Defesa & Geopolítica

Brasil fará licitação para construir nova base na Antártida

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POR CLAUDIO ANGELO

O Brasil abrirá já nas próximas semanas uma licitação internacional para a construção de uma nova estação científica na Antártida, informou nesta quinta-feira o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

O complexo deve começar a operar no verão de 2014-2015, no sítio da base Comandante Ferraz, destruída por um incêndio no último sábado.

Enquanto a nova estação não fica pronta, os principais líderes da pesquisa antártica no Brasil, reunidos nesta quinta-feira em Brasília, propuseram ao governo duas formas de dar continuidade aos projetos científicos na região: alugando um terceiro navio para servir de base (o Brasil tem dois navios polares, um de pesquisa e um de apoio logístico) e transferindo equipamentos brasileiros para estações vizinhas, de países que já ofereceram ajuda.

Segundo o secretário de Programas de Pesquisa do MCTI, Carlos Nobre, a primeira medida emergencial será colocar no ar os sistemas de coleta de dados que sobreviveram ao incêndio, como o módulo de meteorologia do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Hoje esses sistemas estão ameaçados pela falta de energia.

Já no próximo dia 20, um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) levará a Ferraz painéis solares e outros equipamentos para permitir a continuidade da coleta de dados.

O ministro Marco Antônio Raupp (Ciência, Tecnologia e Inovação) também afirmou ontem que a pasta também liberar recursos adicionais para repor os equipamentos que foram perdidos no incêndio. “Teve gente que perdeu equipamento de US$ 800 mil”, disse o glaciologista Jefferson Simões, coordenadot do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Criosfera.

O navio polar Almirante Maximiano também deverá receber equipamentos científicos adicionais — previstos desde sua compra, em 2008, mas nunca instalados — que o habilitem a funcionar como base de pesquisas.

Segundo Nobre, o detalhamento orçamentário da recuperação da parte científica do programa antártico deve ser conhecido nesta sexta-feira.

ARQUITETURA E CONSTRUÇÃO

A ideia de contratar uma empresa especializada em projetar e construir na região polar partiu da própria Marinha, e foi recebida com alegria — e certo espanto — pelos cientistas. É antiga a demanda dos pesquisadores por instalações projetadas por civis e planejadas de acordo com as necessidades da ciência, em vez de instalações construídas por militares às quais os laboratórios eram adaptados.

Um grupo de trabalho integrado por pesquisadores formulará as especificações do novo projeto de estação, que deve se inspirar em instalações de outros países — que usam, por exemplo, energia eólica e solar.

“A ideia é ter uma estação com prazo de vida de 30 anos, não uma estação que vá crescendo aos poucos”, afirmou Carlos Nobre.

O geógrafo Francisco Aquino, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, um dos pioneiros da pesquisa no interior do continente, disse que já há uma certeza sobre a cara da nova estação: “Será menor e em módulos isolados, provavelmente em palafitas, para resolver o problema da falta de isolamento térmico que tínhamos em Ferraz, que foi feita no chão”, afirmou.

Após muita discussão, resolveu-se também que a base será uma só, no mesmo lugar, e terá seu foco principal em biologia e monitoramento ambiental. Eventuais incursões no interior do continente para pesquisa de glaciologia e geofísica, como o grupo de Aquino e Simões tem feito desde 2004, serão feitas com acampamentos e módulos (contêineres) automatizados de coleta de dados semelhante ao Criosfera-1, instalado neste ano a 670 km do polo Sul.

Fonte: Folha de S.Paulo

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