu no Cavok: Reino Unido tem várias dúvidas sobre seus porta-aviões e os F-35s

Posted by
O Reino Unido pretende utilizar os caça F-35 nos novos porta-aviões, mas ainda existem dúvidas se será a versão F-35B (acima) ou a F-35C. (Foto: UK MoD)

O Ministério da Defesa do Reino Unido confirmou que está evendo partes do programa para construção dos dois novos porta-aviões para a Marinha Real, lançando dúvidas sobre a utilização prevista do avião Lockheed Martin F-35 na frota. Esta decisão poderia ter um impacto importante sobre a BAE Systems, que está envolvida no desenvolvimento da aeronave.

O custo dos dois novos porta-aviões da classe Queen Elizabeth – originalmente encomendados no governo trabalhista passado – já subiu dramaticamente de 3,5 bilhões de libras para cerca de 7 bilhões de libras.

Mudanças solicitadas pelo atual governo pode ver estes custos aumentar aumentar ainda mais.

Dúvidas sobre a versão dos caças JSF e sobre a utilização dos porta-aviões com membros da OTAN, fizeram com que o Reino Unido mudasse o projeto das embarcações.

Mas a confusão atual é sobre quais aviões devem voar a partir desses porta-aviões.

O governo anterior tinha proposto inicialmente adquirir uma variante de pouso vertical do novo avião Joint Strike Fighter, também conhecido como F-35B, que seria lançado a partir de uma rampa chamada de sky jump, adaptada aos novos porta-aviões, e pousando verticalmente.

O sistema é semelhante ao utilizado pelo jato Harrier no HMS Ark Royal – sendo que ambos foram retirados de operação após a revisão estratégica de defesa e segurança.

Críticas de Cameron

Esse era o design do porta-aviões Queen Elizabeth em 2005. (Foto: BAE Systems)

No entanto, como resultado dessa revisão, o atual governo disse que iria alterar a sua encomenda de F-35 para a variante embarcada, o F-35C.

Precisaria no entanto, exigir modificações significativas no design dos porta-aviões.

Isso exigiria que os navios teriam que ser equipados com catapultas e equipamentos de parada – os catrapos – para lançar e recuperar os aviões.

Na época da mudança, o primeiro-ministro David Cameron disse que o governo passado tomou decisões “muito ruins” sobre os novos porta-aviões.

Falando na Câmara dos Comuns no dia 19 de outubro de 2010, Cameron disse que a Grã-Bretanha agora vai instalar esses equipamentos para lançar e recuperar os caças em apenas um dos porta-aviões.

Ele disse: “Isso vai permitir que os nossos aliados possam operar a partir de nosso porta-aviões operacional e vai nos permitir comprar a versão embarcada do [F-35] Joint Strike Fighter, que é a mais capaz, menos cara, tem um maior alcance e pode carregar mais armas.”

Desde então tem havido uma série de questões susceptíveis de serem forçadas a repensar. Os custos de montagem das catapultas e cabos de parada acredita-se que aumente significativamente.

Mais testes

Esse é o projeto mais recente, datado de 2010, do HMS Queen Elizabeth. (Foto: BAE Systems)

O plano era usar a última tecnologia eletro-magnético para lançar os aviões, ao invés da catapulta a vapor tradicional. Mas a nova tecnologia é inexperiente e não foi testada a bordo de um navio.

O sistema deve ser montado para a próxima geração de porta-aviões norte americanos, mas o Congresso dos EUA já expressou preocupação sobre o programa .

O ex-secretário de Defesa, Liam Fox, inicialmente estimou que custaria cerca de £ 700 milhões para instalar os novos equipamentos de lançamento e recuperação das aeronaves. A BBC entende que o número subiu para mais de 1 bilhão de libras.

Houve também preocupações sobre a variante embarcada do F-35.

Os documentos do Departamento de Defesa dos EUA que vazaram no início deste ano constataram que uma falha de design no gancho de parada do jato de combate resultou em falhas repetidas durante pousos simulados.

Os problemas com o gancho de cauda do jato significava que ele não conseguia pegar o cabo de parada no convés do porta-aviões para a parada completa.

Como resultado, os EUA adiaram a sua encomenda para permitir mais tempo de testes.

Pedindo mais clareza

Um simulador está sendo usado no Reino Unido para treinar os pilotos e testar o projeto dos porta-aviões. (Foto: BBC)

O governo britânico disse que vai tomar uma decisão final sobre qual avião comprar mais perto da Páscoa.

Mas num comunicado do Ministério da Defesa ele confirmou que agora está “revisando todos os programas, incluindo elementos do programa de novos porta-aviões, para validar os custos e garantir que os riscos sejam adequadamente geridos”.

Essa revisão provavelmente terá um impacto importante sobre a BAE Systems, que é a contratante principal para a construção das duas novas embarcações, e também um parceiro no desenvolvimento do Joint Strike Fighter.

Embora a empresa norte americana de defesa Lockheed Martin seja a contratante principal, a BAE está construindo a cauda de todas as três variantes do F-35, representando cerca de 10% do trabalho.

Na unidade de Warton, em Lancashire, os pilotos de testes da BAE e os engenheiros já começaram a trabalhar no novo design.

Eles estão usando um simulador sofisticado que ajudará a treinar os pilotos e permitir que os engenheiros possam ajustar o design do porta-aviões.

Outra mudança de mentalidade vai significar perda de tempo, dinheiro e esforço.

O opositor do secretário de Defesa Jim Murphy disse que “o país merece clareza urgente do governo” sobre esta questão.

“Precisamos saber qual capacidade de ataque do porta-aviões será entregue, com custos, prazos e detalhes de interoperabilidade com os aliados”.

A decisão de vender os Harriers para os EUA agora parece “cada vez mais irresponsável”, disse ele.

Corte nas encomendas

As encomendas de caças F-35 pelo Reino Unido até agora ainda não está certa. (Foto: Lockheed Martin)

A incerteza não pode ser inteiramente atribuída ao governo. Não é a única a enfrentar escolhas difíceis sobre o novo avião F-35.

Com orçamentos de defesa encolhendo ao redor do globo, os custos crescentes da aeronave e problemas técnicos ainda a superar, uma série de países estão revendo seus pedidos originais para a aeronave.

O próprio Reino Unido havia originalmente planejado comprar cerca de 160 dos jatos para a Marinha Real e para RAF. Esse número já foi reduzido para pouco mais de 130 e pode cair ainda mais.

Este governo tem descrito o estado do orçamento de defesa deixado pelo governo trabalhista passado como um “acidente de carro”.

Ministros se comprometeram a conter os gastos e reprimir os grandes gastos excedentes que têm assolado o Ministério da Defesa no passado.

Eles parecem ter feito algum progresso. Mas o programa do porta-aviões ainda é uma causa de preocupação.

Fonte: BBC – Tradução: Cavok

13 Comments

shared on wplocker.com