Defesa & Geopolítica

Aiatolá iraniano ameaça EUA e Israel em resposta a sanções

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O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, disse nesta sexta-feira que o país pode fazer retaliações às sanções internacionais a seu petróleo e à qualquer ameaça de ataque a seu território. Ele fez tais declarações durante um discurso pelo aniversário da Revolução Islâmica de 1979. É a primeira vez que o país responde diretamente, em tom ameaçador, às sanções ocidentais que aumentaram nas últimas semanas.

– Ameaçar o Irã e atacar o Irã será prejudicial à América (Estados Unidos)… Sanções não terão nenhum impacto em nossa determinação em continuar nosso caminho nuclear… Em resposta a ameaças de embargo ao petróleo e guerra, nós temos nossas próprias ameças para impor no momento certo. Eu não tenho medo de dizer que nós vamos apoiar e ajudar qualquer nação ou grupo que queira confrontar e lutar contra o regime sionista – disse em um pronunciamento televisionado, fazendo referência a Israel.

Khamenei também afirmou que qualquer ataque militar americano contra seu país será revidado e que as sanções só vão aumentar a resistência do Irã.

– Os americanos dizem que todas as opções estão na mesa, até a opção de uma ação militar… Qualquer ataque militar é dez vezes mais doloroso para os Estados Unidos. Tais ameaças mostram que eles não têm um discurso suficiente contra a lógica e o discurso do Irã. Tais ameaças mostram que os Estados Unidos não têm outro caminho a não ser usar a força e derramar sangue para atingir seus objetivos, o que prejudica ainda mais os governantes da América e sua credibilidade nacional e internacional.

Para o aiatolá, o motivo das sanções é punir “a República Islâmica por causa do Islã”.

– Essas sanções vão nos beneficiar. Vão nos tornar mais autossuficientes… Nós não teríamos progresso militar se sanções não fossem impostas no setor militar iraniano… – alertou em tom provocativo. – As sanções são benéficas também porque nos deixam mais determinados para não mudar nosso curso nuclear… O Irã não vai mudar seu curso nuclear por causa de sanções.

Ministro da Defesa de Israel diz que poderá ser necessário agir

Israel, que acredita-se ter o único arsenal militar do Oriente Médio, vê o projeto de enriquecimento de urânio do Irã como uma grande ameaça. O Ministro da Defesa de Israel Ehud Barak afirmou que “se as sanções não atingirem o objetivo esperado de parar o programa nuclear militar (iraniano), será necessário considerar agir”.

– Hoje, ao contrário de antes, existe um entendimento global de que o Irã deve ser impedido de se tornar (uma potência) nuclear e nenhuma opção deve ser tirada da mesa… Hoje, ao contrário de antes, existe um entendimento global de que no caso das sanções não atingirem o resultado pretendido de parar o programa nuclear militar, será necessário considerar ações.

O vice-premier Moshe Yaalon declarou que as instalações nucleares do Irã são vulneráveis a ataque, contradizendo o que especialistas estrangeiros e autoridades de defesa israelenses afirmam, já que o programa é feito em construções subterrâneas.

O chefe da Inteligência Militar de Israel, o major-general Aviv Kochavi, estimou na quinta-feira que o Irã pode fabricar quatro bombas atômicas com o urânio já estocado. Ele também acredita que o país pode levar apenas um ano para concluir uma bomba.

– O Irã acumulou mais de quatro toneladas de urânio enriquecido a 3,5% e quase 100 kg enriquecidos a 20%. Essa quantidade de material já é suficiente para quatro bombas atômicas.

O “Washington Post” afirmou que o adiamento de um exercício militar conjunto entre americanos e israelenses pode ter assinalado a perspectiva de um ataque israelense para breve.

EUA e Reino Unido acreditam em ataque israelense

A mídia americana noticiou que o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Leon Panetta acredita que existe uma possibilidade crescente de Israel atacar o Irã por volta de abril para impedir o avanço da fabricação de uma bomba nuclear. Na quinta-feira, o “Washington Post” informou que Panetta está preocupado sobre uma crescente probabilidade de Israel lançar ataques nos próximos meses. A CNN confirmou a informação, citando um integrante do alto escalão do governo Obama, que pediu anonimato.

“Panetta acredita que existe uma crescente probabilidade de Israel atacar o Irã em abril, maio ou junho – antes do Irã entrar no que israelenses descreveram como uma “zona de imunidade” para iniciar a construção de uma bomba nuclear. Muito em breve, temem os israelenses, os iranianos terão armazenado urânio enriquecido suficiente em instalações subterrâneas para fabricar uma arma – e apenas os Estados Unidos podem impedi-los militarmente”, escreveu o colunista David Ignatius.

Tanto o Leon Panetta quanto o Pentágono se recusaram a comentar as informações.

Na quinta-feira, o vice primeiro-ministro britânico, Nick Clegg, também afirmou a “House Magazine” estar preocupado sobre “certos” países (em referência a Israel) conduzirem a questão iraniana com suas próprias mãos, mas se recusou a responder se o Reino Unido pode participar de um confronto militar com o país.

O “People’s Daily”, jornal do Partido Comunista chinês, reforçou nesta sexta-feira que Pequim se opõe as sanções contra o Irã, alertando que a tensão sobre seu programa nuclear afeta o mercado de energia e pode atrapalhar a recuperação da economia global.

Fonte: Agência O Globo via YAHOO.Notícias

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